Lula apoia Delúbio na reta final da campanha
Presidente pediu votos para o ex-tesoureiro do PT, candidato a deputado federal por Goiás, e classificou sua trajetória judicial como perseguição.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu votos para Delúbio Soares, candidato do PT a deputado federal por Goiás, em vídeo divulgado na segunda-feira (28), a menos de uma semana do primeiro turno.
A CNN Brasil registrou a manifestação e o Mais Goiás confirmou a publicação do vídeo nas redes sociais. Na gravação, Lula associa o apoio à própria candidatura presidencial ao voto em Delúbio e diz que o correligionário merece recuperar cidadania e dignidade.
Delúbio agradeceu o apoio e afirmou que pretende atuar ao lado do presidente caso seja eleito. O gesto dá peso nacional a uma disputa proporcional e recoloca no debate eleitoral a trajetória do ex-tesoureiro, figura central de um dos maiores escândalos políticos dos primeiros governos petistas.
A fala presidencial também apresenta uma interpretação política dos processos. Lula afirma que Delúbio foi vítima de perseguição, mas não detalha no vídeo quais decisões considera injustas nem separa a condenação do mensalão das ações da Lava Jato que tiveram provas anuladas.
Apoio resgata passado político
No julgamento do mensalão, o Supremo Tribunal Federal condenou Delúbio a oito anos e onze meses de prisão. Ele cumpriu parte da pena e recebeu indulto em 2016, quando já estava no regime aberto. O perdão extinguiu a punição, mas não apagou a existência da condenação.
Em outro processo, ligado à Lava Jato, Delúbio foi condenado por lavagem de dinheiro. As provas desse caso foram anuladas posteriormente, e reportagem da Folha de S.Paulo publicada em junho informou que ele ficou livre da última ação penal pendente em março de 2026.
As duas situações jurídicas não são equivalentes. A anulação de provas impede que o resultado de um processo seja tratado como condenação válida, enquanto o indulto concedido no mensalão alcançou a pena aplicada pelo STF. O eleitor precisa dessa distinção para avaliar o pedido presidencial sem confundir revisão processual com inexistência dos fatos julgados.
Delúbio deixou o PT após o escândalo, mas retornou ao partido em 2011. Fundador da legenda e da Central Única dos Trabalhadores, ele tenta agora ocupar uma das 17 cadeiras de Goiás na Câmara dos Deputados, em uma disputa com centenas de candidaturas registradas.
Candidatura disputa volta à Câmara
O apoio de Lula transforma a candidatura em teste sobre a capacidade do PT de reabilitar eleitoralmente antigos dirigentes. A estratégia não é isolada: o presidente também gravou material em favor de José Dirceu, outro nome associado ao mensalão e candidato à Câmara em 2026.
A diferença entre pedido de voto e prestação de contas histórica importa. Lula tem o direito de apoiar candidatos de sua coligação, mas a frase sobre perseguição exige confronto com decisões judiciais documentadas. O mesmo rigor cobrado de adversários deve valer quando o beneficiado é um aliado antigo.
Delúbio concorre com direitos políticos reconhecidos e registro submetido à Justiça Eleitoral. Isso lhe assegura participar da eleição e defender sua versão dos processos. Também não elimina o direito do público de conhecer condenações, anulações e indultos com precisão, sem transformar nenhuma dessas etapas em atalho retórico.
Até a votação de domingo (4), o efeito concreto do vídeo será medido nas urnas de Goiás. Politicamente, porém, a escolha já está clara: Lula decidiu empenhar seu capital eleitoral na volta de Delúbio à vida pública, assumindo também o debate sobre o passado do ex-tesoureiro.
Em resumo
Lula pediu votos para Delúbio Soares, candidato do PT a deputado federal por Goiás.
O material foi publicado na segunda-feira, 28 de setembro, na reta final do primeiro turno.
O STF condenou Delúbio a oito anos e onze meses de prisão; ele cumpriu parte da pena e recebeu indulto em 2016.
As provas da ação citada foram anuladas, e a última acusação pendente foi encerrada em março de 2026.
Ele concorre a uma vaga de deputado federal por Goiás nas eleições de 2026.