Mendonça retira sigilo de relatório da PF sobre mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro
Decisão do ministro André Mendonça tornou público material da investigação do Banco Master que reúne mensagens, registros de encontros e contratos; novos elementos serão submetidos ao plenário do STF.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou nesta terça-feira, 1º de setembro, o sigilo de parte das investigações relacionadas ao Banco Master que reúnem mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes. A publicidade dos autos abriu acesso a registros que até então circulavam de forma fragmentada em reportagens e passou a permitir a comparação entre mensagens, documentos contratuais e a cronologia descrita pela Polícia Federal.
O material foi obtido principalmente a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero. Segundo a apuração da PF divulgada após a decisão, investigadores identificaram um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA” e relacionaram a esse número mensagens enviadas pelo empresário em diferentes momentos da crise do Master.
Plenário do STF deverá examinar novos elementos
Ao retirar o sigilo, Mendonça encaminhou as informações à Procuradoria-Geral da República para manifestação. O ministro também indicou que pretende submeter os novos elementos ao plenário do Supremo, independentemente da conclusão inicial do Ministério Público, diante da presença de fatos que envolvem autoridade com prerrogativa de foro e de possíveis repercussões institucionais para a própria Corte.
A Agência Brasil informou que Mendonça defendeu análise colegiada das conversas em sessão pública. A data ainda depende de definição do presidente do STF, Edson Fachin. A medida altera o estágio do caso porque desloca parte da discussão de documentos sigilosos para um processo de escrutínio público e institucional.
Mensagens e encontros aparecem na cronologia
O relatório divulgado reúne referências a encontros entre Vorcaro e Moraes no fim de 2023, tratativas relacionadas ao escritório Barci de Moraes e mensagens enviadas pelo banqueiro em momentos de pressão regulatória e policial sobre o Master. Parte das conversas teria sido armazenada em notas no aparelho e transmitida em formato que dificultava a recuperação convencional pelo WhatsApp.
A Polícia Federal buscou identificar o interlocutor após determinação de Mendonça. A investigação também passou a cruzar esses contatos com contratos celebrados entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Um dos documentos, já conhecido, previa honorários milionários; outro, localizado no material apreendido, envolvia negociação relacionada a aeronaves.
O que dizem os envolvidos
A existência de mensagens enviadas para um número atribuído a Moraes não significa, por si só, comprovação de crime. A apuração precisa definir a autenticidade integral dos registros, o conteúdo de eventuais respostas, a finalidade dos contatos e se houve qualquer ato funcional praticado em benefício do empresário. Parte do relatório divulgado contém mensagens de Vorcaro sem apresentar, em todos os casos, as respostas do interlocutor.
O escritório Barci de Moraes afirmou que procedimentos internos de compliance incluíram avaliação sobre eventuais impedimentos decorrentes do cargo ocupado por Alexandre de Moraes. A banca sustenta que o ministro não julgou causas do Banco Master e contesta interpretações de que contratos ou consultas teriam representado interferência indevida em processos.
Operação Compliance Zero
As investigações sobre o Master apuram suspeitas de crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Vorcaro foi preso em novembro de 2025 e desde então o conteúdo de seus dispositivos eletrônicos passou a alimentar novas frentes de investigação, alcançando empresários, operadores, agentes públicos e pessoas com foro.
A retirada do sigilo não equivale a denúncia ou condenação. Ela permite que o relatório policial e as providências processuais sejam conhecidos, ao mesmo tempo em que o Supremo e a PGR avaliam quais fatos possuem relevância penal e quais demandam diligências adicionais. O próximo passo relevante será a manifestação da Procuradoria e a eventual discussão do material pelo plenário da Corte.