Lula apadrinha Moisés Selerges na disputa pela Câmara
Presidente grava pedido de votos para ex-dirigente dos metalúrgicos do ABC e personaliza a disputa por uma vaga de deputado federal.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou no sábado (26) um vídeo de apoio a Moisés Selerges, candidato do PT a deputado federal por São Paulo. Na mensagem, o presidente apresenta o ex-dirigente sindical como um representante direto de suas posições no Congresso e pede votos para a eleição de 4 de outubro.
A Folha de S.Paulo publicou o vídeo neste domingo (27) e destacou a frase em que Lula disse que Selerges eleito seria "como se fosse eu, deputado federal". A reportagem informou que esta é a primeira eleição disputada pelo sindicalista e que ele deixou a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para concorrer.
O apoio liga a candidatura proporcional à imagem do presidente e à história política do ABC paulista. Foi no mesmo sindicato que Lula ganhou projeção nacional durante as mobilizações operárias do fim dos anos 1970 e início dos anos 1980. Selerges assumiu a presidência da entidade em 2022 e passou a participar de debates nacionais sobre jornada de trabalho e tributação da renda.
O diretório do PT em São Bernardo do Campo já havia apresentado Selerges e Vicentinho como candidatos do partido a deputado federal em uma plenária realizada em agosto. O encontro também organizou a militância local em torno das candidaturas majoritárias apoiadas pela legenda, mostrando que o vídeo presidencial integra uma estratégia eleitoral construída antes da reta final da campanha.
Apoio transfere capital político
Ao vincular Selerges à própria trajetória, Lula tenta transferir confiança pessoal para uma candidatura que ainda busca se tornar conhecida fora do movimento sindical. O método reduz a distância entre a eleição presidencial e a disputa por cadeiras na Câmara, onde o próximo governo precisará formar maioria para aprovar projetos e controlar comissões.
A personalização também aumenta a responsabilidade política do presidente pelo desempenho do candidato. Se Selerges for eleito, suas votações serão comparadas às promessas de representar trabalhadores e defender a agenda apresentada durante a campanha. Caso não conquiste a vaga, o resultado indicará o limite da capacidade de Lula de transferir votos dentro de sua base histórica.
A Folha colocou a expressão "minha cópia" no centro da manchete, escolha que resume o apadrinhamento, mas deixa em segundo plano as propostas legislativas do candidato. O mesmo critério deve valer para qualquer presidente: apoio pessoal merece registro, porém o eleitor precisa saber também quais projetos, alianças e compromissos o nome apoiado levará ao Congresso.
Trajetória sindical entra na campanha
Registros da Câmara mostram Selerges participando de discussões sobre direitos trabalhistas ainda como presidente do sindicato. Em maio, ele foi listado entre os convidados de uma reunião da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial destinada a ouvir representantes de trabalhadores e do governo.
Essa atuação ajuda a explicar por que Lula o apresenta como herdeiro político, mas não substitui a avaliação eleitoral. A Câmara decide orçamento, impostos, regras trabalhistas e fiscalização do Executivo; por isso, identidade partidária e proximidade com o presidente são apenas parte das informações que devem orientar o voto.
Até o primeiro turno, a campanha de Selerges deverá usar o vídeo para ampliar alcance em São Paulo. O eleitor pode conferir no sistema DivulgaCandContas a situação do registro, a declaração de bens, as receitas, as despesas e os dados formais da candidatura antes de decidir.
Em resumo
Moisés Selerges, candidato do PT a deputado federal por São Paulo e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
A gravação foi feita no sábado, 26 de setembro de 2026, e divulgada no dia seguinte.
O presidente apresentou o candidato como alguém que representaria suas posições e os interesses dos trabalhadores na Câmara.
Sim. Segundo a apuração publicada pela Folha, ele disputa sua primeira eleição em 2026.
No DivulgaCandContas, sistema da Justiça Eleitoral que reúne registro, bens e movimentação financeira da campanha.