Economia · 2026-10-24 · Redação Notícia ES

Meta de R$ 100 mil exige até R$ 3.851 por mês

Simulação considera juros em queda e mostra diferença mensal entre letras de crédito, CDB, Tesouro Selic e poupança ao longo de 24 meses.

Meta de R$ 100 mil exige até R$ 3.851 por mês
Meta de R$ 100 mil exige até R$ 3.851 por mês

Uma simulação divulgada neste sábado (24) estima que o investidor precisa aplicar entre R$ 3.726 e R$ 3.851 por mês para acumular R$ 100 mil em dois anos. O valor varia conforme o produto, a tributação e a trajetória dos juros considerada ao longo dos 24 meses.

O InfoMoney encomendou os cálculos ao educador financeiro Matheus Oka, da Fire|ce, com base nos contratos de DI futuro negociados na B3 no fechamento de 20 de outubro. O Banco Central informa que a Selic orienta juros de empréstimos, financiamentos e aplicações, embora cada produto tenha regras próprias.

A conta considerou CDI médio de 12,6% ao ano no período, abaixo do patamar observado no momento da simulação. A hipótese reflete a expectativa de redução gradual dos juros. Se a rentabilidade cai, os rendimentos compostos contribuem menos, e uma parcela maior da meta precisa vir dos depósitos mensais.

Juros menores elevam esforço mensal

Entre as alternativas comparadas, LCI ou LCA pagando 90% do CDI exigiriam aporte de R$ 3.726. Um CDB a 100% do CDI demandaria R$ 3.758, enquanto o Tesouro Selic ficaria próximo, em R$ 3.761. Na poupança, o esforço mensal subiria para R$ 3.851.

Oka também refez a conta supondo Selic estável em 13,75% durante todo o prazo. Nesse cenário, o depósito mensal seria cerca de R$ 36 menor. A diferença acumulada alcançaria aproximadamente R$ 860, mostrando por que projetar dois anos apenas com a taxa atual pode subestimar o valor necessário.

A meta exige disciplina porque 24 meses são um prazo curto para os juros compostos. Mesmo na alternativa mais favorável da tabela, os aportes somariam R$ 89.424 antes dos rendimentos. A maior parte dos R$ 100 mil, portanto, viria do dinheiro efetivamente separado pelo investidor, não apenas da remuneração.

O cálculo parte de aplicações mensais regulares e das taxas projetadas. Mudanças na curva de juros, no percentual pago por um CDB ou letra de crédito, na Taxa Referencial e nos custos podem alterar o resultado. A simulação também não substitui a comparação de liquidez, prazo de carência e risco de crédito.

Produtos mudam o resultado líquido

LCI e LCA lideraram a tabela por serem isentas de Imposto de Renda para pessoa física. Um título que paga 90% do CDI pode superar um CDB de 100% quando a tributação é descontada. A vantagem, porém, precisa ser comparada com vencimento, disponibilidade de resgate e cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

CDB e Tesouro Selic ficaram praticamente empatados. O título público acompanha a taxa básica, mas a cobrança de custódia da B3 sobre a parcela do saldo acima de R$ 10 mil reduz parte da diferença. Já a poupança preserva isenção e simplicidade, porém apresentou a menor rentabilidade no cenário analisado.

A comparação não aponta um investimento universalmente melhor. A escolha depende do prazo em que o dinheiro será usado, da necessidade de acesso antecipado e do risco aceito. Para uma meta com data definida, revisar a projeção periodicamente e ajustar o aporte evita que uma queda maior dos juros deixe o objetivo abaixo do valor planejado.

Em resumo

Quanto guardar por mês para chegar a R$ 100 mil?

A simulação aponta aportes entre R$ 3.726 e R$ 3.851 durante 24 meses, conforme o investimento escolhido.

Qual opção exigiu o menor aporte?

LCI ou LCA a 90% do CDI ficaram em R$ 3.726 mensais por causa da isenção de Imposto de Renda.

Quanto seria necessário na poupança?

O cálculo estimou R$ 3.851 por mês, o maior aporte entre os produtos comparados.

Por que a queda da Selic aumenta o aporte?

Juros menores reduzem o rendimento acumulado, fazendo com que mais dinheiro precise sair dos depósitos mensais.

A simulação garante o resultado?

Não. Taxas, custos, tributação, liquidez e a trajetória efetiva dos juros podem mudar durante os dois anos.

Fontes