Lula, Motta e Alcolumbre reabrem canal político e destravam pautas antes das eleições
Aproximação do Planalto com os presidentes da Câmara e do Senado tem efeito imediato sobre votações e também repercute nas alianças estaduais para 2026.
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Almoço no Palácio da Alvorada foi seguido por compromissos públicos de avanço da MP das compras internacionais e de discussões sobre a escala 6x1.
A relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, voltou a produzir efeitos concretos na pauta legislativa às vésperas do período mais intenso da campanha eleitoral. Depois de meses marcados por atritos e negociações fragmentadas, os três retomaram um canal direto e passaram a alinhar propostas que o governo considera prioritárias.
O movimento ganhou forma após um almoço no Palácio da Alvorada em 26 de agosto. Ao sair do encontro, Motta afirmou que o Congresso deveria votar a medida provisória que altera a tributação de compras internacionais de até US$ 50. O tema integra um conjunto de matérias que o Legislativo pretende analisar no esforço concentrado antes das eleições.
Pauta econômica e trabalhista
Entre os assuntos colocados na mesa estão a chamada “taxa das blusinhas” e a proposta que altera a jornada de trabalho associada à escala 6x1. A tramitação de cada matéria segue regras próprias e nenhum entendimento político entre presidentes dos Poderes substitui a votação das comissões e dos plenários.
A MP das compras internacionais tem prazo de validade e, por isso, carrega pressão adicional por deliberação. Já mudanças constitucionais sobre jornada de trabalho exigem quórum qualificado e votação em dois turnos nas Casas competentes.
Reaproximação tem dimensão eleitoral
Além da agenda imediata, a relação entre Planalto, Câmara e Senado é influenciada pelas disputas nos estados. Presidentes das Casas possuem redes próprias de aliados e interesse na formação do Congresso que tomará posse em 2027. Lula, por sua vez, disputa a reeleição e precisa reduzir resistência parlamentar para apresentar resultados antes do primeiro turno.
Isso não significa que Motta e Alcolumbre tenham aderido automaticamente à estratégia eleitoral do presidente. Ambos comandam Casas plurais, com bancadas governistas, de oposição e partidos de centro. A capacidade de pautar uma matéria também não garante aprovação.
Congresso entra em esforço concentrado
O calendário eleitoral reduz o número de semanas de votação presencial em Brasília. Deputados e senadores passam mais tempo nos estados, e lideranças concentram deliberações em janelas específicas. Nesse ambiente, acordos prévios entre os presidentes da República, da Câmara e do Senado ganham valor operacional.
A Câmara confirmou publicamente a intenção de votar a matéria das compras internacionais. Outros temas podem avançar, mas dependem da construção de maioria e da reação da oposição. Propostas com impacto fiscal ou trabalhista também enfrentam pressão de setores econômicos e entidades representativas.
Relação seguirá sendo testada
A reaproximação será medida pelo que efetivamente passar no Congresso. Um almoço e declarações públicas indicam disposição para negociação, mas o resultado depende de votos, emendas e acordos entre líderes partidários.
Para 2027, a composição das duas Casas pode alterar novamente esse equilíbrio. Por isso, a aproximação atual tem dois relógios funcionando ao mesmo tempo: o da pauta legislativa que precisa ser resolvida agora e o das alianças que definirão o poder no próximo Congresso.
Fontes consultadas: g1, publicação que originou a pauta; Câmara dos Deputados; UOL; Folha de S.Paulo.