Economia · 2026-10-21 · Redação Notícia ES

Mercado reduz apostas antes do segundo turno

Gestores diminuem posições e preveem volatilidade após a eleição, enquanto cobram sinais fiscais concretos dos dois candidatos.

Mercado reduz apostas antes do segundo turno
Mercado reduz apostas antes do segundo turno

Gestores e economistas reduziram apostas em ativos brasileiros nesta semana, à espera do segundo turno presidencial de domingo (25). Depois da forte valorização da Bolsa e do real após a primeira votação, o mercado passou a incorporar uma disputa mais apertada e o risco de movimentos bruscos na abertura de segunda-feira.

O InfoMoney reuniu nesta quarta-feira (21) projeções de diferentes casas para os cenários de vitória de Flávio Bolsonaro ou reeleição de Lula. Dados recentes divulgados pelo UOL e análises de mercado publicadas após o primeiro turno confirmam que câmbio, juros futuros e Ibovespa vêm reagindo ao noticiário eleitoral, sem trajetória linear.

Preços refletem cenário apertado

A leitura predominante entre os entrevistados é que uma vitória de Flávio ainda produziria reação positiva, mas menor que a registrada após o primeiro turno. Parte dessa expectativa já entrou nos preços. Com a redução da vantagem indicada pelas pesquisas, investidores devolveram uma parcela dos ganhos e diminuíram posições antes da votação.

Alguns gestores estimam dólar próximo de R$ 4,80 e queda dos juros longos numa eventual troca de governo. Há projeções mais otimistas para o Ibovespa, entre 220 mil e 250 mil pontos. Esses números são cenários de instituições privadas, não garantias; dependem do resultado, da equipe econômica e das medidas apresentadas depois da eleição.

Para uma vitória de Lula, os entrevistados veem risco de correção mais intensa, associado às dúvidas sobre despesas e trajetória da dívida. A reação, contudo, não seria determinada apenas pelo nome do vencedor. Uma sinalização fiscal convincente, composição do ministério e capacidade de aprovação no Congresso podem alterar rapidamente o preço dos ativos.

A incerteza levou algumas gestoras a zerar posições montadas depois do primeiro turno. Outras mantiveram exposição reduzida, reconhecendo que o ganho potencial ficou menor diante do risco. O comportamento ilustra a diferença entre expectativa eleitoral e fundamentos: o mercado pode reagir em minutos, enquanto o resultado econômico de um governo depende de decisões executadas por anos.

Fiscal define reação duradoura

Flávio promete cortar R$ 200 bilhões em despesas, mas ainda precisa detalhar prazos, programas atingidos e apoio parlamentar. Lula defende continuidade de políticas sociais e investimentos, enquanto enfrenta cobrança por controle da dívida e compatibilidade entre novas despesas e metas orçamentárias. Em ambos os casos, a execução vale mais que o slogan.

Juros longos são observados como medida da confiança na capacidade do governo de pagar suas obrigações sem pressionar a inflação. Quando essa confiança melhora, as taxas tendem a cair e ativos de risco ganham espaço. Quando piora, dólar e juros podem subir, encarecendo crédito para empresas e famílias.

As previsões também precisam ser lidas com cautela porque algumas fontes falaram sem identificação. O anonimato pode proteger profissionais, mas reduz a possibilidade de avaliar histórico, conflitos e exposição financeira. Projeções divulgadas durante uma eleição devem vir acompanhadas de premissas e da informação de que o próprio entrevistado pode ter posições beneficiadas pela oscilação.

A primeira reação será conhecida depois da apuração, mas sua duração dependerá das decisões anunciadas nas semanas seguintes. Equipe econômica, proposta de Orçamento, relação com o Congresso e metas de dívida serão mais relevantes para a trajetória de médio prazo do que a euforia ou o medo da primeira sessão após o voto.

Em resumo

Por que gestores reduziram posições?

A disputa eleitoral apertada elevou o risco de movimentos bruscos e reduziu o prêmio disponível após a alta do primeiro turno.

O que o mercado espera com vitória de Flávio?

Entrevistados preveem possível alta da Bolsa e valorização do real, condicionadas à apresentação de um ajuste fiscal executável.

Qual é o risco apontado numa vitória de Lula?

Gestores citam uma correção mais forte dos ativos caso persistam dúvidas sobre gastos, dívida pública e cumprimento das metas fiscais.

As projeções de dólar e Bolsa são garantidas?

Não. São cenários privados sujeitos ao resultado eleitoral, às medidas do novo governo e às condições externas.

O que definirá a reação de médio prazo?

Equipe econômica, Orçamento, metas de dívida, relação com o Congresso e execução das promessas fiscais.

Fontes