Política Nacional · 2026-09-20 · Redação Notícia ES

Lula viaja a Nova York para abrir Assembleia da ONU; discurso será na terça

Presidente embarca neste domingo, terá agenda curta nos Estados Unidos e fará a primeira fala de chefe de Estado no debate geral em 22 de setembro.

Lula viaja a Nova York para abrir Assembleia da ONU; discurso será na terça
Lula discursa na Assembleia Geral da ONU em setembro de 2025. Foto: Reuters.

BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo, 20 de setembro, para Nova York, onde abrirá na terça-feira, 22, o debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. A viagem terá agenda concentrada: a chegada está prevista para este domingo, a segunda-feira será dedicada à preparação do discurso e a reuniões, e o retorno ao Brasil deverá ocorrer logo depois da fala na sede da ONU. O compromisso reúne líderes em meio às guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, ao debate sobre inteligência artificial e à crise financeira da organização.

Lula será o primeiro chefe de Estado a discursar, depois das manifestações do secretário-geral da ONU, António Guterres, e do presidente da Assembleia, Khalilur Rahman, ministro das Relações Exteriores de Bangladesh. A precedência brasileira no debate geral é uma tradição mantida desde 1955. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falará na sequência, mas não havia, até a preparação desta reportagem, confirmação de uma reunião bilateral entre os dois.

Segundo a agenda informada pelo governo à imprensa, Lula deverá encontrar na segunda-feira o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e manter um contato breve com Guterres. A diplomacia brasileira recebeu mais de 30 pedidos de reuniões bilaterais, porém a curta permanência do presidente e as exigências de deslocamento e segurança devem limitar o número de encontros. Os compromissos efetivamente confirmados ainda podem ser ajustados.

Discurso deve defender multilateralismo

O texto final do pronunciamento ainda estava em elaboração. A expectativa registrada pelo G1 e pelo UOL é que Lula volte a defender o multilateralismo, negociações de paz, respeito ao direito humanitário e a não interferência no território de outros países. Também são esperadas referências ao combate ao crime organizado, à agenda ambiental e à necessidade de regras internacionais para a inteligência artificial. Esses pontos são linhas previstas pela diplomacia, e não antecipação literal do discurso.

A reforma do Conselho de Segurança tende a reaparecer. O Brasil reivindica há décadas uma composição mais representativa do cenário internacional contemporâneo e uma vaga permanente para o país. Lula também costuma sustentar que conflitos como os de Gaza e da Ucrânia exigem negociação política e fortalecimento das instituições multilaterais, posição que será observada diante das divisões entre as grandes potências.

A Reuters informou que quase 130 chefes de Estado ou de governo são esperados em Nova York. Além dos conflitos armados, a programação de alto nível inclui reuniões do Conselho de Segurança sobre Ucrânia, Oriente Médio e inteligência artificial. O encontro ocorre enquanto a ONU enfrenta restrições orçamentárias e questionamentos sobre sua capacidade de produzir decisões efetivas, tema que dá peso adicional ao lema da sessão: restaurar a confiança e administrar transformações para que a organização entregue resultados para todos.

Trump falará logo depois

A sequência de discursos colocará Lula e Trump no mesmo plenário em um intervalo curto. Fontes ouvidas pelos veículos consultados mencionam a possibilidade de um contato informal nos corredores, mas não há audiência formal anunciada. Por isso, qualquer interação deve ser tratada como eventual até que ocorra ou seja incluída oficialmente na agenda.

O governo brasileiro chega à Assembleia com a intenção de defender cooperação internacional contra o crime organizado sem ações que violem a soberania territorial. A agenda também ocorre sob impacto de disputas comerciais e tarifárias. De acordo com o UOL, auxiliares veem o pronunciamento como oportunidade para reiterar respeito às eleições e às regras multilaterais, sem transformar a tribuna em resposta dirigida exclusivamente a Washington.

A presença internacional também será marcada por ausências importantes. Xi Jinping e Vladimir Putin não devem comparecer, e China e Rússia serão representadas por outras autoridades. A Assembleia concentra, apesar disso, 81 chefes de Estado e 50 chefes de governo, segundo levantamento divulgado pelo UOL. O debate geral está previsto para ocorrer entre 22 e 28 de setembro.

Delegação permanece após retorno de Lula

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deverá permanecer em Nova York durante a semana, mesmo depois da volta de Lula. Outros integrantes da delegação brasileira participarão de reuniões sobre a Palestina, clima, desenvolvimento e governança tecnológica. A continuidade da agenda permite ao Itamaraty conduzir conversas bilaterais que não caberão no período reservado ao presidente.

A 81ª sessão da Assembleia Geral foi aberta oficialmente em 8 de setembro de 2026 e seguirá até setembro de 2027. O debate desta semana é a etapa de maior visibilidade, mas não encerra as negociações. Resoluções, comissões e reuniões temáticas continuarão ao longo da sessão, e boa parte das propostas defendidas na tribuna dependerá de articulação posterior entre as delegações.

Próximos passos

O primeiro ponto verificável será a divulgação da agenda definitiva de segunda-feira, incluindo quais pedidos de reunião foram aceitos. Na terça, a atenção estará voltada ao conteúdo final do discurso e a eventuais encontros de corredor. Somente depois da fala será possível comparar os temas esperados com as prioridades efetivamente apresentadas por Lula.

Após o retorno do presidente, o Itamaraty deverá dar sequência aos contatos em Nova York e detalhar resultados das reuniões. O alcance político da viagem dependerá menos do número de compromissos e mais de avanços concretos em temas como reforma institucional, conflitos, clima e cooperação contra o crime. Até lá, a única interação confirmada de Lula no plenário é sua posição tradicional como primeiro chefe de Estado a falar no debate geral.

Em resumo

Quando Lula discursará na Assembleia Geral da ONU?

A fala está prevista para terça-feira, 22 de setembro de 2026, na abertura do debate geral da 81ª sessão.

Por que o presidente do Brasil fala primeiro na ONU?

O Brasil abre os discursos de chefes de Estado por uma tradição diplomática mantida no debate geral desde 1955.

Lula terá reunião com Donald Trump?

Não há reunião bilateral confirmada. Um contato informal é possível, mas só poderá ser considerado fato se ocorrer ou entrar na agenda oficial.

Quais temas Lula deve abordar no discurso?

São esperados multilateralismo, negociações de paz, soberania, direito humanitário, combate ao crime organizado, meio ambiente e inteligência artificial.

Quanto tempo Lula ficará em Nova York?

A agenda presidencial é curta: ele chega no domingo, prepara o discurso e se reúne na segunda, fala na terça e deve retornar ao Brasil depois.

Quem continuará a agenda brasileira na ONU?

O chanceler Mauro Vieira e outros integrantes da delegação deverão permanecer em Nova York para reuniões ao longo da semana.