Política Nacional

Maioria vê ganho pessoal com fim da escala 6x1

Datafolha aponta avaliação favorável da mudança por 59% dos entrevistados; transição aprovada no Congresso reduz a jornada sem corte salarial.

2026-10-24T01:39:56.000Z · Redação Notícia ES
Maioria vê ganho pessoal com fim da escala 6x1

O fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso é visto como bom ou ótimo para a vida pessoal por 59% dos brasileiros. A avaliação foi registrada pelo Datafolha depois de o Congresso aprovar a mudança constitucional que estabelece uma transição para o regime de cinco dias de trabalho por dois de folga.

O resultado foi divulgado pelo g1 nesta sexta-feira (23). Na mesma pesquisa, 18% avaliaram o impacto pessoal como regular, 19% como ruim ou péssimo e 5% não souberam responder. O instituto ouviu 2.520 pessoas entre terça-feira (20) e quinta-feira (22), em 154 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.

A pergunta mede expectativa, não o efeito já observado na rotina. A alteração foi aprovada em outubro, mas a implantação será gradual. Trabalhadores e empregadores ainda passarão por etapas de adaptação, e a experiência poderá variar conforme setor, convenção coletiva, turnos e organização de cada empresa.

Vida pessoal recebe avaliação positiva

O apoio majoritário indica que mais tempo contínuo de descanso é associado a convívio familiar, lazer, estudo e recuperação física. A percepção não elimina as dúvidas sobre a aplicação em atividades que funcionam todos os dias, como saúde, segurança, transporte, comércio e serviços essenciais.

Para os trabalhadores, o ponto central é a redução da jornada sem diminuição do salário. Para as empresas, a transição exige rever escalas, produtividade e necessidade de novas contratações. O equilíbrio entre esses interesses dependerá de regulamentação, negociação coletiva e fiscalização, e não apenas do texto constitucional.

A existência de 19% de avaliações negativas também merece atenção. Parte da resistência pode refletir receio de perda de renda variável, mudanças indesejadas nos turnos ou aumento de custos para pequenos negócios. A pesquisa não autoriza atribuir uma única razão a esse grupo, pois registra a opinião, mas não explica todos os motivos de cada resposta.

Transição reduz jornada gradualmente

A emenda constitucional aprovada pelo Congresso prevê a adoção do modelo 5x2 a partir de 16 de dezembro de 2026. Nessa primeira etapa, a jornada semanal máxima cai para 42 horas. Em dezembro de 2027, o limite passa a 40 horas, mantida a proibição de redução salarial em razão da mudança.

Uma explicação publicada pela Folha de S.Paulo detalhou esse calendário e diferenciou o fim da escala 6x1 da redução imediata para 36 horas, proposta que também esteve presente no debate. O texto aprovado escolheu uma transição mais curta na escala de dias e gradual no total de horas semanais.

A mudança nacional não significa que todas as jornadas serão idênticas. A Constituição fixa limites e descanso, enquanto leis, acordos e convenções podem definir a distribuição dos horários dentro desses parâmetros. Empresas que já trabalham em 5x2 também precisarão verificar se o total semanal respeita cada fase da redução.

A aprovação política encerra uma etapa e abre outra, mais concreta. Até que os novos horários sejam praticados, a avaliação positiva de 59% representa expectativa social. O teste efetivo virá com a implementação, quando será possível comparar qualidade de vida, emprego, produtividade e custo operacional com dados observados.