Lula associa campanha à crise no STF
Presidente relacionou o desgaste da Corte à disputa eleitoral e defendeu rever critérios de escolha dos ministros durante o segundo turno.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (5) que a crise de confiança no Supremo Tribunal Federal pesa sobre sua campanha no segundo turno. Em reunião com aliados em Brasília, ele defendeu uma nova reforma do Judiciário e a revisão dos critérios usados para escolher ministros da Corte.
O Poder360 relatou a declaração e o encontro de campanha. UOL e Jovem Pan confirmaram que Lula vinculou o desgaste institucional do STF à disputa eleitoral, criticou a relação entre integrantes da Corte e personagens investigados e propôs ampliar a participação da sociedade no debate sobre futuras indicações.
Crítica entra no segundo turno
A manifestação ocorreu um dia depois de Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro. Segundo a apuração divulgada, o candidato do PL recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente obteve 45,16%. A diferença levou o comando petista a reunir aliados e revisar a estratégia para a etapa final.
Ao tratar do Supremo, Lula afirmou que a campanha passou a carregar um problema criado pela própria Corte. Ele usou a palavra “promiscuidade” para descrever o ambiente institucional e sustentou que ministros também devem responder à lei e ao escrutínio público.
A fala representa uma mudança de ênfase porque parte das críticas ao STF vinha sendo concentrada na oposição. Ao incorporar o tema à campanha, o presidente reconhece que a desconfiança em relação ao tribunal alcançou eleitores além do campo político adversário.
O desgaste ganhou força depois da divulgação de mensagens relacionadas à investigação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os registros disponíveis não permitem reconstruir todas as respostas atribuídas aos interlocutores, por isso a existência de contatos não autoriza conclusões automáticas sobre conduta criminosa.
Reforma volta ao debate
Lula também retomou a defesa de uma reforma do Judiciário. Para ele, a mudança realizada no início dos anos 2000 não produziu todos os resultados esperados, especialmente por causa do peso corporativo nos órgãos de controle criados naquele período.
O presidente sugeriu discutir publicamente como os ministros do Supremo devem ser indicados e se o cargo deveria ter mandato. Hoje, os integrantes da Corte são escolhidos pelo presidente da República, passam por sabatina no Senado e permanecem no posto até a aposentadoria compulsória.
A proposta ainda não foi apresentada como texto legislativo. Alterações no modelo de escolha ou na duração do cargo exigiriam debate no Congresso e, conforme o conteúdo, uma emenda constitucional com apoio qualificado de deputados e senadores.
Ao levar o tema ao segundo turno, Lula tenta responder a uma insatisfação institucional que também é explorada por Flávio Bolsonaro. A cobrança coerente, porém, depende de aplicar a mesma regra a todos: transparência para ministros, investigados, governistas e opositores, sem transformar suspeitas em condenações antecipadas.
Em resumo
Ele afirmou que a crise de confiança na Corte pesa sobre sua campanha no segundo turno.
Lula propôs uma nova reforma do Judiciário e debate sobre a escolha dos ministros do Supremo.
Não. A declaração apresentou uma posição política, sem texto legislativo protocolado.
A manifestação foi feita na segunda-feira, 5 de outubro, durante reunião de campanha em Brasília.
O presidente reconheceu que o desgaste institucional da Corte alcança o debate eleitoral do segundo turno.