Economia · 2026-10-21 · Redação Notícia ES

Linhas da Transwolff seguem sem nova operadora

Edital para substituir a antiga concessionária continua sob análise do TCM, enquanto a SPTrans administra as linhas da zona sul paulistana.

Linhas da Transwolff seguem sem nova operadora
Linhas da Transwolff seguem sem nova operadora

As linhas de ônibus anteriormente operadas pela Transwolff continuam sob administração da Prefeitura de São Paulo, dois anos e meio após a intervenção iniciada em abril de 2024. O edital destinado a escolher uma nova empresa ainda passa por análise técnica e não tem data anunciada para publicação.

O Metrópoles informou nesta quarta-feira (21) que a minuta está no Tribunal de Contas do Município desde o meio de 2026. O Notícia ES conferiu a trajetória administrativa em comunicados da Prefeitura e o impacto recente da indefinição em reportagens sobre a paralisação ocorrida na zona sul da capital.

Edital continua sob auditoria

Segundo o TCM, um relatório preliminar emitido em 21 de julho apontou a necessidade de ajustes na minuta. A SPTrans enviou resposta em 25 de setembro, e o processo permanece com a auditoria. O órgão afirmou que não existe determinação suspendendo o procedimento, mas também não indicou prazo para a conclusão da análise.

A intervenção começou depois da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo para investigar suspeitas de ligação entre dirigentes de empresas de ônibus e integrantes do PCC. A apuração não autoriza tratar trabalhadores ou toda a operação como participantes de crime; as responsabilidades dependem das provas e decisões de cada processo.

A Prefeitura anunciou a substituição da Transwolff em janeiro de 2025 e criou, em julho daquele ano, um grupo de trabalho para estudar a transferência dos contratos. Em dezembro, decretou a caducidade por descumprimento de obrigações contratuais e manteve a SPTrans responsável pela continuidade das linhas e dos empregos ligados ao serviço.

Uma solução emergencial chegou a ser anunciada em janeiro de 2026, mas a empresa escolhida desistiu de assumir a operação. Com isso, a administração direta continuou e a licitação definitiva voltou a concentrar as expectativas de passageiros, trabalhadores e empresas interessadas nos dois lotes da zona sul.

Passageiros enfrentam longa transição

A fragilidade do arranjo ficou visível na segunda-feira (19), quando uma greve afetou 67 linhas e cerca de 267 mil passageiros. A paralisação terminou após reunião com representantes da SPTrans e da Prefeitura. O município afirmou que salários e benefícios estavam em dia e que depósitos de FGTS e INSS eram feitos judicialmente enquanto se aguardava decisão competente.

Os ônibus ainda circulam com elementos visuais associados à antiga operadora, embora a Prefeitura tenha informado a contratação de serviço para retirar os adesivos. A aparência dos veículos, porém, é secundária diante das questões centrais: regularidade trabalhista, qualidade da frota, fiscalização, metas de atendimento e estabilidade contratual.

A nova licitação deverá esclarecer critérios de habilitação, garantias financeiras, indicadores de desempenho e mecanismos de controle sobre a futura concessionária. Sem um cronograma público, a transição permanece aberta e dificulta a cobrança de prazos. A população precisa saber quando o modelo provisório terminará e como será protegida contra novas interrupções.

O caso mostra que afastar uma operadora suspeita é apenas a primeira etapa. A administração também precisa concluir uma solução juridicamente segura, preservar o serviço e divulgar os custos da intervenção. Enquanto o edital não avança, a SPTrans permanece responsável por uma operação que atende diariamente bairros populosos como Grajaú e Parelheiros.

Em resumo

Quem administra atualmente as antigas linhas da Transwolff?

A SPTrans mantém a administração das linhas após a intervenção e a caducidade dos contratos da antiga operadora.

Por que a nova licitação ainda não foi publicada?

A minuta recebeu pedidos de ajuste do TCM, foi respondida pela SPTrans e continua sob análise da auditoria, sem prazo divulgado.

Quando começou a intervenção?

A Prefeitura iniciou a intervenção em abril de 2024, após a Operação Fim da Linha do Ministério Público paulista.

Quantos passageiros foram afetados pela greve recente?

A paralisação de 19 de outubro afetou 67 linhas e aproximadamente 267 mil passageiros na zona sul de São Paulo.

O que a licitação precisa definir?

O edital deverá estabelecer a nova operadora, garantias financeiras, metas de atendimento, fiscalização e regras de continuidade do serviço.

Fontes