Mercado vê fim do corte de juros e discute possível alta da Selic
Gestores e economistas avaliam que piora fiscal e disparada do dólar após resultado eleitoral pressionam as perspectivas de inflação

O resultado inesperado das eleições presidenciais e a forte deterioração dos ativos financeiros devem desautorizar a continuidade dos cortes de juros pelo Banco Central.
Discussão agora é se a autoridade monetária vai precisar
Segundo gestores e economistas ouvidos pela CNN , a discussão agora é se a autoridade monetária vai precisar subir a taxa Selic em resposta ao cenário fiscal pior e à disparada do dólar em relação ao real.
“Cortar o juro agora seria uma completa irresponsabilidade”, afirma o economista de um grande banco, que prefere não ser identificado. Uma alta da Selic não é o cenário base dos economistas. Mas, a depender da evolução do clima negativo dos ativos, esse risco pode crescer .
O ponto central dessa leitura é que, ao longo da campanha, o governo adotou um amplo pacote de bondades que elevou os gastos públicos e piorou o quadro fiscal para 2027 .
Até sexta-feira, os cenários traçados pelos analistas consideravam
Até sexta-feira, os cenários traçados pelos analistas consideravam que haveria uma mudança de governo e, consequentemente, de política fiscal . Sem essa perspectiva, as contas mudam — tanto para o preço justo dos ativos quanto para as projeções de inflação.
Uma das mudanças no fim da campanha foi a aprovação do projeto que acaba com a escala 6x1. Nas contas dos economistas, só essa medida deve acrescentar cerca de 0,3 ponto percentual à inflação de 2027. Além disso, a desvalorização do real agrava a pressão sobre os preços.
É bom lembrar que o governo vem recorrendo a subsídios para impedir o repasse da alta dos preços dos combustíveis, especialmente do diesel, à população. Só que esses subsídios não vão durar para sempre, e sua suspensão trará efeitos difíceis de prever sobre os índices de preços.
Esse conjunto de fatores preocupa o mercado e ajuda a explicar boa parte do forte ajuste na curva de juros nesta segunda-feira — que, segundo especialistas, ocorre com intensidade duas vezes maior do que a observada no chamado Joesley Day, o choque no mercado em 18 de maio de 2017, após a revelação de uma gravação de Joesley Batista com Michel Temer , que provocou disparada do dólar e queda da Bolsa.
"Os caminhos agora parecem uma alta de juros para conter a piora das expectativas ou uma mudança da meta. Sem dúvida, a segunda hipótese só pioraria as coisas", afirma o gestor de um grande fundo de São Paulo.
O resultado inesperado das eleições presidenciais e a forte deterioração dos ativos financeiros devem desautorizar a continuidade dos cortes de juros pelo Banco Central.
Segundo gestores e economistas ouvidos pela CNN , a discussão agora é se a autoridade monetária vai precisar subir a taxa Selic em resposta ao cenário fiscal pior e à disparada do dólar em relação ao real.
Em resumo
O resultado inesperado das eleições presidenciais e a forte deterioração dos ativos financeiros devem desautorizar a continuidade dos cortes de juros pelo Banco Central.
Segundo gestores e economistas ouvidos pela CNN , a discussão agora é se a autoridade monetária vai precisar subir a taxa Selic em resposta ao cenário fiscal pior e à disparada do dólar em relação ao real.
“Cortar o juro agora seria uma completa irresponsabilidade”, afirma o economista de um grande banco, que prefere não ser identificado. Uma alta da Selic não é o cenário base dos economistas. Mas, a depender da evolução do clima negativo dos ativos, esse risco pode crescer .
O ponto central dessa leitura é que, ao longo da campanha, o governo adotou um amplo pacote de bondades que elevou os gastos públicos e piorou o quadro fiscal para 2027 .
Até sexta-feira, os cenários traçados pelos analistas consideravam que haveria uma mudança de governo e, consequentemente, de política fiscal . Sem essa perspectiva, as contas mudam — tanto para o preço justo dos ativos quanto para as projeções de inflação.