Lula envia ao Congresso PEC da tarifa zero
Proposta reserva parte das emendas parlamentares para financiar transporte gratuito aos fins de semana e feriados a partir de 2027.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso nesta quarta-feira, 21 de outubro, uma proposta de emenda à Constituição que reserva recursos de emendas parlamentares para custear transporte público gratuito aos fins de semana e feriados. A regra orçamentária começaria a produzir efeitos em 2027, caso a PEC seja aprovada.
A Revista Oeste noticiou o envio da proposta, e a Agência Brasil confirmou os percentuais, o calendário e o mecanismo de financiamento informados pelo governo. Segundo a comunicação oficial, a gratuidade alcançaria serviços coletivos urbanos e de caráter urbano administrados por estados, municípios e pelo Distrito Federal.
O texto determina que pelo menos 26,8% do valor anual das emendas individuais e de bancada de execução obrigatória seja destinado ao programa. Recursos vinculados à saúde ficam preservados. A União transferiria o dinheiro aos entes responsáveis pelo transporte, mas a operação concreta dependeria da adesão e da estrutura de cada sistema local.
Financiamento depende do Congresso
O Projeto de Lei Orçamentária de 2027 prevê R$ 44,8 bilhões em emendas impositivas. Aplicado o percentual da PEC, cerca de R$ 12 bilhões seriam separados para a tarifa zero. O governo sustenta que a mudança não aumenta a despesa primária porque apenas redireciona recursos já previstos na Constituição.
Essa justificativa não elimina a disputa política. Deputados e senadores teriam menos liberdade para indicar parte das emendas, instrumento usado para financiar obras e serviços nas bases eleitorais. O presidente da Câmara, Hugo Motta, declarou apoio ao objetivo da gratuidade, mas defendeu outra fonte de custeio, segundo o UOL.
Como toda emenda constitucional, a proposta precisa obter três quintos dos votos em dois turnos na Câmara e repetir o mesmo quórum no Senado. O envio pelo Executivo, portanto, não cria a gratuidade imediatamente. O Congresso ainda pode rejeitar, alterar ou estabelecer condições para a transferência dos recursos.
Calendário eleitoral amplia cobrança
Lula havia anunciado a iniciativa em 15 de outubro, relacionando-a ao fim da escala de trabalho 6x1. O texto foi protocolado quatro dias antes do segundo turno presidencial. A proximidade da votação dá apelo eleitoral à medida e torna necessário separar promessa de campanha, regra constitucional e serviço efetivamente disponível.
O governo afirma que o transporte gratuito pode ampliar o acesso a trabalho, saúde, cultura, lazer e convívio familiar. A oposição contesta a origem dos recursos e acusa o Planalto de apresentar uma medida popular sem consenso legislativo. Nenhuma das duas posições resolve, sozinha, a execução: será preciso definir repartição, fiscalização e cobertura em cidades com redes muito diferentes.
A mesma régua deve valer para os dois lados. O Executivo precisa demonstrar que R$ 12 bilhões bastam e que o redirecionamento não prejudica políticas financiadas por emendas. Parlamentares contrários, por sua vez, devem indicar de onde viria o dinheiro caso rejeitem o modelo sem abandonar o objetivo da gratuidade.
O fato concreto desta quarta-feira é o envio da PEC, não a implantação da tarifa zero. A proposta abre uma negociação entre Planalto, Congresso e governos locais. Até a aprovação e a regulamentação, usuários continuam sujeitos às regras tarifárias vigentes em cada cidade.
Em resumo
Transporte público coletivo gratuito aos fins de semana e feriados, financiado com parte das emendas parlamentares impositivas.
O governo estima cerca de R$ 12 bilhões, equivalentes a 26,8% das emendas individuais e de bancada previstas para 2027.
Não. A PEC ainda precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado, com apoio de três quintos em cada Casa.
Os dispositivos de financiamento foram desenhados para produzir efeitos a partir do Orçamento de 2027.
O texto preserva os recursos constitucionalmente destinados a ações e serviços públicos de saúde.