Lucro do Bradesco sobe, mas inadimplência avança
Banco registrou lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre, enquanto atrasos superiores a 90 dias chegaram a 4,6% da carteira.

O Bradesco encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões, alta de 14,6% em um ano e de 0,8% em relação ao trimestre anterior. O resultado divulgado na quinta-feira (22) manteve uma sequência de crescimento, mas veio acompanhado de piora nos indicadores de atraso.
O InfoMoney apresentou o balanço e a reação dos analistas nesta sexta-feira (23). A Folha confirmou os principais números, incluindo a evolução do lucro, o tamanho da carteira de crédito e o avanço da inadimplência acima de 90 dias.
Lucro mantém trajetória de alta
A receita total chegou a R$ 38 bilhões, enquanto a margem financeira somou R$ 21,3 bilhões. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio ficou em 15,6%, ou 16,1% quando desconsiderado o efeito do aumento de capital realizado no trimestre.
A carteira de crédito alcançou R$ 1,15 trilhão no fim de setembro. O saldo cresceu 11,1% na comparação anual e 1,1% em três meses, sustentado por operações com empresas e por linhas selecionadas para pessoas físicas.
O banco combinou expansão de receitas não ligadas diretamente ao crédito com controle de despesas. Os gastos operacionais recuaram em relação ao ano anterior, ajudando a compensar o crescimento mais lento das receitas associadas a empréstimos e a pressão provocada pelas provisões.
A instituição também manteve o plano de transformação operacional, com investimentos em tecnologia, revisão da rede física e prioridade para produtos considerados mais seguros. O aumento de capital de R$ 10 bilhões ampliou a capacidade de investimento, mas também afeta a comparação imediata dos indicadores de rentabilidade.
Crédito exige cautela adicional
A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6%, ante 4,3% no segundo trimestre e 4,1% um ano antes. A piora apareceu com mais força em operações de micro, pequenas e médias empresas e em segmentos de pessoas físicas.
As provisões para perdas esperadas alcançaram R$ 10,6 bilhões, crescimento de 24,3% em 12 meses e de 6,6% no trimestre. Segundo o banco, parte da pressão veio de operações de capital de giro com garantia pública e de atrasos sazonais ligados ao crédito rural.
O aumento da cobertura de risco reduz a parcela do lucro disponível para outras finalidades e explica a leitura cautelosa de analistas, apesar do avanço do resultado final. Ao mesmo tempo, a administração afirma que continuará priorizando clientes com melhor avaliação e empréstimos com garantias.
O trimestre, portanto, reúne dois sinais diferentes: recuperação da rentabilidade e maior risco de crédito. A evolução da inadimplência nos próximos balanços mostrará se as provisões atuais são suficientes e se o banco conseguirá sustentar o lucro sem restringir ainda mais a concessão de empréstimos.
Em resumo
O banco registrou lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026.
O resultado avançou 14,6% na comparação com o terceiro trimestre de 2025.
Os atrasos superiores a 90 dias chegaram a 4,6% da carteira de crédito.
A carteira totalizou R$ 1,15 trilhão ao fim de setembro.
As provisões expandidas para perdas esperadas somaram R$ 10,6 bilhões no trimestre.