Economia · 2026-10-24 · Redação Notícia ES

Lula anuncia bondades equivalentes a 3,6% do PIB em ano eleitoral

Pacote soma R$ 463,8 bilhões, mas inclui créditos, renúncias e despesas com impactos fiscais distintos. Leia no Poder360.

Lula anuncia bondades equivalentes a 3,6% do PIB em ano eleitoral
Lula anuncia bondades equivalentes a 3,6% do PIB em ano eleitoral

Pacote soma R$ 463,8 bilhões, mas inclui créditos, renúncias e despesas com impactos fiscais distintos

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou em 2026 um conjunto de medidas que somam R$ 463,8 bilhões , equivalente a 3,6% do PIB (Produto Interno Bruto) estimado para o ano.

Para o economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper , os programas têm motivação eleitoral e devem ser considerados na avaliação do impacto das políticas do governo sobre as contas públicas, mesmo quando não representam despesas diretas do Orçamento.

Em entrevista ao Poder360 , Mendes afirmou que o governo tem usado operações de crédito, subsídios e perdões de dívidas para ampliar benefícios à população em busca da reeleição.

Levantamento reúne medidas de diferentes naturezas, períodos

O levantamento reúne medidas de diferentes naturezas, períodos de execução e fontes de financiamento. Por isso, o valor total não representa gasto efetivo nem impacto fiscal integral em 2026.

“Você está tendo uma administração que está focada em garantir a reeleição e está fazendo N programas que têm grande visibilidade pública”, afirmou Mendes.

“A 1ª pergunta que você deve fazer é: essa medida seria implementada se não tivesse uma motivação eleitoral? E em quase todas a resposta vai ser não”, declarou.

O percentual de 3,6% considera o PIB de R$ 12,7 trilhões em 2025, acrescido da projeção de crescimento de 1,4% para 2026, informada no Boletim Focus. Com essa hipótese, o PIB alcançaria R$ 12,88 trilhões.

Trata-se de uma aproximação, pois o crescimento real projetado não corresponde necessariamente à variação nominal do PIB.

Os levantamentos sobre as bondades anunciadas pelo governo apresentam valores diferentes. O Poder360 havia identificado R$ 248,7 bilhões , enquanto o Gastômetro do Estadão chegou a aproximadamente R$ 350 bilhões.

Mendes explicou que as divergências decorrem principalmente do período considerado, da inclusão de operações financeiras e da diferença entre valores autorizados e efetivamente desembolsados.

“Se você estiver fazendo a conta quanto impacta em 1 ano, vai ser um número. Quanto impacta em 3 anos, vai ser um número maior” , disse.

O economista citou linhas de crédito que podem não ter toda a verba utilizada. Também afirmou que empréstimos subsidiados podem ser contabilizados pelo valor integral disponibilizado ou apenas pela diferença entre os juros cobrados e os de mercado.

Para Mendes, porém, todas as modalidades devem entrar no levantamento das medidas anunciadas. “O critério deve ser o seguinte: isso em algum momento vai fazer a dívida pública subir? E a resposta é quase sempre sim” , afirmou.

Ele criticou o uso de operações financeiras para executar políticas públicas fora das restrições aplicáveis às despesas primárias.

“O que o governo tem feito é fazer programas pela via financeira para justamente escapar do limite de despesa primária que está no arcabouço fiscal” , declarou.

A IFI (Instituição Fiscal Independente), órgão vinculado ao Senado, contesta a soma indiscriminada das medidas. Segundo o diretor Alexandre Andrade, é necessário separar despesas primárias, renúncias de receitas, operações de crédito e recursos de terceiros.

O levantamento da instituição apresenta um total de R$ 298,4 bilhões , com os seguintes valores para medidas com efeito em 2026:

Em resumo

O que aconteceu?

Pacote soma R$ 463,8 bilhões, mas inclui créditos, renúncias e despesas com impactos fiscais distintos

Qual é o ponto principal?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou em 2026 um conjunto de medidas que somam R$ 463,8 bilhões , equivalente a 3,6% do PIB (Produto Interno Bruto) estimado para o ano.

Quais são os dados mais importantes?

Para o economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper , os programas têm motivação eleitoral e devem ser considerados na avaliação do impacto das políticas do governo sobre as contas públicas, mesmo quando não representam despesas diretas do Orçamento.

Qual é o contexto?

Em entrevista ao Poder360 , Mendes afirmou que o governo tem usado operações de crédito, subsídios e perdões de dívidas para ampliar benefícios à população em busca da reeleição.

Quais são os próximos desdobramentos?

O levantamento reúne medidas de diferentes naturezas, períodos de execução e fontes de financiamento. Por isso, o valor total não representa gasto efetivo nem impacto fiscal integral em 2026.

Fontes