Política Nacional · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Lula reúne empresários e banqueiros no Alvorada em meio à campanha presidencial

Jantar reuniu 16 nomes do setor privado, ministros e dirigentes de bancos públicos; encontro tratou de juros, responsabilidade fiscal e política industrial.

Lula reúne empresários e banqueiros no Alvorada em meio à campanha presidencial
Lula reúne empresários e banqueiros no Alvorada em meio à campanha presidencial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu na noite de segunda-feira, 31 de agosto, 16 empresários e banqueiros no Palácio da Alvorada, em Brasília, em um jantar voltado à aproximação com o setor privado. O encontro ocorreu em plena campanha presidencial e reuniu executivos de bancos, indústria, construção, aviação, agronegócio e saúde.

Entre os presentes estavam André Esteves, do BTG Pactual; Luiz Carlos Trabuco Cappi, do Bradesco; Roberto Setúbal, do Itaú Unibanco; Joesley Batista, da JBS; Rubens Ometto, da Cosan; Rubens Menin, da MRV; Josué Gomes, da Coteminas; e Fábio Ermírio de Moraes, da Votorantim Cimentos.

Governo levou equipe econômica ao encontro

Do lado do governo participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros da área econômica e dirigentes de bancos públicos. Também estiveram no jantar os presidentes do BNDES, Banco do Brasil e Caixa, além do presidente do PT, Edinho Silva.

Segundo relatos publicados por UOL e Folha de S.Paulo, a conversa passou por juros, responsabilidade fiscal e política industrial. O encontro coincidiu com a apresentação de diretrizes orçamentárias para 2027 e ocorreu em um momento em que o governo busca reforçar a interlocução com grandes grupos empresariais.

O jantar durou cerca de três horas. Os empresários tiveram espaço para apresentar avaliações sobre a economia e Lula fez uma exposição ao final da reunião.

Campanha amplia disputa pelo setor empresarial

O encontro também tem leitura eleitoral porque ocorreu poucos dias depois de Flávio Bolsonaro se reunir com empresários em São Paulo. A aproximação dos dois principais campos presidenciais com o setor produtivo mostra que economia e confiança empresarial entraram no centro da campanha.

Lula tenta reduzir resistências em segmentos que criticam o ritmo dos gastos públicos e o crescimento da dívida. Ao mesmo tempo, integrantes do governo procuram enfatizar investimentos, programas industriais e medidas de estímulo à atividade econômica.

Flávio, por sua vez, vem buscando apoio em setores que defendem maior rigor fiscal, redução de despesas e reformas. A disputa pelo diálogo com empresários não significa apoio automático de cada executivo a um candidato, mas sinaliza a importância política desse grupo.

Lista reuniu diferentes setores

Além dos nomes já citados, participaram José Seripieri Filho, da Amil; Henrique Constantino, da Gol; André Gerdau Johannpeter, da Gerdau; Eraí Maggi, do Grupo Bom Futuro; José Luís Cutrale Júnior, da Cutrale; Chain Zaher, do Grupo SEB; João Alves de Queiroz Filho, da Hypera Pharma; e Ricardo Lacerda, do BR Partners.

A diversidade dos convidados permitiu discutir problemas que atingem setores diferentes, como custo do crédito, investimento, infraestrutura e previsibilidade regulatória.

Responsabilidade fiscal apareceu na conversa

Uma das principais preocupações do mercado financeiro é a trajetória das contas públicas. O tema afeta juros de longo prazo, câmbio e decisões de investimento. Relatos sobre o jantar indicam que a responsabilidade fiscal foi tratada de forma direta.

O governo tenta convencer empresários de que pode ampliar políticas de desenvolvimento sem abandonar metas fiscais. O desafio é demonstrar como pretende equilibrar despesas, receitas e crescimento em um cenário de pressão sobre o Orçamento.

Encontro amplia interlocução, mas não define apoio

A presença de grandes empresários no Alvorada não deve ser interpretada automaticamente como adesão eleitoral. Executivos costumam manter diálogo institucional com diferentes candidaturas e governos, especialmente em períodos de definição econômica.

Politicamente, porém, o jantar cumpre uma função clara para Lula: mostrar capacidade de interlocução com nomes centrais da economia justamente quando seu principal adversário também tenta consolidar pontes com o empresariado.

Com pouco mais de um mês para o primeiro turno, a economia tende a permanecer como um dos eixos principais da disputa presidencial. O movimento no Alvorada mostra que a campanha já chegou também às mesas onde são tomadas grandes decisões de investimento no país.

Fontes