Lula retoma campanha em Ceilândia com foco na escala 6x1
Presidente iniciou as agendas de rua do segundo turno no Distrito Federal, defendeu o fim da escala 6x1 e atacou o grupo de Flávio Bolsonaro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, retomou nesta sexta-feira (9) as agendas de rua do segundo turno com um ato em Ceilândia, no Distrito Federal. No discurso, defendeu o fim da escala de trabalho 6x1 e fez ataques políticos ao grupo do adversário Flávio Bolsonaro.
A Agência Brasil registrou o ato e as declarações do candidato. O Notícia ES conferiu a agenda e os principais pontos do discurso em reportagem do UOL, que também identificou Ceilândia como uma área onde Lula perdeu para a direita no primeiro turno.
Escala 6x1 domina o ato
Lula apresentou a redução da jornada como a principal bandeira da mobilização. Disse que a proposta busca garantir cinco dias de trabalho e dois de descanso, em substituição ao regime de seis dias trabalhados para apenas um de folga. A mudança depende de uma proposta de emenda à Constituição em discussão no Congresso.
O presidente participou de caminhada e carreata acompanhado da primeira-dama Janja, do candidato petista ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass, e da candidata a vice-governadora Dora Gomes. Grass disputa o segundo turno contra a governadora Celina Leão, do PP.
Segundo o UOL, Lula perdeu por mais de 40 mil votos em Ceilândia no primeiro turno. A escolha da região para a primeira agenda pública da nova fase da campanha indica uma tentativa de buscar eleitores fora das áreas em que o presidente teve melhor desempenho. Aliados também defendem a mobilização de quem não compareceu às urnas.
Durante o ato, Lula afirmou que pretende ampliar sua presença em debates, programas de televisão e redes sociais. Também confirmou viagem a Natal neste sábado (10), mantendo uma sequência de compromissos públicos no início do segundo turno.
Disputa incorpora caso Master
O candidato associou adversários ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e afirmou que o país não deveria ser governado por pessoas ligadas ao Banco Master. A frase foi um ataque de campanha e não uma conclusão judicial. Investigações e versões sobre as relações políticas de Vorcaro são objeto de disputa entre os dois campos presidenciais.
Na mesma fala, Lula usou os termos “fascismo” e “assassinos da pandemia” para marcar contraste com o bolsonarismo. Também apresentou a defesa da soberania nacional como eixo eleitoral, contrapondo a bandeira brasileira a referências políticas aos Estados Unidos.
A campanha de Flávio Bolsonaro contesta as acusações e também procura vincular integrantes do governo e pessoas próximas ao presidente ao caso Master. Reportagens publicadas nesta semana mostram que as duas campanhas passaram a explorar episódios diferentes da investigação, tornando o escândalo financeiro um dos temas centrais do segundo turno.
O ato de Ceilândia reuniu, portanto, três frentes da estratégia petista: uma proposta trabalhista, ataques sobre corrupção e um discurso de soberania. O efeito eleitoral dessas mensagens só poderá ser medido nas próximas pesquisas e, de forma definitiva, na votação marcada para 25 de outubro.
Em resumo
Em Ceilândia, no Distrito Federal, nesta sexta-feira, 9 de outubro.
O fim da escala 6x1, com a defesa de cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Janja, Leandro Grass, Dora Gomes e outros aliados participaram da agenda.
Lula perdeu na região no primeiro turno e tenta avançar em uma área de força da direita.
A votação está marcada para 25 de outubro de 2026.