Política Nacional · 2026-10-17 · Redação Notícia ES

Meta lidera gastos eleitorais com impulsionamento

Campanhas declararam R$ 282,4 milhões em pagamentos diretos à empresa até 14 de outubro, segundo dados do TSE compilados pela imprensa.

Meta lidera gastos eleitorais com impulsionamento
Meta lidera gastos eleitorais com impulsionamento

A Meta tornou-se a empresa que mais recebeu recursos das campanhas brasileiras de 2026, com R$ 282,4 milhões em pagamentos diretos declarados à Justiça Eleitoral entre agosto e 14 de outubro. O valor corresponde principalmente ao impulsionamento de conteúdos no Facebook e no Instagram durante a disputa nacional.

O levantamento foi publicado pela Folha de S.Paulo com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral e comparado com apurações anteriores de Veja e UOL. As cifras são parciais, porque candidaturas ainda podem atualizar suas prestações de contas e registrar novas despesas da reta final.

Além dos pagamentos feitos diretamente à Facebook Serviços Online do Brasil, campanhas declararam R$ 99 milhões à DLocal, empresa de pagamentos usada na intermediação de impulsionamento digital. Esse montante não deve ser somado automaticamente à receita direta da Meta sem identificar o destino final de cada operação.

Pagamentos cresceram durante campanha

No começo de outubro, a Veja havia calculado que a Meta recebera ao menos R$ 236 milhões somente no primeiro turno. Em 24 de setembro, o UOL registrava R$ 167,3 milhões declarados à companhia. A sequência mostra o avanço das despesas conforme as campanhas ampliaram anúncios antes e depois da primeira votação.

Entre os candidatos à Presidência, Flávio Bolsonaro declarou R$ 7,5 milhões em 13 pagamentos diretos à empresa, realizados entre 8 e 30 de setembro. Luiz Inácio Lula da Silva aparecia em seguida, com R$ 2,6 milhões. Os dados não incluem necessariamente toda a publicidade intermediada por outras prestadoras.

O impulsionamento permite que uma campanha pague para exibir publicações a um público maior ou segmentado. A Biblioteca de Anúncios oferece informações sobre patrocinadores, período e faixas de investimento, enquanto a prestação de contas ao TSE registra as despesas declaradas pelas candidaturas.

O volume gasto, porém, não funciona como garantia de vitória. Entre as dez candidaturas que mais pagaram diretamente à Meta, algumas foram eleitas e outras perderam suas disputas. Alcance contratado, conteúdo, rejeição, cenário local e mobilização fora das plataformas também influenciam o resultado eleitoral.

Impulsionamento amplia alcance eleitoral

A liderança da empresa como fornecedora de campanhas ocorre em meio a questionamentos sobre a distribuição de conteúdo político. O TSE reuniu-se com representantes da Meta em 15 de outubro e defendeu paridade de tratamento entre as candidaturas presidenciais na reta final do segundo turno.

A Folha informou que a companhia foi procurada para comentar os valores e não respondeu sobre a receita eleitoral. Em comunicado separado, a Meta negou interferência na disputa e afirmou que restrições observadas por anunciantes decorreram de incidentes técnicos revertidos em 10 de outubro.

Os números devem ser lidos como um retrato da prestação de contas disponível até 14 de outubro, e não como balanço definitivo da eleição. A consolidação dependerá das atualizações feitas por candidatos e partidos e da análise posterior da Justiça Eleitoral sobre documentos, fornecedores e pagamentos.

Em resumo

Quanto as campanhas declararam à Meta?

Foram R$ 282,4 milhões em pagamentos diretos declarados entre o início da campanha e 14 de outubro.

Os valores já são definitivos?

Não. As prestações de contas ainda podem ser atualizadas pelas candidaturas e partidos.

Quem mais pagou diretamente à empresa na disputa presidencial?

Flávio Bolsonaro declarou R$ 7,5 milhões, seguido por Lula, com R$ 2,6 milhões, segundo o levantamento.

O que é impulsionamento eleitoral?

É o pagamento para ampliar e segmentar a exibição de publicações políticas nas plataformas digitais.

Gastar mais garante vitória?

Não. Entre os maiores pagadores havia candidatos eleitos e derrotados, indicando que a despesa não determina sozinha o resultado.

Fontes