Mercado espera urnas para recalibrar ativos
Analistas avaliam que pesquisas já influenciam preços e que uma reação intensa dependerá de surpresa eleitoral, cenário fiscal e composição do Congresso.

O mercado financeiro chega ao primeiro turno das eleições deste domingo (4) com parte relevante dos cenários das pesquisas já refletida nos preços. Analistas avaliam que uma mudança forte em dólar, Bolsa e juros dependerá de surpresa nas urnas ou de novas sinalizações econômicas.
A análise foi publicada pelo Poder360 neste sábado (3), com opiniões de profissionais de investimentos e do mercado de capitais. Levantamentos do InfoMoney e da Folha de S.Paulo também indicam que o resultado do primeiro turno, a composição do Congresso e a credibilidade fiscal devem orientar os negócios na segunda-feira.
Na última sessão antes da votação, o Ibovespa subiu 2,62% e encerrou aos 192.114 pontos. O dólar terminou perto de R$ 5,22. O comportamento dos ativos também respondeu a dados dos Estados Unidos, o que mostra que o efeito eleitoral será analisado junto com o ambiente externo.
Surpresa eleitoral pode mover preços
Os especialistas consideram que uma diferença entre os candidatos maior ou menor do que a indicada nas pesquisas pode produzir ajuste imediato. O primeiro turno costuma revelar não apenas a força real de cada presidenciável, mas também o tamanho das bancadas que participarão das negociações do próximo governo.
Um estudo do Bradesco BBI sobre cinco eleições anteriores apontou que surpresas no primeiro turno e a composição do Congresso tiveram impacto maior sobre ações, câmbio e juros do que a confirmação posterior do vencedor. A leitura ajuda a explicar por que investidores observam a distância entre candidaturas e o resultado das disputas legislativas.
A curva de juros futuros deve ser um dos principais termômetros. Se o resultado ampliar a percepção de risco para as contas públicas, os contratos de prazo mais longo podem subir. Caso o mercado enxergue maior previsibilidade fiscal, o prêmio exigido pelos investidores tende a diminuir.
Bolsa e câmbio podem reagir na mesma direção, mas não obedecem apenas à política brasileira. Emprego e juros nos Estados Unidos, preço do petróleo, fluxo estrangeiro e desempenho de outras moedas também influenciam as cotações e podem reforçar ou limitar o movimento local.
Fiscal e Congresso ganham peso
Depois da reação inicial, a atenção deverá migrar para dívida pública, controle de gastos, regras fiscais e nomes cogitados para a equipe econômica. Propostas eleitorais sem indicação de fonte de receita ou de redução de despesas costumam aumentar a incerteza sobre a capacidade de execução.
O Congresso eleito será parte central desse cálculo. O próximo presidente dependerá de maioria para aprovar o Orçamento, mudanças tributárias e eventuais reformas. Neste pleito, 54 das 81 cadeiras do Senado estão em disputa, além da renovação integral da Câmara dos Deputados.
O custo do dinheiro já impõe restrições à atividade. Com a Selic em 13,75% ao ano, empresas enfrentam crédito mais caro e projetos de longo prazo exigem retorno maior. Startups e fundos de capital de risco também sentem a redução do apetite por investimentos mais incertos.
O movimento de segunda-feira, portanto, será uma primeira avaliação, não um veredito definitivo. A trajetória dos ativos dependerá da diferença entre o resultado e as expectativas, das alianças formadas no Legislativo e da capacidade dos candidatos de apresentar um programa econômico viável para 2027.
Em resumo
Analistas avaliam que parte importante das pesquisas já está refletida nos preços dos ativos.
Uma surpresa nas urnas ou sinais inesperados sobre política fiscal e equipe econômica.
A curva de juros futuros, especialmente nos vencimentos mais longos.
O próximo governo dependerá de maioria para aprovar Orçamento, reformas e medidas econômicas.
Não. Ela será uma leitura inicial e continuará sujeita às alianças e aos planos apresentados após a votação.