Cultura · 2026-10-19 · Redação Notícia ES

Livro reconstrói oito dias decisivos de 1964

Heloisa Starling organiza pesquisa documental em sequência cronológica sobre as articulações civis, militares e estrangeiras que derrubaram João Goulart.

Livro reconstrói oito dias decisivos de 1964
Livro reconstrói oito dias decisivos de 1964

A historiadora Heloisa Murgel Starling lança nesta terça-feira (20) o livro “A máquina do golpe: 1964 — Como foi desmontada a democracia no Brasil”. A obra acompanha oito datas decisivas para explicar como diferentes grupos articularam a deposição do presidente João Goulart.

A Folha de S.Paulo apresentou nesta segunda-feira (19) a proposta narrativa e a pesquisa da autora. A página oficial da Companhia das Letras confirma lançamento em 20 de outubro, 304 páginas e uma reconstrução organizada dia a dia das movimentações políticas e militares.

O livro concentra o relato entre 31 de março e 13 de junho de 1964. Em vez de tentar resumir toda a ditadura, a autora observa como decisões tomadas em poucas semanas criaram a estrutura institucional que sustentaria o regime durante os anos seguintes.

Narrativa segue calendário político

Os capítulos acompanham acontecimentos como a movimentação do general Olímpio Mourão Filho, a atuação do governador mineiro Magalhães Pinto e a disputa pelo comando entre grupos militares. A cronologia também inclui a declaração de vacância da Presidência pelo Congresso e a ascensão de Castello Branco.

A participação dos Estados Unidos aparece por meio da atuação do embaixador Lincoln Gordon e da Operação Brother Sam, mobilização de apoio logístico aos conspiradores. A pesquisa também examina o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, que reuniu empresários e militares na preparação política do golpe.

Starling dedica atenção ao primeiro ato institucional, editado em 9 de abril. A análise sustenta que as bases autoritárias foram estabelecidas desde o início, antes do AI-5 de 1968, com cassações, suspensão de garantias e concentração de poder fora das regras democráticas.

Pesquisa privilegia documentos históricos

A estrutura cronológica permite observar a diferença entre versões divulgadas publicamente e articulações registradas em documentos. Horários, mensagens diplomáticas, decisões políticas e movimentações de tropas são usados para reconstituir a sequência sem transformar personagens históricos em figuras abstratas.

A obra retoma uma trajetória acadêmica iniciada por Starling ainda nos anos 1980, quando pesquisou grupos civis e militares que atuaram em Minas Gerais. O cientista político René Armand Dreifuss, referência no estudo das conexões empresariais do golpe, orientou sua formação e recebe dedicatória no novo volume.

A editora apresenta o livro como uma integração entre pesquisa documental e narrativa acessível. A edição tem ISBN 978-85-359-3724-4, formato brochura e capa assinada por Kiko Farkas. O lançamento amplia uma produção da autora dedicada à República, à democracia e às experiências autoritárias brasileiras.

Ao restringir o arco temporal, Starling oferece ao leitor uma lente sobre o funcionamento prático de uma ruptura institucional: preparação, alianças, aparência de legalidade e consolidação. O valor jornalístico do lançamento está nessa explicação de método, além das disputas contemporâneas sobre a memória de 1964.

Em resumo

Qual é o novo livro de Heloisa Starling?

A máquina do golpe: 1964 — Como foi desmontada a democracia no Brasil.

Quando o livro será lançado?

O lançamento informado pela editora é 20 de outubro de 2026.

Qual período histórico a obra acompanha?

O relato se concentra em oito datas entre 31 de março e 13 de junho de 1964.

Que grupos aparecem na pesquisa?

Militares, governadores, empresários, Congresso, agentes norte-americanos e integrantes do Ipes.

Quantas páginas tem a edição?

A ficha técnica da Companhia das Letras informa 304 páginas.

Fontes