Política Nacional · 2026-10-24 · Redação Notícia ES

Lula elogia Galípolo e mantém cobrança por juros menores

Candidato à reeleição diz que mudar a autonomia do Banco Central não é prioridade, mas volta a pressionar por uma Selic menor.

Lula elogia Galípolo e mantém cobrança por juros menores
Lula elogia Galípolo e mantém cobrança por juros menores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, afirmou após o debate presidencial desta sexta-feira (23) que reverter a autonomia do Banco Central não será prioridade em um eventual novo mandato. Ao mesmo tempo, elogiou Gabriel Galípolo e voltou a cobrar uma redução da taxa básica de juros.

O Poder360 registrou a declaração dada por Lula à jornalista Renata Lo Prete, na TV Globo, já na madrugada de sábado (24). O comunicado oficial do Copom confirma o dado central do debate econômico: a Selic está em 13,75% ao ano depois de cinco cortes consecutivos em 2026.

Lula disse confiar no presidente do Banco Central e classificou Galípolo como competente e inteligente. Afirmou ainda acreditar que o chefe da autoridade monetária também considera os juros altos, mas atribuiu parte da pressão sobre preços e câmbio às guerras, ao custo de vida no exterior e aos subsídios brasileiros para diesel e gasolina.

Autonomia permanece fora das prioridades

A resposta tem peso eleitoral porque separa duas discussões que o discurso político costuma misturar. Uma é a autonomia formal do Banco Central, estabelecida por lei e baseada em mandatos para seus dirigentes. A outra é a escolha da Selic, feita colegiadamente pelo Comitê de Política Monetária a cada reunião.

Dizer que a revisão da autonomia não será prioridade sinaliza continuidade institucional, mas não impede o presidente da República de criticar a política monetária. A cobrança pública, porém, não equivale a uma ordem: Galípolo preside o comitê, mas não decide sozinho, e os diretores votam com base no cenário de inflação e atividade.

A indicação de Galípolo por Lula, aprovada pelo Senado, torna a crítica politicamente mais delicada. Se a taxa permanece alta, o governo não pode atribuir o resultado apenas à direção anterior do banco. A mesma régua exige reconhecer tanto os cortes já feitos pela atual diretoria quanto os riscos que limitam uma redução mais acelerada.

Queda depende do cenário econômico

Na reunião de setembro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75%, por decisão unânime. Foi o quinto corte seguido, mas o comunicado evitou prometer novo movimento. A autoridade monetária condicionou os próximos passos aos dados disponíveis e à convergência da inflação para a meta.

O IPCA-15 de outubro desacelerou no mês, mas acumulou 4,62% em 12 meses, acima do teto de 4,5% da meta. Esse quadro ajuda a explicar a cautela: juros elevados freiam crédito e investimento, mas uma queda sem respaldo pode pressionar o câmbio e os preços, atingindo principalmente famílias de renda menor.

A declaração de Lula, portanto, combina uma promessa de não priorizar mudança institucional com pressão explícita por dinheiro mais barato. O eleitor precisa cobrar como essa intenção será compatibilizada com a política fiscal, a meta de inflação e a autonomia decisória do Copom. Apenas responsabilizar o cenário mundial não substitui um plano doméstico.

Se reeleito, Lula deverá ser avaliado pelos mesmos critérios aplicados a qualquer presidente: respeito aos mandatos legais, responsabilidade nas contas públicas e resultados mensuráveis sobre inflação, crédito e emprego. Galípolo, por sua vez, responderá pela coerência técnica das decisões, não pela conveniência eleitoral de quem o indicou.

Em resumo

O que Lula disse sobre a autonomia do Banco Central?

Lula afirmou que reverter a autonomia da instituição não será prioridade em um eventual novo mandato.

O que Lula disse sobre Galípolo?

O presidente declarou confiar em Gabriel Galípolo e o chamou de competente e inteligente.

Qual é a taxa Selic atual?

A Selic está em 13,75% ao ano após cinco cortes consecutivos realizados em 2026.

Quem decide a taxa de juros?

A meta da Selic é definida por votação dos diretores que integram o Comitê de Política Monetária do Banco Central.

Por que o Copom mantém cautela?

O comitê considera a inflação ainda acima da meta e condiciona novos cortes aos dados econômicos e ao cenário de riscos.

Fontes