Lula quer nomes de peso e exige fidelidade de aliados no novo governo
Lula quer cobrar lealdade de aliados, redesenha o primeiro escalão e coloca Alcolumbre à prova na disputa pela indicação ao STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende mudar o perfil da composição ministerial para o próximo mandato.
O contexto da decisão judicial
Além de ampliar a presença de partidos de centro na Esplanada, o petista quer atrair nomes de peso de diferentes campos políticos e estabelecer uma condição para os aliados que ocuparem cargos no governo: compromisso com as pautas do Planalto no Congresso Nacional.
Interlocutores ouvidos pela coluna afirmam que Lula tem transmitido um recado direto aos aliados: o espaço no governo deverá estar acompanhado de lealdade política.
A avaliação do presidente é que não há mais espaço para partidos que participam da administração federal, mas deixam de apoiar o governo em votações consideradas estratégicas.
Detalhes e consequências do caso
A montagem da equipe já envolve pelo menos 13 nomes. O PSD, presidido por Gilberto Kassab, está entre os primeiros partidos a se movimentar nas articulações.
Kassab já procurou o Planalto para negociar espaços na Esplanada. Embora não tenha sido recebido pessoalmente por Lula, o dirigente iniciou as conversas sobre a participação da sigla no próximo governo.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco estão entre os nomes mencionados para ocupar postos de primeiro escalão. Pacheco também é citado nas conversas como uma possibilidade para o Supremo Tribunal Federal.
Lula pretende reapresentar ainda neste ano o nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), apesar da rejeição anterior pelo Senado.
A insistência no indicado também será um teste para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP): o governo quer avaliar se ele ainda tem força para articular os votos necessários à aprovação.
Segundo interlocutores, o apoio do Planalto à permanência de Alcolumbre no comando da Casa em 2027 dependerá de sua capacidade de viabilizar a indicação.
A pressa tem relação com a expectativa de que a nova composição do Senado, no próximo ano, torne mais difícil a aprovação de nomes do governo.
Uma das principais mudanças em estudo envolve o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Lula pretende colocá-lo no Ministério da Fazenda, movimento que teria como objetivo transmitir um sinal de compromisso com a responsabilidade fiscal e melhorar a interlocução do governo com o mercado financeiro.
A possível escolha de Alckmin também reforçaria o papel político do vice no novo mandato. Já Fernando Haddad, que comandou a Fazenda, é cotado para assumir o Ministério da Educação.
O desenho em discussão inclui ainda Camilo Santana (PT) na Casa Civil e Silvio Costa Filho (Republicanos), na Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política com o Congresso.
Para o Ministério da Agricultura, o nome cotado é o do atual ministro Carlos Fávaro (PSD), que poderá permanecer à frente da pasta.
Outra frente da montagem ministerial é a tentativa de atrair personalidades com reconhecimento em suas áreas de atuação, inclusive nomes que não estiveram alinhados ao PT nas últimas disputas eleitorais.
Entre as possibilidades mencionadas estão o promotor Lincoln Gakiya para a futura pasta da Segurança Pública e o cineasta Walter Salles, vencedor do Oscar, para o Ministério da Cultura.
O deputado André Janones (Rede-MG) também deverá ter espaço na estrutura política do governo.
A ideia é que ele atue como conselheiro para assuntos relacionados à internet, com trânsito livre em diferentes áreas do Executivo, além de exercer papel importante na articulação com a Câmara dos Deputados.
A estratégia de Lula é ampliar a composição política sem abrir mão do controle sobre a agenda governista.
O presidente pretende governar também para setores que não apoiaram sua candidatura, mas espera que os partidos e representantes contemplados com cargos assumam compromisso com a sustentação do governo.
A formação da nova Esplanada, portanto, não se resume à distribuição de ministérios entre partidos.
Lula quer combinar nomes de confiança, quadros técnicos e representantes de diferentes correntes políticas, mas com uma exigência que pretende fazer valer desde o início do mandato: ocupar espaço no governo significa assumir compromisso com o governo.
Articulação ministerial: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende ampliar a presença de partidos de centro na Esplanada, buscando nomes fora da esquerda e vinculando cargos ao apoio a pautas do governo; Possíveis nomes: o Metrópoles apurou que Geraldo Alckmin é cotado para a Fazenda, Fernando Haddad para a Educação e Rodrigo Pacheco é considerado para a pasta das Relações Exteriores ou uma vaga no STF; Outras movimentações: Camilo Santana, Silvio Costa Filho, Carlos Fávaro, Lincoln Gakiya, Walter Salles e André Janones são mencionados em conversas sobre a nova estrutura ministerial.
Em resumo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende mudar o perfil da composição ministerial para o próximo mandato.
Interlocutores ouvidos pela coluna afirmam que Lula tem transmitido um recado direto aos aliados: o espaço no governo deverá estar acompanhado de lealdade política. A avaliação do presidente é que não há mais espaço para partidos que participam da administração federal, mas deixam de apoiar o governo em votações consideradas estratégicas.
A montagem da equipe já envolve pelo menos 13 nomes. O PSD, presidido por Gilberto Kassab, está entre os primeiros partidos a se movimentar nas articulações. Kassab já procurou o Planalto para negociar espaços na Esplanada. Embora não tenha sido recebido pessoalmente por Lula, o dirigente iniciou as conversas sobre a participação da sigla no próximo governo.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco estão entre os nomes mencionados para ocupar postos de primeiro escalão. Pacheco também é citado nas conversas como uma possibilidade para o Supremo Tribunal Federal.
Lula pretende reapresentar ainda neste ano o nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), apesar da rejeição anterior pelo Senado. A insistência no indicado também será um teste para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP): o governo quer avaliar se ele ainda tem força para articular os votos necessários à aprovação.