Tecnologia

Meta atribui a falhas técnicas queda no alcance de posts de Lula

Empresa nega favorecimento eleitoral e diz que problemas não atingiram apenas o Brasil; TSE exige logs, métricas e explicações sobre anúncios.

2026-10-12T02:49:19.723Z · Redação Notícia ES
Meta atribui a falhas técnicas queda no alcance de posts de Lula

A Meta afirmou neste domingo (11) que problemas técnicos explicam falhas relatadas pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva na distribuição de publicações no Facebook e no Instagram. A empresa negou beneficiar Flávio Bolsonaro no segundo turno e disse estar comprometida com a aplicação isonômica de suas regras.

O Poder360 publicou a manifestação da companhia e informou que o Tribunal Superior Eleitoral concedeu prazo de 48 horas para esclarecimentos. A Agência Brasil confirmou a resposta e registrou a contestação do PT, enquanto o UOL detalhou os dados e registros técnicos exigidos pelo tribunal.

A declaração da Meta veio depois de a campanha de Lula acionar o TSE e a Agência Nacional de Proteção de Dados. A coligação atribui a restrições seletivas a queda na entrega de conteúdo, interrupções na contagem de visualizações e a desativação de uma conta de anúncios. A empresa sustenta que parte dos problemas também atingiu outros mercados e contas.

Tribunal cobra registros técnicos

A ordem judicial exige a preservação de logs de moderação, dados de anúncios e métricas vinculadas ao caso. A plataforma deverá informar medidas aplicadas desde 16 de agosto aos perfis oficiais de Lula e a contas de terceiros, incluindo eventual redução de alcance, exclusão de recomendações ou restrição em mecanismos de busca.

O TSE também pediu explicações sobre anomalias nas métricas de vídeos publicados em 7 de outubro e sobre a desabilitação da conta de anúncios da campanha em 23 de setembro. Outra frente envolve uma rede de 255 perfis no Instagram que, segundo a coligação, teria usado inteligência artificial para distribuir material contrário ao presidente.

A resposta pública da Meta não apresentou, nos textos consultados, documentação técnica capaz de demonstrar quais sistemas falharam, por quanto tempo e com que alcance. A frase “problemas técnicos” descreve a causa alegada, mas não substitui os logs, comparações e critérios pedidos pelo tribunal. É essa documentação que permitirá testar a versão da empresa.

Engajamento não prova interferência

Um levantamento da comunicação do PT afirma que o perfil de Flávio teve, em média, 2,96 vezes mais engajamento que o de Lula, apesar de possuir 17,2% menos seguidores. A diferença chama atenção, mas não comprova sozinha manipulação da plataforma: formato, horário, impulsionamento, reação do público e distribuição algorítmica podem produzir resultados distintos.

Da mesma forma, reconhecer falhas técnicas não significa admitir favorecimento eleitoral. Para estabelecer tratamento desigual, será necessário comparar os mesmos tipos de conteúdo, as regras aplicadas a cada candidatura e os eventos registrados nos sistemas. O tribunal ainda oficiou a Agência Lupa e o Instituto Democracia em Xeque para que apresentem a metodologia dos levantamentos usados no processo.

Depois da manifestação da Meta, a coligação de Lula e a Procuradoria-Geral Eleitoral terão prazo para se pronunciar antes da análise do pedido urgente. Até essa etapa, há duas posições verificáveis: a campanha relata restrições seletivas e pede investigação; a empresa nega interferência e atribui as ocorrências a falhas técnicas. A conclusão dependerá da auditoria dos registros, não apenas das versões públicas das partes.