Lideranças assembleianas declaram apoio a Flávio
Dirigentes de grandes convenções da Assembleia de Deus manifestaram preferência por Flávio Bolsonaro na reta final da eleição presidencial, enquanto a Universal orientou seus pastores a manter neutralidade.

Lideranças ligadas às duas maiores convenções da Assembleia de Deus ampliaram as manifestações de apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na reta final do segundo turno presidencial. A movimentação ocorreu nos últimos dias, enquanto a Igreja Universal do Reino de Deus comunicou internamente que não apoiará publicamente nenhum dos candidatos.
A Folha de S.Paulo informou na noite de segunda-feira (19) que familiares e aliados do pastor José Wellington Bezerra da Costa, referência histórica da Assembleia de Deus Ministério Belém, passaram a explicitar a preferência por Flávio. A reportagem também registrou o alinhamento do bispo Samuel Ferreira, presidente da Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério Madureira.
Paulo Freire Costa, filho de José Wellington e deputado federal reeleito por São Paulo, divulgou vídeo no sábado (17) em que tornou público o apoio ao candidato do PL. Ele falou em nome da Convenção Fraternal das Assembleias de Deus de São Paulo e relacionou a escolha à defesa dos princípios religiosos do grupo.
No domingo (18), a vereadora Rute Costa, também filha de José Wellington, publicou imagem durante um ato de campanha na Avenida Paulista. José Wellington Júnior, atual presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, pediu que dirigentes de cultos reservassem um momento de oração pelo país.
Apoios ganham expressão pública
José Wellington Bezerra da Costa já havia recebido Flávio em abril, quando fez uma oração pelo então pré-candidato. O gesto se somou ao histórico de participação eleitoral da família, que apoiou candidaturas presidenciais de diferentes partidos de centro e direita desde a década de 1990.
Samuel Ferreira recebeu Flávio durante a celebração dos cem anos do Ministério Madureira, realizada após o primeiro turno. Diante do candidato, o bispo usou uma mensagem de identificação religiosa. Ao mesmo tempo, evitou formular um pedido direto de voto dentro do templo, restrição relevante diante das regras eleitorais.
A dimensão do movimento está na capilaridade das convenções assembleianas. Ministérios locais e regionais mantêm igrejas em cidades grandes e pequenas, o que dá aos dirigentes alcance para além das redes sociais. O apoio de uma liderança, contudo, não transforma automaticamente cada fiel em eleitor de um candidato.
Universal adota postura neutra
Em direção diferente, a Igreja Universal orientou seus pastores e dirigentes a não defender Lula (PT) nem Flávio Bolsonaro publicamente no segundo turno. A CartaCapital relatou em 16 de outubro que a decisão foi comunicada em reuniões realizadas com lideranças regionais e grupos de trabalho da denominação.
Segundo essa apuração, a orientação foi para que os pastores cuidassem de todos os fiéis, independentemente da posição política, e evitassem manifestações eleitorais nas redes sociais. A postura contrasta com o apoio declarado de Edir Macedo a Jair Bolsonaro em eleições anteriores.
O Republicanos, partido fundado por nomes vinculados à Universal, aderiu à candidatura de Flávio no segundo turno. A posição partidária, portanto, não foi reproduzida como recomendação institucional da igreja, que preferiu separar a atuação eleitoral de seus integrantes da condução religiosa dos templos.
O cenário mostra que o voto evangélico não opera como bloco uniforme. Há dirigentes assembleianos fazendo campanha aberta, uma grande denominação escolhendo a neutralidade e fiéis com autonomia para decidir. A diferença entre apoio pessoal, posição de convenção e orientação formal de igreja é central para medir o peso real dessas manifestações nas urnas.
Em resumo
Dirigentes ligados às maiores convenções da Assembleia de Deus passaram a declarar apoio a Flávio Bolsonaro na reta final do segundo turno presidencial.
Familiares do pastor José Wellington Bezerra da Costa e o bispo Samuel Ferreira, do Ministério Madureira, fizeram manifestações favoráveis ao candidato do PL.
A Universal orientou pastores e dirigentes a não apoiar publicamente Lula nem Flávio Bolsonaro e a evitar manifestações eleitorais nas redes sociais.
Os gestos públicos ganharam força entre sábado, 17, e segunda-feira, 19 de outubro, na semana anterior ao segundo turno.
Não. A capilaridade das igrejas amplia o alcance das mensagens, mas cada fiel mantém autonomia e as denominações não formam um bloco eleitoral uniforme.
Fontes
- Folha de S.Paulo
- CartaCapital