Tecnologia · 2026-10-19 · Redação Notícia ES

Marlon Reguelin: 'Porque Lula – ele mesmo! – deveria ser de direita'

'Ele passou a vida combatendo, e em boa parte dos mandatos tolhendo, justamente os valores que tornaram a sua própria ascensão possível'

Marlon Reguelin: 'Porque Lula – ele mesmo! – deveria ser de direita'
Marlon Reguelin: 'Porque Lula – ele mesmo! – deveria ser de direita'

Esse perfil é dedicado ao grupo de redatores da Revista Oeste. Eles são os responsáveis pela produção dos textos que vão ao ar.

• Em artigo, Marlon Reguelin discute a complexa

• Em artigo, Marlon Reguelin discute a complexa relação de Luiz Inácio Lula da Silva com o capitalismo.

• O articulista destaca que, apesar de crítica ao sistema, a trajetória do petista é um exemplo de mobilidade social.

• Lula, um retirante nordestino que se tornou presidente, ilustra como o capitalismo pode permitir ascensão individual, mesmo para aqueles que o combatem, afirma o colunista.

Se há um tema controverso na sociedade do século

Se há um tema controverso na sociedade do século 21, esse é o capitalismo . Há quem ame, há quem odeie; o que não há é quem viva sem. Oras, não fosse o capitalismo, você, caro leitor, provavelmente não estaria lendo esse artigo na tela de seu smartphone ou computador.

Sendo Oeste um veículo heterogêneo e de projeção nacional/internacional como é, não é nenhum exagero afirmar que há tanto leitores apertados nos vagões de ônibus e metrôs, assim como outros bem acomodados em salas VIPs e classes executivas de voos internacionais.

Que outro sistema atual permite esse tipo de abrangência? Churchill dizia que o capitalismo distribui a riqueza de forma desigual, enquanto seu antagonista, o socialismo, põe todos em pé de miserável igualdade.

Olhando para o nosso quintal, um país onde o livre mercado é tão combatido, você talvez tenha soltado uma boa gargalhada ao ler o título desse artigo. Pois insisto. Não há maior garoto-propaganda do capitalismo brasileiro do que Lula.

+ Entenda como funciona a política brasileira no guia de Oeste

Não um banqueiro, não um “Faria Limer”, não um bilionário dono de montadora, não um barão do mercado financeiro… mas um retirante nordestino, torneiro mecânico radicado em São Bernardo do Campo e que passou 40 anos xingando o sistema que o construiu.

Luiz Inácio Lula da Silva (o mais improvável dentre os mais improváveis) talvez seja um dos maiores exemplos de como os valores de uma nação livre podem produzir ascensão individual.

O paradoxo seria cômico se não fosse trágico: Lula passou a vida combatendo, e em boa parte dos mandatos tolhendo, justamente os valores que tornaram a sua própria ascensão possível.

Valores que a esquerda, em sua enciclopédia de ofensas, resolveu chamar de “de direita”.

Fizeram dele o bastião da luta contra o capitalismo. A biografia, porém, conta uma história muito diferente.

O retirante nordestino que vira operário, líder sindical, candidato e, enfim, presidente da República não refuta o mundo livre. Demonstra a sua eficácia, ainda que involuntariamente, sejamos francos.

Pensemos friamente: se Lula tivesse crescido na Cuba de Fidel Castro, dificilmente teria virado líder sindical independente.

Primeiro pelo óbvio: não há muitas metalúrgicas nem grandes montadoras nas cercanias de Havana (nem comida tem direito!).

Mas sobretudo porque, nos regimes socialistas reais, sindicato não pertence ao trabalhador; pertence ao Estado. Na União Soviética, um “Lula” teria sido absorvido pela máquina do partido ou neutralizado por ela.

Na Venezuela chavista, na melhor das hipóteses viraria agitador domesticado pelos bolivarianos.

Mas Lula nasceu no Brasil industrializante do século 20: caótico, desigual, imperfeito, mas aberto o bastante para que um torneiro mecânico enfrentasse patrões, mobilizasse trabalhadores, fundasse um partido e chegasse ao Planalto pelo voto.

Registro, por honestidade, que o caminho não foi apenas de rosas. A ditadura militar o prendeu em meados de 1980, condenando-o a três anos e meio de prisão (processo que acabou prescrevendo).

Repare no detalhe: quem prende sindicalista é o Estado todo-poderoso, de farda ou de foice. Quem lhe dá fábrica, salário e palanque é o capital. E quem o elegeu, anos depois, foi a democracia que reabriu o país.

Isso não é teoria marxista. É a economia de mercado e a liberdade política funcionando, para o bem ou para o mal.

Foi o capitalismo industrial paulista, tão demonizado pela esquerda universitária, que criou o ambiente capaz de produzir o fenômeno Lula.

Sem os milhares de empregos de Volkswagen, Ford, Mercedes-Benz, Scania e de todo o parque do ABC, ele seria só mais um anônimo entre milhões de brasileiros pobres do século passado.

O próprio “novo sindicalismo” da época nasceu não da escassez socialista, mas da prosperidade industrial: um capitalismo que formou uma classe operária organizada, alfabetizada e estável o bastante para financiar o sindicalismo que, vejam só, passaria a atacá-lo.

Ludwig von Mises já avisava, em Ação Humana , que o capitalismo produz riqueza também para os seus adversários. O lulismo é uma das maiores provas brasileiras disso.

Há ainda outra contradição que poucos notam. A vida de Lula é uma afronta ao determinismo marxista, segundo o qual o indivíduo nasce, vive e morre preso às estruturas da sua classe.

Lula rompeu quase todas: filho de retirantes pobres. Sem diploma universitário. Operário metalúrgico. Acidentado em fábrica. Liderança nacional. Presidente da República. Três vezes.

Em resumo

O que aconteceu?

Esse perfil é dedicado ao grupo de redatores da Revista Oeste. Eles são os responsáveis pela produção dos textos que vão ao ar.

Qual é o ponto principal?

• Em artigo, Marlon Reguelin discute a complexa relação de Luiz Inácio Lula da Silva com o capitalismo. • O articulista destaca que, apesar de crítica ao sistema, a trajetória do petista é um exemplo de mobilidade social. • Lula, um retirante nordestino que se tornou presidente, ilustra como o capitalismo pode permitir ascensão individual, mesmo para aqueles

Quais são os dados mais importantes?

Se há um tema controverso na sociedade do século 21, esse é o capitalismo . Há quem ame, há quem odeie; o que não há é quem viva sem. Oras, não fosse o capitalismo, você, caro leitor, provavelmente não estaria lendo esse artigo na tela de seu smartphone ou computador.

Qual é o contexto?

Sendo Oeste um veículo heterogêneo e de projeção nacional/internacional como é, não é nenhum exagero afirmar que há tanto leitores apertados nos vagões de ônibus e metrôs, assim como outros bem acomodados em salas VIPs e classes executivas de voos internacionais. Que outro sistema atual permite esse tipo de abrangência? Churchill dizia que o capitalismo dist

Quais são os próximos desdobramentos?

Olhando para o nosso quintal, um país onde o livre mercado é tão combatido, você talvez tenha soltado uma boa gargalhada ao ler o título desse artigo. Pois insisto. Não há maior garoto-propaganda do capitalismo brasileiro do que Lula.

Fontes