Lula disse que EUA queriam “escravizar” a América Latina, afirma livro
Petista diz que os EUA queriam “escravizar” a América Latina e chamou Moro e Dallagnol de “fantoches” norte-americanos.

Petista também chamou Moro e Dallagnol de “fantoches” norte-americanos
As informações principais do assunto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a influência dos Estados Unidos na economia mundial e na América Latina em conversas registradas pelo ex-policial federal Jorge Chastalo Filho durante o período em que esteve preso em Curitiba.
Os fatos estão no livro “ Banho de Sol – os 580 dias da prisão de Lula” , publicado em 2026, e incluem referências aos então presidentes norte-americanos Barack Obama, Donald Trump e George W. Bush.
As anotações também registram críticas à atuação de integrantes da Operação Lava Jato.
Detalhes e consequências do caso
Em uma conversa com o ex-ministro Aloizio Mercadante e o deputado Rui Falcão, em janeiro de 2019, Lula associou o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol aos interesses dos Estados Unidos.
“O Moro e o Dallagnol só podem ser braços dos americanos por aqui, o Trump quer dominar completamente a América Latina. Os americanos querem que a América Latina seja seu quintal, sua despensa.
E, para isso, pretendem acabar com a esquerda, porque a esquerda percebe essa intenção com clareza e combate a tentativa dos Estados Unidos de escravizar a América Latina”, diz um trecho do livro sobre afirmações de Lula.
Na sequência, criticou setores da direita que apoiavam Trump: “Enquanto a tal direita puxa o saco e baba ovo do Trump. Eles não percebem que os Estados Unidos nunca, mas nunca irão renunciar ao conforto deles para alimentar uma criança latina.”
Na mesma conversa, segundo o livro, Mercadante disse que seria mais fácil fazer oposição a Moro depois que ele deixou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro.
Lula respondeu que o ex-juiz havia se tornado uma “ presa fácil ” e defendeu que o PT concentrasse críticas em Dallagnol e acompanhasse a atuação de Moro.
O petista também declarou ter como objetivo atingir a carreira e a reputação dos 2.
Disse que não aceitava que Dallagnol tivesse classificado o PT como uma quadrilha de ladrões e criticou o fato de as declarações do procurador, por integrar o Ministério Público Federal, terem influência sobre milhões de pessoas.
As declarações sobre a possível atuação dos Estados Unidos e o vínculo de Moro e Dallagnol com o governo norte-americano são avaliações feitas por Lula na conversa registrada pelo autor.
O trecho do livro não apresenta comprovação independente dessas alegações. Chastalo Filho também informa que acompanhou só parte do diálogo entre o petista, Mercadante e Rui Falcão.
Em anotações de 7 e 8 de setembro de 2018, Chastalo Filho registrou que Lula havia contado sobre uma “ briga boa ” com o então presidente norte-americano Barack Obama a respeito do uso do dólar no comércio internacional.
Segundo o relato, questionou por que as transações entre países precisavam ser feitas na moeda dos Estados Unidos.
Como exemplo, citou uma negociação entre Brasil e Argentina e perguntou por que os 2 países precisariam usar o dólar se tinham moedas próprias.
Lula também disse que os Estados Unidos dominavam o mercado e o mundo por controlarem a emissão de dólares.
Na conversa narrada no livro, declarou que ajudou a criar o bloco dos Brics para fortalecer países como Brasil e Índia e que os norte-americanos não queriam que o grupo crescesse.
Banho de Sol – os 580 dias de Lula na prisão foi escrito por Jorge Chastalo Filho, agente da Polícia Federal responsável pela carceragem da corporação em Curitiba (PR) durante a detenção do petista.
O livro tem 574 páginas, traz prefácio do jornalista Juca Kfouri e reúne registros feitos pelo autor de abril de 2018 a novembro de 2019.
Lula foi preso em 7 de abril de 2018, depois de ser condenado no processo do tríplex do Guarujá (SP) durante a Operação Lava Jato.
A condenação foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, e o Supremo Tribunal Federal havia rejeitado um pedido de habeas corpus que buscava impedir a execução da pena depois da condenação em 2ª instância.
O petista permaneceu na Superintendência da PF em Curitiba por 580 dias, até deixar a prisão em 8 de novembro de 2019.
A soltura foi feita depois de o STF mudar o entendimento sobre a execução da pena e decidir que a prisão só poderia ser feita após o trânsito em julgado da condenação, e não mais depois de decisão em 2ª instância.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações de Lula relacionadas à Operação Lava Jato.
A Corte reconheceu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos e também declarou a suspeição do então juiz Sergio Moro, por falta de imparcialidade na condução de uma das ações.
A decisão restabeleceu os direitos políticos do petista e permitiu que ele voltasse a disputar eleições.
No diário, Chastalo relata a rotina do presidente, as visitas recebidas, conversas sobre política e momentos de isolamento durante o período na carceragem.
Na introdução, o autor afirma que os registros representam sua percepção dos acontecimentos e reconhece que algumas conversas foram anotadas horas ou dias depois de terem ocorrido.
Por isso, traz a possibilidade de imprecisões na reprodução das falas.
Em resumo
Petista também chamou Moro e Dallagnol de “fantoches” norte-americanos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a influência dos Estados Unidos na economia mundial e na América Latina em conversas registradas pelo ex-policial federal Jorge Chastalo Filho durante o período em que esteve preso em Curitiba.
As anotações também registram críticas à atuação de integrantes da Operação Lava Jato. Em uma conversa com o ex-ministro Aloizio Mercadante e o deputado Rui Falcão, em janeiro de 2019, Lula associou o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol aos interesses dos Estados Unidos.
“O Moro e o Dallagnol só podem ser braços dos americanos por aqui, o Trump quer dominar completamente a América Latina. Os americanos querem que a América Latina seja seu quintal, sua despensa.
Na sequência, criticou setores da direita que apoiavam Trump: “Enquanto a tal direita puxa o saco e baba ovo do Trump. Eles não percebem que os Estados Unidos nunca, mas nunca irão renunciar ao conforto deles para alimentar uma criança latina.”