Justiça · 2026-09-27 · Redação Notícia ES

Mensagens indicam que BRB manteve negócios com Master após alertas

Diálogos obtidos pela Polícia Federal reforçam suspeitas sobre carteiras de crédito negociadas entre BRB e Banco Master.

Mensagens indicam que BRB manteve negócios com Master após alertas
Mensagens indicam que BRB manteve negócios com Master após alertas

Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, então presidentes do Banco Master e do BRB, discutiram em maio de 2025 como manter operações de crédito mesmo diante de pendências documentais. Os diálogos integram a investigação sobre as carteiras transferidas entre as duas instituições.

A Veja revelou neste domingo (27) novos trechos das conversas e do relatório policial. Uma apuração anterior da Folha de S.Paulo, baseada em documentos do caso tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal, já havia apontado que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master para comprar créditos e que a PF classificou R$ 12,2 bilhões desse montante como títulos falsos ou sem valor.

Segundo a nova reportagem, Costa pediu a Vorcaro cópias de contratos ligados a duas associações de servidores da Bahia. O dono do Master respondeu cobrando rapidez para concluir uma operação e reconheceu que a situação era crítica. Costa afirmou que não poderia avançar sem comprovações de averbação e mencionou o compromisso de não realizar novos negócios sem documentação e auditoria.

Os diálogos são evidência reunida pelos investigadores, mas não substituem julgamento judicial. A conclusão de que houve fraude é atribuída à Polícia Federal, e a responsabilidade individual de cada citado dependerá da análise do conjunto de provas, das manifestações das defesas e das decisões das autoridades competentes.

Alertas antecederam novas cessões

O relatório da PF descreve recompras sucessivas de carteiras pelo Master após a identificação de problemas nos créditos cedidos ao BRB. Entre as falhas apontadas estão ausência de documentos capazes de demonstrar o lastro, falta de consentimento de supostos devedores e dúvidas sobre a origem das obrigações. Mesmo assim, conforme os investigadores, novas cessões continuaram a ocorrer.

A cronologia dá peso aos diálogos. O Banco Central já havia identificado falhas na avaliação dos créditos e, em fevereiro de 2025, o BRB assinou um termo de ajustamento de conduta que previa correções e auditoria independente. A Folha informou que o banco ainda comprou cerca de R$ 4 bilhões em créditos depois desse acordo, enquanto a PF registrou que o apetite pelos ativos permaneceu elevado em maio daquele ano.

Documentos citados pela investigação também mostram que pareceres jurídicos internos haviam levantado objeções às compras. Para a PF, a pressa na assinatura de contratos, o fracionamento de operações e a flexibilização dos procedimentos de aprovação são elementos que precisam ser lidos em conjunto com as mensagens entre os executivos.

O BRB sustenta que a instituição foi vítima de atos criminosos e afirma que os antigos dirigentes não devem ser confundidos com a gestão atual. O banco informou ter substituído integralmente a diretoria que comandava a instituição no período das operações e declarou que busca ressarcimento de eventuais prejuízos e fortalecimento dos controles internos.

Relatório sustenta investigação federal

A apuração policial atribui a origem de parte das carteiras questionadas a estruturas associadas ao Master e investiga se créditos inexistentes foram apresentados como ativos regulares. Outras pessoas e empresas citadas no inquérito rejeitaram envolvimento ou contestaram as conclusões. A Cartos, por exemplo, afirmou à Folha que não originou, estruturou nem cedeu os títulos investigados.

As mensagens agora divulgadas não inauguram o caso, mas acrescentam um registro contemporâneo aos alertas. Elas mostram que obstáculos de averbação, documentação e auditoria estavam na mesa dos principais executivos antes da liquidação do Master, decretada em novembro de 2025, e antes de a extensão das perdas se tornar pública.

O ponto central da investigação será determinar se as advertências internas levaram a controles efetivos ou se foram apenas administradas para permitir a continuidade dos negócios. Essa distinção é decisiva para separar falhas de governança, decisões temerárias e eventuais condutas criminosas.

A Polícia Federal continua reunindo documentos e depoimentos no caso. Caberá ao Ministério Público avaliar possíveis acusações e ao Judiciário decidir sobre responsabilidades. Até que esse percurso seja concluído, os valores e as condutas descritos permanecem sob apuração, com direito de defesa assegurado aos investigados.

Em resumo

O que mostram as mensagens entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa?

Os diálogos indicam que os executivos discutiram operações de crédito em maio de 2025 enquanto havia pendências de averbação, documentação e auditoria.

Qual valor o BRB transferiu ao Banco Master?

Segundo documentos citados pela Folha, foram cerca de R$ 17 bilhões em compras de créditos; a PF classificou R$ 12,2 bilhões como títulos falsos ou sem valor.

Por que o caso está na editoria Justiça?

Porque as mensagens e os documentos integram uma investigação da Polícia Federal sobre possíveis fraudes nas carteiras negociadas entre os bancos.

O que diz a atual gestão do BRB?

O banco afirma ter sido vítima de atos criminosos, diz que substituiu os antigos dirigentes e busca ressarcimento de eventuais prejuízos.

Quais são os próximos passos?

A PF deve continuar a apuração; o Ministério Público avaliará eventuais acusações e o Judiciário decidirá sobre responsabilidades individuais.

Fontes