Justiça

Lula teve mais vitórias no TSE que Flávio no primeiro turno

Levantamento identificou ao menos 470 ações das duas campanhas entre 16 de agosto e 4 de outubro; petista obteve 59 decisões favoráveis e o senador, 33.

2026-10-12T03:49:13.467Z · Redação Notícia ES
Lula teve mais vitórias no TSE que Flávio no primeiro turno

As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram ao menos 470 ações ao Tribunal Superior Eleitoral entre o início oficial da campanha e o primeiro turno. No período de 16 de agosto a 4 de outubro, o petista somou 59 decisões favoráveis em processos que moveu, enquanto o senador obteve 33.

Os números foram levantados pela Folha de S.Paulo a partir dos processos das duas equipes jurídicas e publicados na noite de domingo (11). O Katav News também registrou os totais de ações e vitórias ao repercutir o levantamento, que contou 227 iniciativas da campanha de Lula e 243 da campanha de Flávio.

A contagem considera como vitória apenas o processo apresentado pela campanha beneficiada pela decisão. O critério evita atribuir a um candidato um resultado favorável em ação movida pelo adversário ou por terceiro, mas também exige cautela: uma decisão parcial e uma ordem integralmente concedida entram no mesmo universo estatístico.

Disputa priorizou remoções digitais

A maior parte dos casos tratou de propaganda, redes sociais e pedidos para retirar publicações. Das 33 vitórias contabilizadas para a equipe de Flávio, ao menos 26 buscavam remover conteúdo de opositores ou suspender peças eleitorais. A campanha de Lula obteve pelo menos 27 decisões favoráveis com finalidade semelhante, além de ordens contra impulsionamento pago de material negativo.

Entre os episódios de maior repercussão esteve a notícia falsa de que Flávio retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. André Mendonça ordenou a remoção de publicações que apresentavam a alegação como verdadeira. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal e depois ao plenário do TSE, que manteve a ordem principal, com ressalva para uma postagem que não citava o candidato.

A equipe de Flávio também conseguiu derrubar conteúdos que o associavam ao Banco Master e peças manipuladas por inteligência artificial. Do lado de Lula, houve decisões contra publicações que relacionavam seu governo à proteção de facções criminosas e uma ordem que impediu a Rede Globo de exibir púlpitos vazios de candidatos ausentes em um debate que acabou cancelado.

Segundo turno amplia tensão judicial

O volume de processos mostra que a Justiça Eleitoral se tornou uma frente permanente da campanha. As ações não ficaram restritas à correção de informações comprovadamente falsas: envolveram limites da liberdade de expressão, propaganda negativa, impulsionamento, uso de imagem e alcance de ordens dirigidas às plataformas digitais.

Depois do primeiro turno, o conflito aumentou. A campanha de Lula questionou decisões do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, incluindo a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado por André Janones. O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a medida em decisão posterior.

A comparação numérica não define quem tinha razão no mérito de cada processo nem permite medir, sozinha, o impacto eleitoral das decisões. Ela revela, porém, a escala da litigância: foram quase oito ações por dia no intervalo analisado. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as equipes seguem usando o TSE para contestar conteúdo, propaganda e decisões que possam afetar a disputa.