Política Nacional · 2026-10-11 · Redação Notícia ES

Meta nega interferência e TSE cobra explicações técnicas

Empresa atribuiu a falhas técnicas as restrições relatadas pela campanha de Lula; TSE pediu dados de alcance, moderação e anúncios antes de decidir o pedido urgente.

Meta nega interferência e TSE cobra explicações técnicas
Meta nega interferência e TSE cobra explicações técnicas

A Meta negou ter interferido na campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva e atribuiu a problemas técnicos as restrições relatadas pela coligação do candidato. A resposta foi apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral neste fim de semana, após ordem para explicar o funcionamento de contas, anúncios e publicações.

A Revista Oeste informou que a empresa classificou como falsas as acusações de favorecimento a Flávio Bolsonaro. IstoÉ e Folha de S.Paulo confirmaram que o TSE concedeu 48 horas para a entrega de explicações técnicas e determinou a preservação de dados relacionados à moderação e à distribuição de conteúdo.

A campanha de Lula afirma ter enfrentado redução de alcance, dificuldade para impulsionar publicações e desativação temporária de uma conta de anúncios. A coligação sustenta que esses episódios criaram desequilíbrio na disputa e pediu providências urgentes à Justiça Eleitoral.

Empresa atribui falhas a problemas técnicos

Em sua manifestação, a Meta declarou que os problemas não ficaram restritos ao Brasil nem a contas ligadas a um candidato específico. A companhia também afirmou aplicar suas regras de forma isonômica e cumprir as normas eleitorais brasileiras.

A resposta da empresa, porém, não encerra a análise. O tribunal pediu informações capazes de verificar o que ocorreu em casos concretos, incluindo alterações de métricas em vídeos publicados em 7 de outubro e o motivo da desativação de uma conta de publicidade em 23 de setembro.

O TSE também quer saber se limitações de alcance e recomendação foram aplicadas com os mesmos critérios a conteúdos dos dois candidatos. Para isso, a ordem alcança registros de moderação, dados sobre anúncios, histórico de decisões automatizadas e indicadores de distribuição das publicações.

Falhas técnicas podem afetar perfis de naturezas diferentes sem intenção política. Ainda assim, durante uma eleição, a dimensão e a duração de uma indisponibilidade podem produzir efeitos relevantes. Por esse motivo, a apuração depende de registros verificáveis, e não apenas das versões apresentadas pelas partes.

TSE reúne dados antes da decisão

Depois da resposta da Meta, a coligação de Lula e o Ministério Público Eleitoral terão prazo de 24 horas, cada um, para se manifestar. Somente após essas etapas o tribunal deverá examinar o pedido urgente e decidir se alguma medida corretiva é necessária.

Até agora, não há conclusão judicial de que a plataforma tenha agido para favorecer Flávio Bolsonaro. A controvérsia está em fase de instrução, e a ordem do TSE busca preservar evidências antes que registros técnicos sejam alterados ou deixem de estar disponíveis.

A análise deverá separar incidentes gerais de eventuais tratamentos específicos. Se o mesmo defeito atingiu usuários em vários países e perfis sem vínculo eleitoral, a explicação da empresa ganha consistência. Se os dados revelarem diferença injustificada entre campanhas, o tribunal poderá avaliar medidas para restabelecer a igualdade de condições.

O caso expõe a dependência crescente das campanhas em relação a sistemas privados de recomendação e publicidade. Pequenas mudanças na entrega de vídeos, no acesso a ferramentas de anúncios ou na classificação de contas podem alterar a capacidade de comunicação em poucos dias.

A decisão do TSE será baseada no material técnico reunido e nas manifestações das partes. Por enquanto, a empresa nega interferência intencional, a campanha mantém a acusação de desequilíbrio e a Justiça Eleitoral procura identificar se houve apenas instabilidade operacional ou tratamento incompatível com a disputa eleitoral.

Em resumo

O que a Meta respondeu ao TSE?

A empresa negou interferência eleitoral e disse que as restrições relatadas decorreram de problemas técnicos não limitados ao Brasil.

O que a campanha de Lula alegou?

A coligação relatou queda de alcance, dificuldades de impulsionamento e desativação temporária de uma conta de anúncios.

Quais dados o TSE pediu?

O tribunal solicitou registros de moderação, métricas de alcance, informações de anúncios e critérios de recomendação.

A Justiça já comprovou favorecimento?

Não. Ainda não existe conclusão judicial de interferência intencional ou favorecimento a um candidato.

Qual é a próxima etapa do processo?

A coligação e o Ministério Público Eleitoral devem se manifestar antes da análise do pedido urgente pelo TSE.

Fontes