Lula mira Centrão para montar ministério e negociar apoio de Congresso mais à direita
Partidos que apoiaram Flávio já discutem espaço no novo governo; presidente deve privilegiar alas regionais aliadas, sem garantia de apoio integral das bancadas

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial abriu uma nova rodada de negociações entre o Centrão e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar de terem apoiado o senador no segundo turno,
Apesar de terem apoiado o senador no segundo turno, integrantes de partidos como PP, Republicanos e União Brasil já avaliam a possibilidade de ocupar ministérios a partir de 2027.
O presidente, por sua vez, precisará ampliar sua base política para enfrentar um Congresso mais alinhado à direita.
A articulação deve ocorrer de forma fragmentada, com espaço para grupos regionais e lideranças que apoiaram Lula durante a campanha, mesmo quando suas direções nacionais seguiram outro caminho.
Avaliação de dirigentes ouvidos pela Folha de S
A avaliação de dirigentes ouvidos pela Folha de S.Paulo é que o governo poderá atrair parcelas dessas legendas, sem conseguir comprometer todos os seus deputados e senadores com a agenda do Planalto.
O pleito do senador não encontra eco em partidos do centro, que se apressaram a parabenizar Lula após a vitória
A conta considera a vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025, e as aposentadorias compulsórias de três ministros que completarão 75 anos no período
Essa divisão ficou evidente durante a eleição. Enquanto a maior parte do Centrão se aproximou de Flávio após o primeiro turno, diretórios estaduais mantiveram alianças com Lula.
Agora, essas lideranças buscam transformar a participação na campanha em influência na composição ministerial.
O movimento ganha importância diante do novo tamanho da oposição. O PL terá 121 deputados federais e 28 senadores a partir de fevereiro, tornando-se a maior bancada das duas Casas.
Na Câmara, o PT contará com 70 parlamentares, enquanto a federação formada com PCdoB e PV terá 88 cadeiras.
Somados, PSD, União Brasil, PP e Republicanos terão 171 deputados. O tamanho dessas bancadas amplia o peso das negociações com o centro na aprovação de projetos, especialmente os que exigem quóruns elevados.
Os diretórios que apoiaram Lula nas regiões Norte e Nordeste aparecem entre os grupos com maior proximidade do governo.
No MDB, as alas do Amazonas, Pará e Alagoas mantêm interlocução com o Planalto. A legenda também conserva influência no Senado, onde será importante para votações de indicações ao Supremo Tribunal Federal e outras decisões que dependem de maioria absoluta.
O PSD, presidido por Gilberto Kassab, também está entre os partidos que avaliam ampliar sua participação.
A sigla manteve neutralidade formal no segundo turno, embora integrantes de diferentes estados tenham declarado apoio aos candidatos. A ala da Bahia, alinhada ao presidente, está entre as que podem ganhar espaço.
No PP e no Republicanos, as articulações passam principalmente pela Paraíba, onde lideranças regionais participaram da campanha petista.
A estratégia de Lula deverá considerar essas diferenças internas. A nomeação de representantes de um partido para o ministério pode assegurar apoio de um grupo específico, mas não necessariamente produzir votos favoráveis de toda a bancada em Brasília.
O deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), que comandou o Ministério de Portos e Aeroportos, é citado nas articulações para assumir a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pelo diálogo político com o Congresso.
Outro nome considerado é o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que pode representar a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, na Esplanada. Ainda não há definição sobre uma eventual pasta.
As negociações também envolvem o núcleo político do próprio presidente. Camilo Santana (PT-CE), que participou da coordenação da campanha, é mencionado para a Casa Civil ou para a articulação política.
Em resumo
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial abriu uma nova rodada de negociações entre o Centrão e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar de terem apoiado o senador no segundo turno, integrantes de partidos como PP, Republicanos e União Brasil já avaliam a possibilidade de ocupar ministérios a partir de 2027. O presidente, por sua vez, precisará ampliar sua base política para enfrentar um Congresso mais alinhado à direita.
A articulação deve ocorrer de forma fragmentada, com espaço para grupos regionais e lideranças que apoiaram Lula durante a campanha, mesmo quando suas direções nacionais seguiram outro caminho. A avaliação de dirigentes ouvidos pela Folha de S.Paulo é que o governo poderá atrair parcelas dessas legendas, sem conseguir comprometer todos os seus deputados e se
O pleito do senador não encontra eco em partidos do centro, que se apressaram a parabenizar Lula após a vitória
A conta considera a vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025, e as aposentadorias compulsórias de três ministros que completarão 75 anos no período