Mario Sabino: 'O grande vencedor do 1º turno é Jair Bolsonaro'
Mario Sabino: 'O grande vencedor do 1º turno é Jair Bolsonaro'. Registro original em Revista Oeste - Feed. A Redação Notícia ES reapurou a pauta para a editoria Justiça.

É jornalista e escritor brasileiro, conhecido por sua atuação em veículos de grande relevância no cenário jornalístico do país.
• Jair Bolsonaro, preso e incomunicável, é o grande
• Jair Bolsonaro, preso e incomunicável, é o grande vencedor do primeiro turno das eleições, avalia o jornalista Mario Sabino. • Enquanto o STF, seu algoz, se torna o grande perdedor.
• Lula, que tentou eleger Fernando Haddad em 2018, agora enfrenta um bolsonarismo fortalecido, com Flávio Bolsonaro possivelmente se tornando presidente e buscando libertar o pai.
• A maioria no Senado permite que senadores bolsonaristas busquem o impeachment de Alexandre de Moraes.
Grande vencedor do primeiro turno está preso e praticamente
O grande vencedor do primeiro turno está preso e praticamente incomunicável: Jair Bolsonaro. O grande perdedor final já é o seu algoz, o STF.
Quando estava preso, em 2018, Lula queria sair da cadeia elegendo para o Palácio do Planalto o seu poste, um patético Fernando Haddad que se despiu da sua escassa persona pública para tentar convencer o eleitor de que era o chefão petista.
Lula não conseguiu o seu intento e se viu obrigado a contar com a conveniência de ministros do Supremo para ser libertado e voltar à arena eleitoral. Tornou-se refém existencial dos seus benfeitores.
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Encarcerado em prisão domiciliar, Jair Bolsonaro poderá ter o seu filho Flávio eleito presidente da República graças ao sobrenome e, desse modo, abrir caminho para a sua liberdade.
Se vier a obtê-la, mesmo se seguir na trilha de alguma composição, não deverá favor aos seus verdugos.
O bolsonarismo teve uma vitória avassaladora nas eleições legislativas tanto no Senado como na Câmara dos Deputados — e, no Senado, já tem maioria suficiente para levar adiante processos de impeachment contra ministros do Supremo, em especial do verdugo Alexandre de Moraes.
Uma vez eleito, Flávio já sinalizou com a bandeira da paz ao STF — a sua prioridade será livrar o pai da cadeia e governar com o menor grau de estridência possível —, mas é incancelável o compromisso dos senadores bolsonaristas com o impeachment do amigão togado de Daniel Vorcaro.
É o que mais esperam deles os milhões de cidadãos que os elegeram, para além da aprovação de anistia geral, ampla e irrestrita aos condenados pelo 8 de janeiro.
Essa massa de eleitores dificilmente será convencida da necessidade de um escambo entre a liberdade de Jair Bolsonaro e a preservação no cargo do principal carrasco do ex-presidente.
Deixar de lado a palavra assumida durante a campanha significará aos senadores bolsonaristas um custo político que não vale a pena pagar.
Ainda que Lula seja reeleito, hipótese improvável nas atuais condições de temperatura e pressão, o objetivo do impeachment de Alexandre de Moraes deverá ser perseguido. Talvez até com ardor redobrado, arrisco dizer.
A primeira batalha será a de destituir pela força do voto o presidente do Senado, o inominável Davi Alcolumbre, para que o processo seja destravado.
Paralela ao combate pelo impeachment, a luta será por uma reforma do Judiciário que coíba o autoritarismo dos ministros.
O lulismo não tem herdeiros visíveis, o antipetismo ganhou vida própria, impelido também por um terceiro mandato entre pífio e desastroso de Lula, e o próprio chefão petista, adepto do depois de mim, o dilúvio, já admitiu a pelo menos um interlocutor que o seu partido não terá futuro condizente com o seu passado.
A esquerda terá de encontrar outras hegemonias depois do eventual fim melancólico de Lula, personagem onipresente há meio século na vida desta República conturbada.
O bolsonarismo, por sua vez, incrivelmente sem agremiação própria, já tem um presente vencedor e aponta para um horizonte promissor em um país cada vez mais avesso a assistencialismos eleitoreiros, mais simpático ao ideário conservador transmitido em ondas tropicais — e sempre disposto a relevar podridões de quem lhe atenda o mínimo de expectativas, como de hábito nos tristes trópicos.
Cresceu e multiplicou-se nos Estados, o bolsonarismo, e ele conta com um Tarcísio de Freitas que já se tornou figura nacional.
O governador de São Paulo humilhou Fernando Haddad nas urnas para além do esperado. Tivesse contado com o apoio de Jair Bolsonaro para ser o candidato presidencial, Tarcísio de Freitas bateria Lula com folga.
O ex-presidente, contudo, não quis abrir mão de ter o seu sobrenome nas urnas. Seja pelo desejo de manter a dominância na direita a qualquer preço, seja por medo de não contar com tanto empenho em prol da sua liberdade, Jair Bolsonaro arriscou-se com Flávio.
Em resumo
É jornalista e escritor brasileiro, conhecido por sua atuação em veículos de grande relevância no cenário jornalístico do país.
• Jair Bolsonaro, preso e incomunicável, é o grande vencedor do primeiro turno das eleições, avalia o jornalista Mario Sabino. • Enquanto o STF, seu algoz, se torna o grande perdedor. • Lula, que tentou eleger Fernando Haddad em 2018, agora enfrenta um bolsonarismo fortalecido, com Flávio Bolsonaro possivelmente se tornando presidente e buscando libertar o p
O grande vencedor do primeiro turno está preso e praticamente incomunicável: Jair Bolsonaro. O grande perdedor final já é o seu algoz, o STF.
Quando estava preso, em 2018, Lula queria sair da cadeia elegendo para o Palácio do Planalto o seu poste, um patético Fernando Haddad que se despiu da sua escassa persona pública para tentar convencer o eleitor de que era o chefão petista.
Lula não conseguiu o seu intento e se viu obrigado a contar com a conveniência de ministros do Supremo para ser libertado e voltar à arena eleitoral. Tornou-se refém existencial dos seus benfeitores.