Política Nacional · 2026-09-27 · Redação Notícia ES

Mapa estadual revela três blocos na disputa presidencial

Pesquisas estaduais mostram Lula à frente em dez unidades, Flávio Bolsonaro em oito e empate técnico nas nove restantes.

Mapa estadual revela três blocos na disputa presidencial
Mapa estadual revela três blocos na disputa presidencial

O conjunto mais recente de pesquisas estaduais desenha uma eleição presidencial dividida em três blocos a uma semana do primeiro turno. Lula aparece numericamente à frente em dez unidades da Federação, Flávio Bolsonaro lidera em oito e as nove restantes registram empate técnico dentro das margens de erro.

A síntese foi apresentada neste domingo (27) pelo diretor da Quaest, Felipe Nunes, e reproduzida pelo g1. Ela reúne levantamentos do instituto em 26 estados e uma pesquisa Datafolha no Piauí; os relatórios estaduais publicados pela Quaest e uma análise independente do mesmo material confirmam a distribuição geral.

Lula lidera nos nove estados do Nordeste e no Amapá. Flávio está à frente no Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre, Rondônia e Roraima. São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul estão entre as nove unidades em que a diferença entre os dois não supera a margem de erro.

O mapa não equivale a uma projeção nacional nem permite somar percentuais estaduais como se todos os levantamentos formassem uma única amostra. Cada pesquisa tem universo, período de campo e margem próprios. A comparação serve para identificar padrões geográficos e os lugares em que a vantagem de um candidato é estatisticamente mais clara.

Polarização mantém fronteiras regionais

Nunes calculou correlação de 0,98 entre a votação estadual de Lula no primeiro turno de 2022 e a intenção de voto atual. Para Flávio, comparado ao desempenho de Jair Bolsonaro naquele pleito, o índice informado foi de 0,95. Quanto mais próximo de 1, maior a semelhança entre a distribuição territorial dos resultados.

Correlação alta não prova que os mesmos eleitores repetirão individualmente o voto. O dado compara agregados estaduais e pode esconder mudanças dentro de cada população. Ainda assim, sugere que a substituição do nome da direita não desfez a geografia consolidada na disputa anterior: o Nordeste continua mais favorável ao petismo, enquanto Sul e parte do Centro-Oeste preservam vantagem bolsonarista.

A própria Quaest adverte que a eleição se move dentro de limites estreitos. Em sua análise sobre a geografia eleitoral, o instituto afirma que oscilações locais não produziram até agora um realinhamento nacional. Minas Gerais permanece próximo do equilíbrio do país, e São Paulo continua dividido, com inclinação numérica à direita sem vantagem conclusiva.

Goiás é a principal exceção à polarização porque Ronaldo Caiado conserva força no estado e disputa a liderança local. A competitividade em sua base, porém, ainda não se converteu em uma coalizão nacional capaz de reorganizar o quadro. Nas demais unidades, candidatos alternativos encontram espaço menor à medida que cresce a percepção de disputa direta entre Lula e Flávio.

Última semana concentra disputa

Os empates técnicos em grandes colégios eleitorais tornam a mobilização decisiva. Campanhas não precisam necessariamente converter grandes blocos de adversários; podem alterar o resultado ao reduzir abstenção, convencer indecisos e garantir comparecimento de simpatizantes em estados equilibrados.

O recorte também exige cautela com a expressão liderança. Um candidato pode aparecer numericamente à frente e, ao mesmo tempo, estar empatado pela margem de erro. A diferença é importante porque impede transformar uma fotografia probabilística em certeza sobre quem vencerá cada estado.

Até a votação, os próximos levantamentos mostrarão se o mapa continua calcificado ou se haverá deslocamento nos estados de empate. O teste principal estará no Centro-Sul, onde se concentra parte relevante do eleitorado independente e onde pequenas oscilações podem alterar a diferença nacional sem modificar a força regional já conhecida de cada campo.

Em resumo

Em quantos estados Lula aparece à frente?

Lula lidera numericamente em dez unidades da Federação: os nove estados do Nordeste e o Amapá.

Em quantos estados Flávio Bolsonaro lidera?

Flávio aparece à frente em oito estados: Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre, Rondônia e Roraima.

Quantos estados têm empate técnico?

Nove unidades estão dentro da margem de erro, entre elas São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

O mapa estadual prevê o resultado nacional?

Não. As pesquisas têm amostras e margens próprias; o conjunto identifica padrões geográficos, mas não funciona como uma única projeção do país.

O que significam as correlações com 2022?

Elas mostram forte semelhança entre a distribuição territorial atual e a votação de 2022, sem provar que cada eleitor individual repetirá o voto.

Fontes