Leilão de gás da União vende todos os lotes
PPSA negociou 1,1 milhão de metros cúbicos por dia para 2027 e planeja ampliar a próxima oferta para 1,8 milhão.

A Pré-Sal Petróleo (PPSA) concluiu nesta quinta-feira, 22 de outubro, o primeiro leilão de gás natural da União com a venda dos 110 lotes ofertados. O volume contratado chega a 1,1 milhão de metros cúbicos por dia e será fornecido entre março e dezembro de 2027.
Segundo o Poder360, 23 empresas de oito segmentos industriais ficaram com os lotes, e a PPSA já prepara para 2027 uma segunda rodada com 1,8 milhão de metros cúbicos por dia. A estatal confirmou antes do certame que 36 proponentes estavam habilitados e que esta seria a primeira oferta direta do gás processado da União aos consumidores.
Cada lote correspondeu a 10 mil metros cúbicos diários. Das 36 empresas habilitadas, 32 apresentaram propostas, o que permitiu distribuir todo o volume disponível entre compradores de diferentes cadeias produtivas.
Disputa atrai indústria de base
A maior parcela foi destinada aos setores químico e petroquímico, com 350 mil metros cúbicos por dia. Siderurgia, metalurgia e mineração receberam 320 mil; cerâmica, 200 mil; fertilizantes, 130 mil; e vidro, 100 mil metros cúbicos por dia.
O preço usou como referência 115% da cotação do Henry Hub, indicador do mercado norte-americano, acrescido do prêmio oferecido na disputa. Em quatro das cinco etapas houve ágio, sinal de competição pelos lotes dentro dos limites definidos pelo edital.
A entrega ocorrerá na saída da unidade de processamento de gás natural de Itaboraí, no Rio de Janeiro. A partir desse ponto, cada vencedor terá de contratar o transporte, diretamente ou por meio de uma comercializadora autorizada, até sua unidade industrial.
Essa divisão de responsabilidades é importante para interpretar o resultado. O valor obtido no leilão cobre a molécula no ponto de entrega; tarifas de transporte, tributos e condições logísticas continuam compondo o custo final suportado pelas empresas.
A PPSA estima arrecadar cerca de R$ 377 milhões com os contratos do primeiro certame. O montante efetivo dependerá da cotação utilizada pela fórmula, dos prêmios oferecidos e do volume entregue ao longo do período contratado.
Próxima oferta será ampliada
O presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, informou que o segundo leilão deverá ofertar 1,8 milhão de metros cúbicos por dia. Se confirmado, o volume será aproximadamente 63% superior ao da rodada encerrada nesta quinta-feira.
A estratégia prevê leilões anuais de curto prazo até 2030. Depois disso, a estatal pretende combinar contratos mais longos com as vendas regulares, à medida que houver maior previsibilidade sobre a parcela de gás pertencente à União.
O resultado não significa, por si só, redução imediata de preço para consumidores finais. O efeito econômico dependerá de como os compradores incorporarão o insumo à produção e de quanto pagarão para levá-lo de Itaboraí às fábricas.
O dado concreto da primeira rodada é a absorção integral da oferta por 23 empresas. A ampliação anunciada para 2027 testará se a procura permanece forte quando o volume disponível subir em 700 mil metros cúbicos por dia.
Em resumo
Foram negociados 1,1 milhão de metros cúbicos por dia, divididos em 110 lotes.
Vinte e três empresas de oito segmentos industriais arremataram todo o volume oferecido.
Os contratos preveem entrega entre março e dezembro de 2027.
A entrega ocorrerá na saída da unidade de processamento de gás natural de Itaboraí, no Rio de Janeiro.
A PPSA planeja oferecer 1,8 milhão de metros cúbicos por dia na rodada prevista para 2027.