Economia · 2026-11-02 · Redação Notícia ES

Mercado chega à semana do Copom com expectativa por fim do corte de juros

Após dias de intensa reprecificação de cenários, agentes econômicos apontam alta na percepção de riscos, principalmente com relação à política fiscal e desancoragem da inflação

Mercado chega à semana do Copom com expectativa por fim do corte de juros
Mercado chega à semana do Copom com expectativa por fim do corte de juros

O cenário que estava praticamente dado pelo mercado financeiro para a trajetória da taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, marcada para esta quarta-feira (4), praticamente se inverteu ao longo das últimas semanas e após o 2º turno das eleições.

Os números do levantamento

A vitória do presidente Lula nas eleições -- somada a uma série de riscos inflacionários internos e externos -- fez com que agentes econômicos, bancos e corretoras saíram da aposta majoritária de queda de 0,25 ponto percentual da Selic em novembro, para uma decisão favorável à manutenção dos juros em 13,75% ao ano.

Um dos principais termômetros para essa nova aposta são as opções de Copom negociadas na B3, a bolsa brasileira - que reforçam o peso da decisão eleitoral nos modelos de projeções do mercado.

Antes do 2º turno, a probabilidade de corte da Selic em novembro atingia patamares acima dos 70%. Após o resultado do pleito, as opções indicam probabilidade implícita de 68,8% de manutenção da taxa básica de juros.

Impactos e informações adicionais

As opções de Copom não representam uma projeção oficial da B3, mas são extraídas dos preços negociados nos contratos e refletem quanto os participantes estavam dispostos a pagar por cada cenário na data de referência.

O Itaú Unibanco, que projeta manutenção da Selic na reunião desta quarta, aponta a expectativa de que o Copom mencione uma moderação gradual da atividade econômica, mas sem citar que a atividade ainda se encontra em patamar resiliente.

A instituição também enxerga uma piora do ponto de vista qualitativo na divulgação do IPCA-15 de outubro e prevê que o comitê reconhecerá um distanciamento maior das expectativas de inflação em relação à meta.

"Esperamos que o Copom comunique uma interrupção do ciclo de cortes de juros com manutenção da taxa Selic em 13,75%, em decisão unânime.

O comitê deve notar que o contexto global adverso, a desancoragem adicional das expectativas de inflação e os riscos elevados em torno do cenário base exigem cautela e perseverança no cumprimento de seu mandato", conclui.

O HSBC espera que a taxa Selic termine 2026 no patamar atual de 13,75%. A projeção é de juros inalterados até março de 2027.

O banco vê a situação das contas públicas como fundamental para projeções futuras da economia brasileira, e espera um BC cauteloso até o anúncio de medidas para o quarto mandato do presidente Lula.

"É improvável que surjam medidas claras para conter os gastos públicos antes das reuniões do Copom de novembro e dezembro.

Enquanto isso, os riscos de inflação aumentaram, com preços mais altos de energia e alimentos, custos crescentes dos subsídios aos combustíveis e o possível impacto de uma semana de trabalho mais curta", aponta o HSBC em relatório.

As expectativas de inflação de médio e longo prazo devem deteriorar ainda mais, segundo a entidade. A projeção é de que o Banco Central incorpore explicitamente os riscos fiscais na avaliação de inflação.

O banco revisou as projeções futuras e espera que a Selic termine 2027 em 12,50%. Para o IPCA, espera-se que o índice termine em 5,1% em 2026 e 5% em 2027, já a previsão para crescimento do PIB também sofreu corte para 1,6% ao fim deste ano e 0,6% para o ano que vem.

"O principal risco é que as expectativas de inflação se desancorem. Com as taxas de inflação de equilíbrio já subindo acentuadamente e a incerteza fiscal permanecendo elevada, os participantes do mercado podem questionar o compromisso do BC com a meta de inflação", aponta.

Mas para além da eleição e das dúvidas relacionadas ao próximo governo Lula, as pressões contra o BC vêm de fora, com a continuidade das guerras da Ucrânia e do Irã pressionando os preços do petróleo e dos demais combustíveis.

O Itaú BBA destaca que o cenário internacional deixou de ser "incerto" e passou para "adverso".

Em resumo

O que aconteceu?

O cenário que estava praticamente dado pelo mercado financeiro para a trajetória da taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, marcada para esta quarta-feira (4), praticamente se inverteu ao longo das últimas semanas e após o 2º turno das eleições.

Qual é o ponto principal?

A vitória do presidente Lula nas eleições -- somada a uma série de riscos inflacionários internos e externos -- fez com que agentes econômicos, bancos e corretoras saíram da aposta majoritária de queda de 0,25 ponto percentual da Selic em novembro, para uma decisão favorável à manutenção dos juros em 13,75% ao ano.

Quais são os dados mais importantes?

Um dos principais termômetros para essa nova aposta são as opções de Copom negociadas na B3, a bolsa brasileira - que reforçam o peso da decisão eleitoral nos modelos de projeções do mercado.

Qual é o contexto?

Antes do 2º turno, a probabilidade de corte da Selic em novembro atingia patamares acima dos 70%. Após o resultado do pleito, as opções indicam probabilidade implícita de 68,8% de manutenção da taxa básica de juros.

Quais são os próximos desdobramentos?

As opções de Copom não representam uma projeção oficial da B3, mas são extraídas dos preços negociados nos contratos e refletem quanto os participantes estavam dispostos a pagar por cada cenário na data de referência.

Fontes