Política Nacional · 2026-10-19 · Redação Notícia ES

Lula propõe tarifa zero com verba de emendas

Presidente promete enviar ao Congresso uma PEC para transporte gratuito nos fins de semana, financiada por emendas parlamentares.

Lula propõe tarifa zero com verba de emendas
Lula propõe tarifa zero com verba de emendas

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (19) que enviará ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição para oferecer transporte coletivo gratuito nos fins de semana e feriados. Segundo ele, o financiamento viria de emendas parlamentares.

A Jovem Pan registrou a declaração durante entrevista ao SBT e informou que a equipe governista calcula custo anual entre R$ 8 bilhões e R$ 12 bilhões. Folha e UOL também confirmaram a promessa e a indicação das emendas como fonte dos recursos.

Até o anúncio, o texto da PEC ainda não havia sido apresentado ao Congresso. Sem a redação formal, não é possível saber quais sistemas de transporte seriam abrangidos, como os valores seriam distribuídos nem quais emendas sofreriam redirecionamento.

Financiamento depende do Congresso

As emendas são parcelas do Orçamento cuja destinação é indicada por deputados e senadores. Usá-las no transporte não elimina o custo público: significa retirar ou deixar de direcionar recursos a outras finalidades, como saúde, obras locais e assistência, para financiar a nova política.

Lula sustentou que a medida não criaria impacto fiscal adicional porque utilizaria despesas já previstas. A afirmação depende do desenho orçamentário, pois a gratuidade exige repasses regulares a prefeituras, governos ou operadores, enquanto as emendas podem variar de acordo com o ano e com a execução do Orçamento.

A proposta também exigirá apoio político expressivo. Uma emenda constitucional precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado, com votos de três quintos dos integrantes de cada Casa. O presidente reconheceu que haverá disputa com o Legislativo pelo destino das verbas.

Outro ponto ainda indefinido é o critério de divisão. Sistemas com mais passageiros têm custos maiores, mas cidades pequenas dependem proporcionalmente mais de subsídios. Sem uma fórmula pública, o repasse pode abrir nova disputa entre municípios e bancadas.

Anúncio ocorre na reta final

A promessa foi reiterada a seis dias do segundo turno presidencial. A proximidade da votação torna indispensável separar anúncio de campanha, proposta legislativa e política efetivamente financiada, sobretudo quando a execução depende de parlamentares que não participaram da formulação inicial.

O presidente relacionou a tarifa zero à recente mudança constitucional que reduziu a jornada semanal e assegurou dois dias de descanso sem corte salarial. Na visão apresentada por Lula, o passe gratuito permitiria que trabalhadores usassem a folga para lazer e visitas familiares.

A conexão política entre as duas medidas não resolve as questões práticas do transporte. Municípios e estados são responsáveis por grande parte dos sistemas, têm contratos diferentes e precisariam calcular compensações para manter frota, frequência e qualidade sem cobrança do passageiro.

A fiscalização também será relevante. Transferências vinculadas a emendas precisam permitir rastreamento dos valores, metas de serviço e prestação de contas, evitando que o subsídio cubra ineficiência sem melhorar a oferta aos usuários.

Antes de qualquer implementação, o governo terá de divulgar o texto, a memória de cálculo e a fonte exata de cada parcela. Só então será possível avaliar se a proposta é nacional, sustentável e compatível com outras despesas obrigatórias — ou se permanece como promessa eleitoral sem arranjo financeiro definido.

Em resumo

O que Lula propôs?

Uma PEC para tornar gratuito o transporte coletivo nos fins de semana e feriados.

De onde viria o dinheiro?

Segundo o presidente, o financiamento usaria recursos de emendas parlamentares.

Qual seria o custo?

A estimativa divulgada pela equipe governista varia entre R$ 8 bilhões e R$ 12 bilhões por ano.

A medida já está aprovada?

Não. O texto ainda precisa ser apresentado e obter três quintos dos votos em dois turnos nas duas Casas.

A proposta não teria impacto fiscal?

O governo afirma que usaria despesa já prevista, mas haverá custo de oportunidade e necessidade de repasses regulares.

Fontes