Lula diz que PF apura disputa por imóvel de Richarlison
Presidente afirmou que a Polícia Federal investiga a transferência da posse de uma propriedade em Angra dos Reis adquirida por empresa ligada ao atacante.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na quarta-feira (21) que a Polícia Federal apura as circunstâncias da disputa por um imóvel em Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), adquirido por uma empresa ligada ao atacante Richarlison. O jogador sustenta que perdeu a posse da propriedade depois de investir cerca de R$ 10 milhões no local.
A declaração foi registrada pelo Poder360, que relatou a publicação de um vídeo de Lula sobre o caso. O presidente associou a controvérsia ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, mas não apresentou no vídeo número de inquérito nem detalhes sobre a fase da apuração.
Richarlison comprou direitos sobre o imóvel em 2020 por meio da Sport 70, empresa que mantinha com o então empresário Renato Velasco. O negócio envolveu ainda outros participantes e ocorreu enquanto a documentação da ocupação de área da União era discutida administrativamente e na Justiça.
Disputa passa por cadeia possessória
Reportagem do UOL aponta que o centro do conflito é a cadeia de documentos usada para sustentar a posse, especialmente um intervalo entre 1986 e 2011. De um lado, o grupo de Richarlison diz ter comprado os direitos de ocupantes que buscavam regularizar o terreno; do outro, a WT Administração, de Willer Tomaz, afirma ter assumido obrigações vinculadas a uma empresa com registros anteriores.
A defesa de Tomaz sustenta que a empresa quitou cerca de R$ 2 milhões em pendências por meio de contrato de sub-rogação e depois regularizou a ocupação na Secretaria do Patrimônio da União. O grupo do jogador questiona a validade da sequência documental e afirma que havia um acordo reconhecendo sua posse antes da mudança ocorrida em 2022.
O conflito chegou ao Superior Tribunal de Justiça. Em 2025, uma decisão manteve o resultado favorável à empresa de Tomaz no recurso então analisado. Isso não transforma automaticamente em fato comprovado as acusações feitas nas redes sociais: elas continuam sendo versões das partes em uma disputa com dimensões cível, administrativa e, segundo Lula, investigativa.
Investigação ainda precisa ser delimitada
Flávio Bolsonaro foi citado porque visitou o imóvel e acabou indicado como testemunha em uma das etapas do processo. O senador nega ter participação na propriedade ou na ação judicial e afirma que sua relação com Tomaz é de amizade. A alegação de envolvimento direto, feita por Richarlison, é contestada por Flávio.
O atacante voltou ao assunto em outubro, divulgou documentos e pediu investigação. Ele afirma que a transferência ocorreu sem pagamento a seu grupo e prometeu destinar parte de eventual recuperação financeira a um hospital de Nova Venécia, no Espírito Santo, sua cidade natal.
A fala presidencial acrescenta peso político ao episódio, mas a responsabilização de qualquer pessoa depende de atos formais das autoridades e da análise das provas. Até que sejam divulgados o escopo da investigação e seus resultados, é necessário separar a decisão sobre posse, as acusações públicas e uma eventual apuração criminal.