Levantamentos divergem sobre apoio a impeachment no Senado
Estimativas apontam entre 49 e 54 senadores favoráveis ao instrumento, mas isso não assegura votos para afastar um ministro específico.

A eleição de domingo (4) ampliou o número de senadores que admitem processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, mas levantamentos publicados nesta segunda-feira (5) divergem sobre o tamanho exato do grupo. As estimativas variam entre 49 e 54 parlamentares na legislatura que começa em 2027.
O Metrópoles calculou 49 senadores, número também encontrado pela Folha, enquanto a CNN Brasil divulgou levantamento do Ranking dos Políticos com 54 nomes. A diferença exige cautela: as listas adotam critérios próprios para interpretar declarações públicas e não equivalem a uma votação sobre um caso concreto.
O número mais conservador fica cinco votos abaixo dos 54 necessários para alcançar dois terços das 81 cadeiras. A estimativa mais ampla atinge exatamente esse patamar, mas seus próprios responsáveis ressaltam que defender o instrumento em tese não significa votar pela condenação de determinado ministro.
Critérios produzem contagens distintas
Segundo o Metrópoles, 32 eleitos no domingo já defenderam o impeachment de algum integrante do STF. Somados aos senadores que continuarão no mandato e assumiram posição semelhante, o grupo chegaria a 49. A lista reúne parlamentares do PL, União Progressista, Novo, MDB, Republicanos e outras legendas.
A Folha chegou ao mesmo total por outra composição: 35 eleitos e 14 titulares com mais quatro anos de mandato. O jornal excluiu do cálculo as cadeiras de Cleitinho e Sergio Moro, eleitos governadores, porque seus suplentes não tinham declarações públicas identificadas sobre o tema.
O Ranking dos Políticos contabilizou 54 senadores favoráveis, dos quais 37 estão entre os 54 eleitos ou reeleitos em 2026. O estudo considerou manifestações públicas de apoio à possibilidade de impeachment, mas não apresentou esse conjunto como compromisso de voto contra um ministro já definido.
Sem uma base única de perguntas, datas e graus de concordância, as estimativas não podem ser tratadas como placar oficial. Um parlamentar pode apoiar a abertura de processo em determinadas circunstâncias, rejeitar um pedido específico ou mudar de posição depois de examinar as acusações e a defesa.
Presidência controla início do processo
Antes de qualquer deliberação do plenário, cabe ao presidente do Senado decidir se uma denúncia seguirá adiante, será rejeitada ou permanecerá sem despacho. A eleição para o comando da Casa, portanto, influencia a pauta tanto quanto o número potencial de votos favoráveis.
O PL terá 28 senadores a partir de 2027, a maior bancada, e ampliará sua capacidade de negociar a presidência e as comissões. Ainda assim, o partido não alcança sozinho os 54 votos e precisará construir apoio entre legendas de centro para qualquer processo avançar.
Há dezenas de pedidos contra ministros protocolados no Senado, com maior concentração de requerimentos dirigidos a Alexandre de Moraes. A existência das petições, porém, não demonstra crime de responsabilidade nem substitui a análise formal das provas, da admissibilidade e do direito de defesa.
O resultado eleitoral mudou a correlação de forças e retirou o tema da condição de pauta minoritária. O dado seguro, neste momento, é o crescimento do apoio declarado ao instrumento. O placar de uma votação real só poderá ser conhecido se um pedido for admitido, tiver alvo e fatos determinados e chegar ao plenário.
Em resumo
Os levantamentos publicados apontam entre 49 e 54 senadores, conforme o critério usado para interpretar declarações públicas.
Dois terços das 81 cadeiras correspondem a 54 votos.
As listas usam universos e critérios distintos para incluir eleitos, titulares, suplentes e manifestações condicionais.
Não. Apoiar o instrumento em tese não assegura voto pela condenação de um ministro específico.
O presidente do Senado controla a análise inicial da denúncia antes de eventual votação no plenário.