Política ES · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Marcos do Val defende porte de armas e associa flexibilização a queda da violência

Candidato à reeleição ao Senado pelo Espírito Santo disse que a arma deve ser vista como instrumento de defesa. Dados nacionais confirmam queda de homicídios em parte do período citado, mas não estabelecem relação causal simples com a política de armas.

Marcos do Val defende porte de armas e associa flexibilização a queda da violência
Marcos do Val defende porte de armas e associa flexibilização a queda da violência

O senador Marcos do Val, candidato à reeleição pelo Avante no Espírito Santo, voltou a defender a possibilidade de porte de arma para cidadãos que desejem se proteger. Em entrevista divulgada nesta terça-feira, 1º de setembro, pela Folha Vitória, ele afirmou que a arma é um equipamento de defesa e associou a flexibilização do acesso durante o governo Jair Bolsonaro a uma redução dos indicadores de violência.

A declaração recoloca no debate eleitoral capixaba um tema que divide especialistas, forças de segurança, entidades civis e partidos políticos. O porte permite que uma pessoa autorizada carregue arma de fogo fora de casa ou do local de trabalho, enquanto a posse é restrita ao imóvel ou estabelecimento autorizado.

O que mostram os dados de homicídios

Os dados nacionais indicam que o Brasil atravessa uma trajetória de redução da violência letal desde o pico observado na década passada. O Atlas da Violência 2026, produzido pelo Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, registra queda das taxas de homicídio ao longo dos últimos anos, mas também alerta para dificuldades de qualidade dos registros e para a necessidade de cautela na interpretação das causas.

O próprio histórico mostra que a redução não pode ser atribuída automaticamente a uma única política. Entre 2019 e 2022, por exemplo, estudos anteriores do Atlas apontaram estabilidade da taxa nacional em determinados recortes, com resultados muito diferentes entre regiões. Fatores como dinâmica de facções, envelhecimento populacional, políticas estaduais, expansão de inteligência policial e mudanças econômicas também influenciam a criminalidade.

Armas seguem no centro da disputa

Durante o governo Bolsonaro houve ampliação das regras para aquisição e registro por caçadores, atiradores e colecionadores. Posteriormente, o governo Lula adotou medidas de maior controle e transferiu atribuições de fiscalização dos CACs para a Polícia Federal. O estoque acumulado, porém, continua em circulação.

Para defensores da flexibilização, a possibilidade de uma pessoa legalmente habilitada portar arma aumenta sua capacidade de defesa em situações de risco. Críticos argumentam que maior circulação de armamento pode ampliar desvios, acidentes, suicídios e letalidade em conflitos cotidianos.

Debate eleitoral exige separar opinião de causalidade

A posição de Marcos do Val é politicamente clara: ele defende ampliar a possibilidade de defesa armada. Já a afirmação de que uma política de flexibilização produziu diretamente redução da violência exige análise estatística mais ampla. Uma correlação temporal entre duas tendências não prova, isoladamente, que uma tenha causado a outra.

O eleitor capixaba terá, portanto, dois elementos para avaliar. De um lado, a proposta política do candidato sobre o direito ao porte. De outro, a necessidade de confrontar argumentos de segurança pública com séries históricas, estudos nacionais e diferenças entre os estados.

Fontes