Linhas da Transwolff seguem sem nova operadora
Edital para substituir a antiga concessionária continua sob análise do TCM, enquanto a SPTrans administra as linhas da zona sul paulistana.

As linhas de ônibus anteriormente operadas pela Transwolff continuam sob administração da Prefeitura de São Paulo, dois anos e meio após a intervenção iniciada em abril de 2024. O edital destinado a escolher uma nova empresa ainda passa por análise técnica e não tem data anunciada para publicação.
O Metrópoles informou nesta quarta-feira (21) que a minuta está no Tribunal de Contas do Município desde o meio de 2026. O Notícia ES conferiu a trajetória administrativa em comunicados da Prefeitura e o impacto recente da indefinição em reportagens sobre a paralisação ocorrida na zona sul da capital.
Edital continua sob auditoria
Segundo o TCM, um relatório preliminar emitido em 21 de julho apontou a necessidade de ajustes na minuta. A SPTrans enviou resposta em 25 de setembro, e o processo permanece com a auditoria. O órgão afirmou que não existe determinação suspendendo o procedimento, mas também não indicou prazo para a conclusão da análise.
A intervenção começou depois da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo para investigar suspeitas de ligação entre dirigentes de empresas de ônibus e integrantes do PCC. A apuração não autoriza tratar trabalhadores ou toda a operação como participantes de crime; as responsabilidades dependem das provas e decisões de cada processo.
A Prefeitura anunciou a substituição da Transwolff em janeiro de 2025 e criou, em julho daquele ano, um grupo de trabalho para estudar a transferência dos contratos. Em dezembro, decretou a caducidade por descumprimento de obrigações contratuais e manteve a SPTrans responsável pela continuidade das linhas e dos empregos ligados ao serviço.
Uma solução emergencial chegou a ser anunciada em janeiro de 2026, mas a empresa escolhida desistiu de assumir a operação. Com isso, a administração direta continuou e a licitação definitiva voltou a concentrar as expectativas de passageiros, trabalhadores e empresas interessadas nos dois lotes da zona sul.
Passageiros enfrentam longa transição
A fragilidade do arranjo ficou visível na segunda-feira (19), quando uma greve afetou 67 linhas e cerca de 267 mil passageiros. A paralisação terminou após reunião com representantes da SPTrans e da Prefeitura. O município afirmou que salários e benefícios estavam em dia e que depósitos de FGTS e INSS eram feitos judicialmente enquanto se aguardava decisão competente.
Os ônibus ainda circulam com elementos visuais associados à antiga operadora, embora a Prefeitura tenha informado a contratação de serviço para retirar os adesivos. A aparência dos veículos, porém, é secundária diante das questões centrais: regularidade trabalhista, qualidade da frota, fiscalização, metas de atendimento e estabilidade contratual.
A nova licitação deverá esclarecer critérios de habilitação, garantias financeiras, indicadores de desempenho e mecanismos de controle sobre a futura concessionária. Sem um cronograma público, a transição permanece aberta e dificulta a cobrança de prazos. A população precisa saber quando o modelo provisório terminará e como será protegida contra novas interrupções.
O caso mostra que afastar uma operadora suspeita é apenas a primeira etapa. A administração também precisa concluir uma solução juridicamente segura, preservar o serviço e divulgar os custos da intervenção. Enquanto o edital não avança, a SPTrans permanece responsável por uma operação que atende diariamente bairros populosos como Grajaú e Parelheiros.
Em resumo
A SPTrans mantém a administração das linhas após a intervenção e a caducidade dos contratos da antiga operadora.
A minuta recebeu pedidos de ajuste do TCM, foi respondida pela SPTrans e continua sob análise da auditoria, sem prazo divulgado.
A Prefeitura iniciou a intervenção em abril de 2024, após a Operação Fim da Linha do Ministério Público paulista.
A paralisação de 19 de outubro afetou 67 linhas e aproximadamente 267 mil passageiros na zona sul de São Paulo.
O edital deverá estabelecer a nova operadora, garantias financeiras, metas de atendimento, fiscalização e regras de continuidade do serviço.