Manato atribui votação à falta de preparo
Ex-deputado recebeu 17.808 votos na disputa pela Câmara e disse que entrou na campanha depois da desistência da esposa, sem preparação adequada.

O ex-deputado federal Carlos Manato recebeu 17.808 votos na eleição de 2026 para a Câmara dos Deputados pelo Espírito Santo e ficou como suplente do Republicanos. Ao avaliar o resultado nesta sexta-feira (9), ele afirmou que entrou na disputa sem a preparação necessária depois de uma mudança na composição da candidatura.
A declaração foi publicada pela coluna de Letícia Gonçalves, em A Gazeta. A votação foi conferida na página de apuração do Metrópoles, que registra 100% das urnas totalizadas, 17.808 votos para Manato e participação de 0,83% dos votos válidos para deputado federal no Estado.
Resultado ficou abaixo do esperado
O desempenho ficou distante do capital eleitoral conquistado por Manato quatro anos antes. Na disputa pelo governo capixaba de 2022, ele recebeu 800.598 votos no primeiro turno, avançou para a segunda etapa e terminou derrotado por Renato Casagrande. Em 2026, concorreu a um cargo proporcional e terminou fora das dez vagas destinadas ao Espírito Santo.
A comparação entre eleições diferentes exige cautela. Na disputa majoritária, os votos são atribuídos diretamente aos candidatos que concorrem ao governo. Na eleição para deputado, a distribuição de cadeiras depende também do total obtido pelo partido ou federação e do quociente eleitoral, além da votação nominal de cada concorrente.
Manato estava filiado ao PL em 2022 e ingressou no Republicanos em março deste ano. Inicialmente, pretendia disputar o Senado, mas a legenda escolheu o deputado federal Evair de Melo para a vaga. Evair foi eleito, enquanto Manato passou a ocupar o lugar que seria destinado à candidatura de sua esposa, Soraya Manato.
Campanha mudou perto da eleição
Segundo o ex-deputado, Soraya desistiu para cuidar de um familiar, e a substituição alterou o planejamento político e financeiro. Manato disse que a divisão dos recursos partidários prevista para uma candidatura feminina não poderia ser transferida nos mesmos termos para ele. Ainda assim, afirmou que o Republicanos cumpriu sua parte na campanha.
Dados do DivulgaCand citados por A Gazeta indicam receita de R$ 926.148,33 para a candidatura. O valor não se converte automaticamente em votos, mas permite comparar estruturas dentro da mesma legenda. Coronel Ramalho, eleito pelo Republicanos, recebeu 60.085 votos e declarou receita superior a R$ 1,2 milhão, segundo a apuração publicada.
Ao reconhecer que não se preparou para a disputa, Manato também afirmou que desanimou quando avaliou que mesmo uma votação de 50 mil poderia não garantir uma segunda cadeira ao partido. O Republicanos elegeu apenas Coronel Ramalho; Erick Musso, com 53.726 votos, também não conquistou mandato.
O resultado foi influenciado por uma concentração expressiva de votos em Lucas Polese, do PL, que somou 419.735 e liderou a eleição para a Câmara no Espírito Santo. Manato atribuiu parte do desempenho modesto à preferência do eleitorado de direita pelo candidato mais votado, mas não responsabilizou a legenda pela própria votação.
Fora da Câmara, Manato disse que continuará na iniciativa privada e apoiará Lorenzo Pazolini no segundo turno para o governo estadual. Ele não condicionou esse apoio à promessa de cargo numa eventual administração. A declaração encerra a autocrítica sobre a campanha, mas mantém sua participação na articulação política capixaba.
Em resumo
Manato recebeu 17.808 votos, equivalentes a 0,83% dos votos válidos para deputado federal no Espírito Santo.
Não. Ele ficou como suplente do Republicanos na disputa pelas vagas da Câmara.
Manato disse que entrou na disputa sem preparação depois da desistência da esposa e reconheceu que desanimou durante a campanha.
A prestação citada por A Gazeta registra receita de R$ 926.148,33.
Ele afirmou que seguirá na iniciativa privada e apoiará Lorenzo Pazolini no segundo turno estadual.