Marinho cobra ação do Senado após reunião com Fachin
Líder da oposição critica decisões judiciais e diz que processos contra ministros devem seguir o rito constitucional, sem retaliação.

O senador Rogério Marinho afirmou nesta terça-feira, 6 de outubro, após reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que o Senado não deve se omitir diante de eventual crime de responsabilidade cometido por ministro da Corte. Ele negou que a campanha de Flávio Bolsonaro pretenda retaliar o Judiciário.
As declarações foram publicadas pelo Metrópoles e confirmadas pelo UOL. O SBT News também registrou a agenda de Fachin com Marinho, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e a líder do governo na Casa, Teresa Leitão, dentro de uma rodada de conversas sobre a relação entre os Poderes.
Marinho disse ter levado ao presidente do STF críticas ao que considera uma intervenção continuada do Judiciário na política e nas eleições. Entre os pontos citados estão decisões de ministros em questões eleitorais e petições apresentadas em processo relacionado ao Rio de Janeiro.
Ao mesmo tempo, o senador afirmou que deseja normalizar as relações institucionais e preservar a separação dos Poderes. A cobrança, segundo ele, não significaria condenação antecipada, mas abertura de análise quando houver denúncia por crime de responsabilidade.
Senador critica atuação judicial
O líder da oposição citou nominalmente Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino ao falar de decisões que considera politizadas. Essas acusações representam a avaliação do senador e não uma conclusão judicial sobre a conduta dos ministros.
Fachin também se reuniu com Alcolumbre pela manhã para tratar de assuntos do Judiciário em tramitação no Congresso. Depois de Marinho, o presidente do Supremo tinha agenda com Teresa Leitão. A sequência indica uma tentativa de diálogo com governo e oposição em meio à pressão política sobre a Corte.
Em resposta às críticas públicas, Fachin declarou que o STF é maior que conjunturas e permanecerá firme em suas funções. A manifestação reforça que divergências sobre decisões judiciais não retiram das instituições a obrigação de seguir procedimentos constitucionais.
Impeachment depende do Senado
Pedidos de impeachment contra ministros do Supremo são apresentados ao Senado, e cabe ao presidente da Casa decidir inicialmente se aceita, rejeita ou arquiva a petição. Marinho critica essa concentração de poder e defende uma regra que permita abertura automática com apoio de 49 senadores.
A proposta, porém, não está em vigor. Para mudar o procedimento, ainda precisaria avançar nas instâncias do Senado. Uma eventual condenação de ministro exige 54 votos, equivalentes a dois terços dos 81 integrantes da Casa.
O resultado prático da reunião dependerá de decisões posteriores de Fachin, da Mesa do Senado e dos próprios parlamentares. Até aqui, o fato é político e institucional: oposição e Supremo abriram um canal de conversa, mas continuam divergindo sobre limites de atuação judicial e controle constitucional.
Em resumo
Ele afirmou que não haverá retaliação ao STF, mas cobrou ação do Senado diante de eventual crime de responsabilidade.
Com Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal.
Marinho questionou decisões judiciais que considera intervenções na política e no processo eleitoral.
A análise inicial cabe ao presidente do Senado, conforme o procedimento hoje adotado pela Casa.
São necessários 54 votos, equivalentes a dois terços dos 81 senadores.