Política Nacional · 2026-10-14 · Redação Notícia ES

Lula promete Pé-de-Meia universitário em eventual novo governo

Proposta eleitoral prevê R$ 700 por dez meses e depósitos anuais de R$ 2,5 mil; campanha estima custo inicial de R$ 4,6 bilhões.

Lula promete Pé-de-Meia universitário em eventual novo governo
Lula promete Pé-de-Meia universitário em eventual novo governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, prometeu nesta terça-feira (13) criar uma versão universitária do programa Pé-de-Meia caso permaneça no governo em 2027. A proposta prevê pagamentos mensais e uma poupança liberada ao fim da graduação.

A Agência Brasil registrou o anúncio feito em vídeo publicado nas redes sociais de Lula. O UOL acrescentou que a campanha prevê R$ 700 por mês durante dez meses e depósitos de R$ 2,5 mil ao final de cada ano, com custo inicial estimado em R$ 4,6 bilhões.

Em um curso de quatro anos, os depósitos anuais somariam R$ 10 mil para o estudante iniciar a vida profissional depois da formatura. O pagamento mensal alcançaria R$ 7 mil por ano letivo, mas as regras definitivas ainda dependeriam de norma específica, disponibilidade orçamentária e critérios de seleção.

Benefício miraria baixa renda

Segundo Camilo Santana, coordenador da campanha de Lula e ex-ministro da Educação, a primeira etapa incluiria alunos de universidades públicas e bolsistas do Programa Universidade para Todos. A informação divulgada pelo UOL indica foco em estudantes com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa.

A proposta amplia uma marca social criada no atual mandato. O Pé-de-Meia começou em 2024 com estudantes do ensino médio público inscritos no Cadastro Único, oferecendo incentivo de frequência e parcelas vinculadas à conclusão de cada etapa escolar.

Em 2025, o governo lançou uma modalidade para cursos de licenciatura. Nesse programa, a bolsa mensal também chega a R$ 700, mas parte do valor fica vinculada ao ingresso do beneficiário na rede pública de ensino. A promessa anunciada agora é mais abrangente e não se limita à formação de professores.

A campanha informou que o financiamento inicial sairia do Fundo Social do Petróleo e da reorganização de bolsas de permanência existentes. Essa origem precisa ser detalhada em projeto e orçamento, porque um anúncio eleitoral não cria sozinho a despesa nem autoriza pagamentos.

Custo exige previsão orçamentária

A estimativa inicial de R$ 4,6 bilhões considera cerca de 485 mil estudantes. O alcance e o custo podem aumentar se o programa for estendido a um contingente maior de universitários de baixa renda, o que exigirá definição clara sobre vagas, duração, acúmulo de benefícios e fonte permanente de recursos.

O anúncio ocorreu a 12 dias do segundo turno e integra a estratégia de Lula para mobilizar o eleitorado jovem. A proposta deve ser tratada como compromisso de campanha, não como benefício já aprovado. Até o momento, não há calendário de inscrições nem pagamentos autorizados para essa nova modalidade.

Para o estudante, o desenho anunciado combina renda mensal para permanência e reserva financeira após a conclusão. Para o governo, o desafio será demonstrar como o gasto caberá no orçamento sem depender de estimativas excessivamente otimistas de receitas do petróleo.

O debate público deverá comparar a promessa com as prioridades fiscais do próximo mandato e com políticas já existentes de assistência estudantil. A medida pode reduzir evasão entre alunos vulneráveis, mas sua execução dependerá de lei, critérios transparentes, controle de frequência e financiamento capaz de durar além do período eleitoral.

Em resumo

O que Lula prometeu para universitários?

Ele anunciou uma versão do Pé-de-Meia com pagamento mensal e poupança ao final do curso.

Qual seria o valor mensal?

A proposta prevê R$ 700 por mês durante dez meses de cada ano letivo.

Quanto seria depositado ao fim do curso?

Os depósitos anuais de R$ 2,5 mil somariam R$ 10 mil em uma graduação de quatro anos.

Quem poderia receber o benefício?

A etapa inicial miraria estudantes de universidades públicas e bolsistas do Prouni com baixa renda.

O programa universitário já está valendo?

Não. Trata-se de uma promessa eleitoral que ainda dependeria de lei, orçamento e regulamentação.

Fontes