“Medicina não é negócio”, diz Ludhmila ao defender OAB da Medicina
Médica criticou faculdades que oferecem formação inadequada e relatou receber profissionais já formados sem experiência em atendimentos de emergência; fala foi durante sanção de exame para exercício da medicina.

Médica criticou faculdades que oferecem formação inadequada e relatou receber profissionais já formados sem experiência em atendimentos de emergência; fala foi durante sanção de exame para exercício da medicina
Dados e contexto do setor
A médica e professora Ludhmila Hajjar criticou, na 6ª feira (6.nov.2026), a qualidade da formação médica no Brasil e defendeu a criação de mecanismos para avaliar os estudantes durante a graduação.
Segundo ela, há profissionais que concluem o curso sem experiência em atendimentos de emergência, como paradas cardíacas.
A declaração foi dada durante a cerimônia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei que estabelece a aprovação no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) como requisito para a obtenção do registro profissional de médico.
Impactos e informações adicionais
A avaliação foi apelidada de “OAB da Medicina” , em referência ao exame exigido para o exercício da advocacia. Leia a íntegra da Lei 15.527 de 2026 (PDF – 660 kB), que estabeleceu o exame obrigatório.
“Eu tenho certeza de que aquela mãe lá no interior, ao levar o seu filho, não vai sofrer uma iatrogenia, porque ali terá um médico capacitado e a escola que agiu como um negócio terá sido fechada, porque medicina não é negócio” , declarou.
Iatrogenia é o termo utilizado para designar danos à saúde provocados por intervenções médicas, incluindo complicações decorrentes de procedimentos, tratamentos ou erros na assistência.
Ludhmila afirmou que, em sua experiência como professora, tem observado um agravamento das deficiências na preparação dos profissionais.
“Nos últimos 3 anos, eu vivo o período no qual eu mais me assusto com os médicos que eu treino.
Eles vêm muitas vezes já formados, sem ter nunca atendido uma parada cardíaca, sem ter nunca visto um paciente em choque circulatório, sem ter nunca atendido um paciente que precisava de uma ventilação mecânica” , disse.
Assista à íntegra do discurso de Ludhmila Hajjar durante a cerimônia (5min07):
A médica também criticou a estrutura de determinadas instituições de ensino. Segundo ela, há faculdades que não dispõem de hospitais adequados para a formação prática dos estudantes nem de professores suficientemente qualificados.
“Nós vivemos as consequências desse período de moratória e de inúmeras escolas que nem sequer têm um hospital, que nem sequer têm um professor com doutorado, com capacitação para escutar aquele aluno, para ensinar aquele aluno” , afirmou.
A referência foi ao período de restrições à abertura de novos cursos de medicina, durante o qual instituições também recorreram à Justiça para obter autorização de funcionamento ou ampliação de vagas.
Assista à íntegra da cerimônia de sanção do Enamed (1h02):
Ludhmila defendeu que as avaliações sejam realizadas ao longo da graduação, e não apenas no momento em que o estudante conclui o curso.
Para ela, o modelo permitirá identificar deficiências no aprendizado antes que o profissional comece a atender pacientes.
“Nós não queremos só uma prova tipo OAB da medicina. O aluno não é culpado pela formação inadequada. O aluno muitas vezes é a principal vítima” , declarou.
A médica afirmou que a aplicação de exames no 2º, no 4º e no 6º ano permitirá acompanhar o desenvolvimento dos estudantes e corrigir problemas durante a formação.
Em resumo
Médica criticou faculdades que oferecem formação inadequada e relatou receber profissionais já formados sem experiência em atendimentos de emergência; fala foi durante sanção de exame para exercício da medicina
A médica e professora Ludhmila Hajjar criticou, na 6ª feira (6.nov.2026), a qualidade da formação médica no Brasil e defendeu a criação de mecanismos para avaliar os estudantes durante a graduação. Segundo ela, há profissionais que concluem o curso sem experiência em atendimentos de emergência, como paradas cardíacas.
A declaração foi dada durante a cerimônia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei que estabelece a aprovação no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) como requisito para a obtenção do registro profissional de médico.
“Eu tenho certeza de que aquela mãe lá no interior, ao levar o seu filho, não vai sofrer uma iatrogenia, porque ali terá um médico capacitado e a escola que agiu como um negócio terá sido fechada, porque medicina não é negócio” , declarou.
Iatrogenia é o termo utilizado para designar danos à saúde provocados por intervenções médicas, incluindo complicações decorrentes de procedimentos, tratamentos ou erros na assistência.