Mais de 600 arquivos do celular de Vorcaro foram alterados, diz defesa
Laudo particular entregue ao STF aponta registros de uso do aparelho na noite da prisão do ex-controlador do Master

A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, apresentou ao STF um laudo que indica modificações em 657 arquivos de seu celular enquanto estava sob custódia da Polícia Federal, além de 436 arquivos criados nesse período.
O contexto da decisão judicial
O laudo, assinado em 26 de outubro, aponta falhas na cadeia de custódia e pede acesso aos dados originais do iPhone.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero, e ele e outros 14 investigados foram indiciados por gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.
A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 29, um laudo particular segundo o qual 657 arquivos do celular do empresário foram modificados quando o aparelho já estava sob custódia da Polícia Federal (PF).
Detalhes e consequências do caso
O documento aponta ainda 436 arquivos criados no mesmo período.
A análise, de 76 páginas, foi assinada em 26 de outubro pelo assistente técnico Marcos Monteiro, da MM Forense . Com base nela, os advogados pediram ao STF que a PF entregue os dados originais extraídos do iPhone 17 Pro e defenderam a soltura de Vorcaro.
Para a defesa, é “estarrecedor” que o perito tenha encontrado registros de alteração em centenas de arquivos durante a custódia estatal. O próprio laudo faz uma ressalva.
“O registro de modificação, isoladamente, não permite concluir que a alteração tenha sido realizada diretamente por uma pessoa”, escreveu Monteiro. “Evidencia, contudo, que o estado do arquivo foi alterado enquanto o aparelho se encontrava sob custódia estatal.”
O celular foi apreendido por volta das 22h de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na véspera da Operação Compliance Zero.
O horário consta de reportagem citada no laudo, que diz não ter encontrado nos autos o auto circunstanciado da busca.
De acordo com os registros do próprio aparelho, o iPhone foi desbloqueado por senha às 23h19. Em seguida, saíram dele duas ligações por WhatsApp, de Vorcaro para Walfrido Warde e para Martha Graeff. Às 23h22, o modo avião foi ativado.
Daí em diante, o perito contabilizou 207 registros de tela ligada e desligada e 33 acionamentos da câmera frontal até a madrugada de 18 de novembro. O aparelho também foi conectado pela porta USB à 1h47, à 1h48 e às 2h24.
Poucos segundos depois da segunda conexão, o ChatStorage.sqlite, banco de dados que guarda as conversas do WhatsApp no iPhone, registrou modificação.
Entre 2h03 e 2h25, o sistema anotou quatro registros de senhas criadas ou alteradas. O último coincide com o horário em que o delegado da PF Guilherme Alves de Siqueira assinou o ofício que pediu a perícia do celular.
O laudo afirma que a conexão USB não permite distinguir se o aparelho foi ligado a um carregador ou a um computador, nem comprova transferência de dados.
Na conclusão, Monteiro sustenta que a falta de registros técnicos impede tanto atribuir as mudanças a uma pessoa quanto classificá-las como automáticas ou inofensivas.
A defesa recebeu da PF um relatório no formato UFDR, gerado pelo programa Cellebrite, e não os arquivos brutos da extração, feita em 19 de novembro com o equipamento GrayKey.
Segundo o perito, o laudo oficial não informa a versão da ferramenta nem como o celular foi desbloqueado. O tablet apreendido com Vorcaro não teve os dados extraídos, por causa de senha desconhecida.
O documento também aponta falhas na cadeia de custódia (conjunto de registros que rastreia uma prova desde a coleta). Entre elas, a ausência de número de série e IMEI no termo de apreensão, lacres anotados apenas à mão e o uso da mesma foto para identificar o tablet e o iPhone.
Numa busca ampliada até setembro de 2026, o perito encontrou 999 arquivos com modificação posterior à apreensão, 340 deles datados de 13 e 14 de maio deste ano. Monteiro ressalva que as conclusões “não implicam juízo sobre autoria ou valoração da prova”.
Para sustentar o pedido de acesso aos dados originais, a defesa cita a Súmula Vinculante 14 do Supremo e uma decisão de abril do Superior Tribunal de Justiça que garantiu a outro investigado a íntegra de extrações de celulares.
Vorcaro e outros 14 investigados foram indiciados pela PF na quarta-feira 28 por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O inquérito apura operações com carteiras de crédito do Master que, segundo a polícia, causaram prejuízo ao Banco de Brasília. A defesa nega e diz que nenhuma perícia oficial comprovou perdas.
Em resumo
A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, apresentou ao STF um laudo que indica modificações em 657 arquivos de seu celular enquanto estava sob custódia da Polícia Federal, além de 436 arquivos criados nesse período. O laudo, assinado em 26 de outubro, aponta falhas na cadeia de custódia e pede acesso aos dados originais do iPhone. Vorcaro
A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 29, um laudo particular segundo o qual 657 arquivos do celular do empresário foram modificados quando o aparelho já estava sob custódia da Polícia Federal (PF). O documento aponta ainda 436 arquivos criados no mesmo período.
A análise, de 76 páginas, foi assinada em 26 de outubro pelo assistente técnico Marcos Monteiro, da MM Forense . Com base nela, os advogados pediram ao STF que a PF entregue os dados originais extraídos do iPhone 17 Pro e defenderam a soltura de Vorcaro.
Para a defesa, é “estarrecedor” que o perito tenha encontrado registros de alteração em centenas de arquivos durante a custódia estatal. O próprio laudo faz uma ressalva.
“O registro de modificação, isoladamente, não permite concluir que a alteração tenha sido realizada diretamente por uma pessoa”, escreveu Monteiro. “Evidencia, contudo, que o estado do arquivo foi alterado enquanto o aparelho se encontrava sob custódia estatal.”