Política Nacional · 2026-10-26 · Redação Notícia ES

Lula 4 terá Congresso mais à direita e desafio na articulação política

Especialistas afirmam que petista terá que costurar acordos com centrão para aprovar projetos e argumentar que crescimento do bloco bolsonarista tira espaço dos partidos da direita tradicional

Lula 4 terá Congresso mais à direita e desafio na articulação política
Lula 4 terá Congresso mais à direita e desafio na articulação política

O quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcará a maior oposição ao petista no Congresso Nacional em todas as gestões do mandatário.

Composição da Câmara dos Deputados e do Senado

A composição da Câmara dos Deputados e do Senado vai impor ao petista o desafio de formar uma articulação política com parlamentares para tentar aprovar projetos de interesse de seu novo governo.

O PL elegeu 121 deputados e 19 senadores no primeiro turno e terá a maior bancada nas duas Casas a partir de fevereiro de 2027. A federação petista elegeu 88 deputados e nove senadores, mas o governo não conseguiu apoios do centrão para as eleições.

Em pronunciamento após a vitória nesse domingo (25), Lula disse que foi o povo brasileiro que “escolheu o Congresso” e que será com esse cenário que ele irá conversar.

Se nos últimos quatro anos o petista conseguiu aprovar

Se nos últimos quatro anos o petista conseguiu aprovar projetos populares como o fim da escala de trabalho 6x1 e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, agora, especialistas avaliam que Lula terá uma dificuldade para avançar propostas de governo.

Neste momento, duas propostas de emenda à Constituição enviadas pelo Executivo são tratadas como os grandes projetos do governo no Congresso: a PEC da Segurança Pública e a PEC da Tarifa Zero para transporte público.

Além da dificuldade de aprovar textos de autoria do Planalto, Lula também terá que lidar com a aprovação de pautas propostas pelo próprio Congresso. A mais desafiadora para o governo hoje é a redução da maioridade penal.

Uma PEC está tramitando no Congresso e deve ganhar tração na nova legislatura.

A terceira gestão do petista começou com um Congresso também alinhado à direita, mas com a formação de uma frente ampla construída pelo PT.

Partidos como o Republicanos, PP, União Brasil e MDB costuraram acordos com o PT em 2022 e garantiram espaço na Esplanada dos Ministérios.

Os partidos indicaram ministros, mas desembarcaram do governo petista e deram apoio a Flávio no segundo turno das eleições.

Agora, Lula terá que reconstruir laços com os partidos do centro na tentativa de aprovar projetos.

A cientista social Débora Messenberg, do Instituto de Ciências Sociais da UnB (Universidade de Brasília), entende que, mesmo em um cenário muito adverso, Lula tem uma capacidade de articulação política consolidada.

“Será um governo extremamente dificil com maioria de direita e extrema direita. No Senado de 2023 para cá havia mais pessoas do centrão, o que facilitava as costuras.

Mas o Lula é experiente e capaz de costurar esses acordos. O primeiro ano de governo costuma ter capacidade de articulação e ação maiores para acelerar por causa do impacto das urnas.

Mas essas eleições já mostram uma oposição cerrada desde o início”, afirmou.

Logo no primeiro ano do mandato, em 2023, Lula nomeou os deputados Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), para chefiar o Ministério dos Portos e Aeroportos, e André Fufuca (PP-MA), que ficou à frente dos Esportes, além de Carlos Fávaro (PSD-MT) para o Ministério da Agricultura.

Ao longo do mandato alguns nomes foram trocados e partidos como o União Brasil deixaram o governo.

Para conseguir aprovar projetos no Congresso, ter aliados nos comandos da Câmara e do Senado é uma tarefa vista internamente como fundamental.

A reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) na Casa Baixa é hoje a missão menos difícil, enquanto no Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) deverá ter dificuldade para reconquistar a presidência da Casa.

Motta já tem o apoio de 11 partidos pela sua reeleição, incluindo os nove do centrão. Já no Senado o caminho está mais nebuloso para Alcolumbre, que também foi presidente da Casa durante a gestão Bolsonaro.

O PL já afirmou que não apoiará a reeleição do amapaense, sob o argumento de que Alcolumbre não instaurou processos de impeach ment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), além de ter travado outras pautas bolsonaristas.

Rogério Marinho (PL), que coordenou a campanha de Flávio, e Tereza Cristina (PP), que chegou a ser cotada como vice do senador, são ventilados como possibilidades para concorrer à presidência do Senado.

O PL tem, sozinho, 28 cadeiras. O Novo, que também deve apoiar o partido bolsonarista, quatro. Juntos, somam 32. São necessários 41 votos para eleger o novo chefe da Casa.

Em resumo

O que aconteceu?

O quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcará a maior oposição ao petista no Congresso Nacional em todas as gestões do mandatário. A composição da Câmara dos Deputados e do Senado vai impor ao petista o desafio de formar uma articulação política com parlamentares para tentar aprovar projetos de interesse de seu novo governo.

Qual é o ponto principal?

O PL elegeu 121 deputados e 19 senadores no primeiro turno e terá a maior bancada nas duas Casas a partir de fevereiro de 2027. A federação petista elegeu 88 deputados e nove senadores, mas o governo não conseguiu apoios do centrão para as eleições.

Quais são os dados mais importantes?

Em pronunciamento após a vitória nesse domingo (25), Lula disse que foi o povo brasileiro que “escolheu o Congresso” e que será com esse cenário que ele irá conversar.

Qual é o contexto?

Se nos últimos quatro anos o petista conseguiu aprovar projetos populares como o fim da escala de trabalho 6x1 e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, agora, especialistas avaliam que Lula terá uma dificuldade para avançar propostas de governo.

Quais são os próximos desdobramentos?

Neste momento, duas propostas de emenda à Constituição enviadas pelo Executivo são tratadas como os grandes projetos do governo no Congresso: a PEC da Segurança Pública e a PEC da Tarifa Zero para transporte público.

Fontes