Lula conquista virada inédita e terá quarto mandato como presidente do Brasil - BBC News Brasil
Campanha renasceu após a derrota no primeiro turno, com manifestações nas ruas e ação nas redes sob comando de André Janones (Rede-MG). Petista está diante da conjuntura mais difícil desde 2003, com Congresso mais à direita da história.

Acompanhe a apuração para presidente e governador em seu Estado e município com o mapa interativo da BBC News Brasil
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25/10) pela segunda vez e cumprirá seu quarto mandato como presidente da República até 2030, acumulando mais da metade deste século no poder no Brasil.
Com 96% das urnas apuradas, Lula, que completa 81 anos na terça-feira (27/10), amealhou mais 64 milhões votos, com uma diferença de pouco mais de 4 milhões votos em relação a Flávio Bolsonaro (PL) , considerada irreversível pela Justiça Eleitoral.
Nunca antes na história da democracia brasileira um presidente se reelegeu duas vezes. É igualmente inédito o feito de arrancar uma vitória depois de ter ficado em segundo lugar no primeiro turno.
Lula chega a uma virada histórica embalado
Lula chega a uma virada histórica embalado por uma campanha que renasceu após a derrota no primeiro turno, com manifestações multitudinárias nas ruas e ação massiva nas redes sob comando do deputado André Janones (Rede-MG), boa parte disso sem atuação direta da própria direção do PT.
O ex-metalúrgico que virou o líder inconteste da esquerda brasileira desde sua primeira eleição presidencial, em 1989, está, no entanto, diante da conjuntura mais difícil desde que chegou ao poder pela primeira vez, em 2003.
Seu novo mandato previsto para ter início em 5 de janeiro de 2027 começará com travas claras no mundo político interno - mas também externo, com a hostilidade ativa de Donald Trump -, além de desafios econômicos imediatos, sob forte desconfiança de agentes do mercado financeiro.
À frente de um país cujo eleitorado está partido ao meio, Lula terá de governar com o Congresso mais à direita da história brasileira desde a redemocratização: o PL de Flávio Bolsonaro foi o partido que mais cresceu nesta eleição , chegando à marca histórica de 121 deputados federais na Câmara e 28 no Senado.
"Vai ser um cenário inédito, desafiador na Câmara e beirando a incapacidade de se fazer política no Senado. Nunca houve um cenário assim, em que uma das Casas é claramente de oposição.
Ele não vai ter espaço algum no Senado", diz Lucas Aragão, cientista político e sócio da Arko Advice.
Segundo Aragão, Lula poderá cavar algum espaço de apoio na Câmara, especialmente se conseguir se aliar ao Centrão. Mas no Senado há menos caminhos para negociação.
Para tentar garantir alguma governabilidade, diz o analista, Lula terá que tentar aprovar propostas que conversem minimamente com a pauta da direita ou que tenham muito apelo popular, como foi a PEC do fim da escala 6x1 .
Ainda assim, avalia Aragão, Lula teria à disposição um arsenal limitado de ações.
Lincoln Secco, historiador, professor da USP e autor do livro A História do PT (Ateliê Editorial) lembra que, historicamente, o governo petista prefere tentar a negociação ao confronto. Resta saber qual será a postura adotada agora, diante de um Congresso tão antagonista.
"Não sabemos se, pela primeira vez, o governo vai tentar mobilizar a sociedade civil para sensibilizar o Congresso, como aconteceu com o fim da escala 6x1, ou se vai manter o que é a marca do PT governista desde que chegou ao poder em 2003, que é buscar a conciliação e não ir pro embate", diz ele.
Com o Congresso desfavorável de um lado, e a forte mobilização nas rua, Lula prometeu nos últimos dias da campanha defendendo "um novo jeito de governar".
"Depois da nossa vitória a gente vai ter que discutir um novo jeito de governar este país.
A participação do povo nesta campanha, a saída na rua dos estudantes, das mulheres, dos trabalhadores, vai nos obrigar a fazer um novo jeito de governar este país.
Este país nunca mais será o mesmo", afirmou Lula em uma live que fez com seu "general" de campanha Janones, que reuniu inéditos 10 milhões de militantes pró-Lula no WhatsApp.
Mesmo antes de 5 de janeiro, data em que ocorrerá a posse presidencial, Lula terá que responder à cobrança do mercado financeiro por um ajuste nas contas públicas, dado o alto nível da dívida, e lidar com a insatisfação dos brasileiros com o custo de vida e o endividamento recorde.
Tudo isso, em meio a uma economia que deverá crescer menos em 2027.
Em resumo
Acompanhe a apuração para presidente e governador em seu Estado e município com o mapa interativo da BBC News Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25/10) pela segunda vez e cumprirá seu quarto mandato como presidente da República até 2030, acumulando mais da metade deste século no poder no Brasil.
Com 96% das urnas apuradas, Lula, que completa 81 anos na terça-feira (27/10), amealhou mais 64 milhões votos, com uma diferença de pouco mais de 4 milhões votos em relação a Flávio Bolsonaro (PL) , considerada irreversível pela Justiça Eleitoral.
Nunca antes na história da democracia brasileira um presidente se reelegeu duas vezes. É igualmente inédito o feito de arrancar uma vitória depois de ter ficado em segundo lugar no primeiro turno.
Lula chega a uma virada histórica embalado por uma campanha que renasceu após a derrota no primeiro turno, com manifestações multitudinárias nas ruas e ação massiva nas redes sob comando do deputado André Janones (Rede-MG), boa parte disso sem atuação direta da própria direção do PT.