Economia · 2026-10-31 · Redação Notícia ES

Mercado reavalia riscos fiscais após queda de 18% do Ibovespa

Bolsa brasileira passa por reprecificação de ativos após reeleição de Lula; mercado aguarda novos sinais para comando da Fazenda e política fiscal

Mercado reavalia riscos fiscais após queda de 18% do Ibovespa
Mercado reavalia riscos fiscais após queda de 18% do Ibovespa

O Ibovespa encerrou a semana seguinte ao segundo turno das eleições presidenciais com perda acumulada superior a 18%, segundo balanço publicado pela CNN Brasil. O recuo veio acompanhado de valorização do dólar e elevação dos juros futuros, em meio a dúvidas sobre a condução da política econômica no próximo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

Reação do mercado após a eleição

A segunda-feira (26), primeiro dia de negociação após a votação, concentrou o movimento mais brusco: o índice cedeu quase 14% e a Bolsa acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente os negócios em episódios de queda intensa.

Nos pregões seguintes, o Ibovespa passou a oscilar na faixa de 167 mil a 169 mil pontos. Apesar da desvalorização recente, o índice ainda acumulava alta aproximada de 4% no ano, conforme os dados apresentados na reportagem.

Entre 23 e 30 de outubro, o valor de mercado das empresas listadas na B3 diminuiu cerca de R$ 963 bilhões, ou 16,94%, segundo levantamento da Elos Ayta citado pela CNN Brasil. A retração quase anulou os R$ 972 bilhões acrescentados desde o fim de 2025 até 23 de outubro.

Setores afetados e próximas decisões

Varejo, construção e mercado imobiliário, bancos e companhias de menor capitalização estiveram entre os grupos mais afetados. A analista Bruna Sene, da Rico, relacionou essa vulnerabilidade à dependência de crédito e às perspectivas para os juros. Exportadoras e empresas de commodities tiveram parte das perdas amortecidas pelo câmbio e pelo petróleo.

Gustavo Cruz, diretor de investimentos da Sincra, observou à CNN Money que as posições expressivas de investidores brasileiros e estrangeiros em ativos locais contribuíram para ampliar a reação. A instabilidade também coincidiu com preocupação internacional sobre resultados de empresas de tecnologia, preços do petróleo e tensões geopolíticas.

O foco agora recai sobre a composição da equipe econômica, os sinais para as contas públicas e a próxima decisão do Banco Central. Na avaliação de Bruna Centeno, da Blue3 Investimentos, a manutenção dos juros poderia transmitir cautela diante dos riscos, enquanto um corte inesperado poderia aumentar a preocupação do mercado.

Em resumo

O que aconteceu?

O Ibovespa caiu mais de 18% na semana posterior ao segundo turno presidencial de 2026, de acordo com dados apresentados pela CNN Brasil.

Qual é o ponto principal?

Investidores reavaliaram o risco fiscal e as perspectivas para os juros, num período de alta do dólar e perdas nas ações brasileiras.

Quais são os dados mais importantes?

A queda de quase 14% no pregão de 26 de outubro acionou o circuit breaker. Um levantamento da Elos Ayta apontou perda de cerca de R$ 963 bilhões em valor de mercado entre 23 e 30 de outubro.

Qual é o contexto?

O Ibovespa passou a negociar na faixa de 167 mil a 169 mil pontos. Setores dependentes de crédito sofreram mais, enquanto exportadoras tiveram algum amortecimento pelo câmbio.

Quais são os próximos desdobramentos?

O mercado acompanha a definição da equipe econômica, os sinais de política fiscal e a decisão do Banco Central sobre os juros.

Fontes