Economia · 2026-10-27 · Redação Notícia ES

Lula não liga gasto público aos juros altos, avalia Samuel Pessôa

Ao WW, Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e do Ibre-FGV, afirma que mercado antecipou problemas ao perceber que Lula não associa gastos obrigatórios crescentes aos juros elevados no Brasil

Lula não liga gasto público aos juros altos, avalia Samuel Pessôa
Lula não liga gasto público aos juros altos, avalia Samuel Pessôa

Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e do Ibre-FGV, avaliou ao WW , que a queda da bolsa e o aumento do dólar registrados na segunda-feira (26) refletem uma antecipação do mercado financeiro diante de preocupações estruturais com a política fiscal brasileira.

Problema central está no ritmo de crescimento do gasto

Segundo ele, o problema central está no ritmo de crescimento do gasto público primário.

O pesquisador explicou que o gasto obrigatório do governo cresce, por força de regras de indexação, a uma velocidade maior do que o crescimento da economia.

"Se todo ano o gasto primário precisa crescer, por questões de regras, a uma velocidade maior do que a base material que sustenta o Estado brasileiro, isso pressiona a base material, gera uma pressão inflacionária e, consequentemente, obriga que nós tenhamos juros elevados", afirmou Pessôa.

Para o pesquisador, a solução passa por estabelecer regras

Para o pesquisador, a solução passa por estabelecer regras que permitam ao gasto primário crescer na mesma velocidade da economia. No entanto, ele reconheceu que essa negociação política ainda não foi alcançada.

"Isso a gente não consegue politicamente digerir entre nós, negociar entre nós, e esse é o problema", disse.

Pessôa acrescentou que a situação é agravada pelo fato de que, aparentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não compartilha desse diagnóstico.

Segundo o pesquisador, Lula parece atribuir os juros elevados a pressões externas, como as da Faria Lima, sem estabelecer a conexão com o crescimento dos gastos públicos.

"Parece que o presidente Lula não faz uma ligação entre o crescimento do gasto primário do governo central a uma velocidade maior do que o crescimento da economia e os juros elevados", afirmou.

Para Pessôa, essa falta de clareza sobre as causas dos juros altos gera preocupação, pois sinaliza dificuldades à frente.

"Como ele não faz esse vínculo, a gente tem uma liderança que não tem muita clareza nos motivos dos juros serem elevados no Brasil. Isso gera uma preocupação, porque sinaliza que teremos problemas à frente e os mercados acabam antecipando", concluiu o pesquisador.

Lula não entende por que os juros são elevados no Brasil, diz Samuel Pessôa | WW

Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e do Ibre-FGV, avaliou ao WW , que a queda da bolsa e o aumento do dólar registrados na segunda-feira (26) refletem uma antecipação do mercado financeiro diante de preocupações estruturais com a política fiscal brasileira.

Segundo ele, o problema central está no ritmo de crescimento do gasto público primário.

O diagnóstico fiscal O pesquisador explicou que o gasto obrigatório do governo cresce, por força de regras de indexação, a uma velocidade maior do que o crescimento da economia. Leia Mais:

Em resumo

O que aconteceu?

Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e do Ibre-FGV, avaliou ao WW , que a queda da bolsa e o aumento do dólar registrados na segunda-feira (26) refletem uma antecipação do mercado financeiro diante de preocupações estruturais com a política fiscal brasileira.

Qual é o ponto principal?

Segundo ele, o problema central está no ritmo de crescimento do gasto público primário.

Quais são os dados mais importantes?

O pesquisador explicou que o gasto obrigatório do governo cresce, por força de regras de indexação, a uma velocidade maior do que o crescimento da economia.

Qual é o contexto?

"Se todo ano o gasto primário precisa crescer, por questões de regras, a uma velocidade maior do que a base material que sustenta o Estado brasileiro, isso pressiona a base material, gera uma pressão inflacionária e, consequentemente, obriga que nós tenhamos juros elevados", afirmou Pessôa.

Quais são os próximos desdobramentos?

Para o pesquisador, a solução passa por estabelecer regras que permitam ao gasto primário crescer na mesma velocidade da economia. No entanto, ele reconheceu que essa negociação política ainda não foi alcançada.

Fontes