Fé e Sociedade · 2026-09-21 · Redação Notícia ES

Manifesto inter-religioso reúne diferentes crenças em defesa da democracia

Documento lançado por lideranças católicas, evangélicas e de religiões afro-brasileiras defende eleições regulares, liberdade religiosa e combate à desinformação.

Manifesto inter-religioso reúne diferentes crenças em defesa da democracia
Celebração religiosa registrada pela campanha A Fé Brasileira Escolheu a Democracia. Crédito: campanha A Fé Brasileira Escolheu a Democracia/Divulgação.

Lideranças e organizações católicas, evangélicas e de religiões afro-brasileiras lançaram em 15 de setembro o manifesto ‘A Fé Brasileira Escolhe a Democracia’. O documento defende eleições regulares, liberdade de crença, Estado laico, convivência entre diferentes tradições e enfrentamento à desinformação. A iniciativa permanece aberta a novas adesões em uma plataforma própria.

O lançamento ocorreu no Dia Internacional da Democracia. Segundo a página oficial da campanha e a cobertura da Folha de S.Paulo, estão entre os signatários o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Ricardo Hoepers; o pastor Ed René Kivitz, da Igreja Batista da Água Branca; e o advogado Hédio Silva Júnior, do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras.

Também aparecem vinculadas ao movimento organizações como Cáritas Brasileira, Instituto Galilea, Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde e comissões episcopais da CNBB. A lista reúne pessoas e entidades com trajetórias religiosas e sociais distintas. O manifesto não declara apoio a candidato, partido ou coligação e apresenta a democracia como terreno comum para a expressão dessas diferenças.

Documento relaciona fé, liberdade e eleições

O texto afirma que a fé sustenta famílias e comunidades e que, em momentos decisivos da história brasileira, também apoiou a esperança na convivência democrática. A partir desse argumento, os organizadores associam processos eleitorais regulares e instituições públicas à garantia de que cada pessoa possa crer, não crer, discordar e conviver.

Entre os compromissos apresentados estão a defesa da democracia no cotidiano e nas instituições, o respeito às liberdades religiosa e de expressão e a rejeição de discursos que estimulem violência. O documento também pede responsabilidade na circulação de informações. Não apresenta proposta legislativa nem cria obrigação jurídica: trata-se de uma manifestação pública de adesão voluntária.

A iniciativa foi lançada durante o período eleitoral, quando igrejas, lideranças espirituais e candidatos participam de debates sobre valores, políticas públicas e limites do uso de espaços religiosos. O manifesto procura se diferenciar de uma plataforma eleitoral ao declarar que não exige renúncia a convicções próprias e não indica voto. A adesão expressa concordância com os princípios publicados, e não filiação a uma posição partidária única.

Estado laico não elimina a presença religiosa

A Constituição brasileira protege a liberdade de consciência e de crença, assegura o livre exercício dos cultos e proíbe o poder público de estabelecer ou subvencionar igrejas, ressalvada a colaboração de interesse público prevista em lei. O Estado laico, portanto, não determina ausência de religião na sociedade; estabelece neutralidade institucional e tratamento igual perante diferentes convicções.

Essa distinção ajuda a compreender a proposta inter-religiosa. Lideranças podem participar do debate público e defender ideias, enquanto órgãos estatais não podem escolher uma religião oficial nem restringir direitos por motivo de fé. Em período eleitoral, a separação entre manifestação religiosa, propaganda e abuso de poder continua submetida à legislação e à análise das autoridades competentes em cada caso.

A Organização das Nações Unidas observa o Dia Internacional da Democracia em 15 de setembro para estimular a avaliação do funcionamento das instituições, da participação social e dos direitos humanos. O manifesto brasileiro utilizou a mesma data para relacionar liberdade religiosa e integridade eleitoral. A coincidência de calendário situa a campanha em um debate mais amplo, mas não transforma a ONU em apoiadora do documento nacional.

Adesões continuam abertas

A página da campanha mantém formulário para pessoas e organizações interessadas em assinar o texto. Também publica materiais audiovisuais e registros de diferentes expressões de fé. Como se trata de uma lista aberta, o número de adesões pode mudar e precisa ser consultado diretamente na plataforma antes de qualquer contabilização.

O próximo passo anunciado é ampliar a circulação do manifesto entre comunidades religiosas e organizações da sociedade civil. Seu efeito prático dependerá da adesão alcançada e de como os compromissos serão aplicados no debate público. Por ora, o fato verificável é a formação de uma aliança plural que escolheu afirmar conjuntamente democracia, liberdade religiosa e respeito entre diferentes, sem recomendar candidaturas.

Em resumo

O que é o manifesto A Fé Brasileira Escolhe a Democracia?

É um documento inter-religioso que defende democracia, eleições regulares, liberdade de crença, Estado laico e enfrentamento à desinformação.

Quem participa da iniciativa?

A lista reúne lideranças e organizações católicas, evangélicas, de religiões afro-brasileiras e da sociedade civil.

O manifesto apoia algum candidato?

Não. O documento não declara apoio a candidato, partido ou coligação.

Quando o documento foi lançado?

O lançamento ocorreu em 15 de setembro de 2026, Dia Internacional da Democracia.

O que significa Estado laico?

Significa que o poder público não adota religião oficial e deve proteger igualmente a liberdade de crer, não crer e exercer cultos.

Ainda é possível aderir?

Sim. A página oficial mantém um formulário aberto para pessoas e organizações interessadas em assinar o manifesto.

Fontes

  • A Fé Brasileira Escolheu a Democracia — manifesto oficial
  • Folha de S.Paulo — lançamento do manifesto inter-religioso
  • ONU — Dia Internacional da Democracia
  • Constituição Federal — liberdade religiosa e Estado laico
  • Vídeo-manifesto oficial da campanha