Minério sobe, mas demanda chinesa limita ganhos
Contrato de janeiro avançou 1,26% em Dalian após o PIB chinês superar previsões, mas estoques altos e margens baixas contiveram o mercado.

O minério de ferro fechou em alta nesta segunda-feira (19) depois de a China divulgar crescimento econômico acima das previsões e aumento mensal na produção de aço. O movimento, porém, foi contido por estoques elevados e sinais de demanda ainda fraca entre siderúrgicas.
O InfoMoney informou que o contrato de janeiro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian avançou 1,26%, para 682,5 yuans, equivalentes a cerca de US$ 102,16 por tonelada. Em Cingapura, a referência de novembro subia 0,41%, a US$ 91,60.
Uma apuração da Reuters reproduzida pelo UOL confirmou as cotações e apontou que a produção diária chinesa de aço bruto cresceu 1,9% em setembro ante agosto, alcançando 2,45 milhões de toneladas. Foi a primeira alta mensal desde junho.
PIB supera previsão trimestral
A economia chinesa cresceu 4,5% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025. O resultado ficou acima da estimativa de 4,4% reunida pela Reuters e superou o avanço de 4,3% registrado no segundo trimestre.
O dado ofereceu apoio às commodities ligadas à indústria, porque a China é o maior consumidor mundial de minério de ferro. A produção industrial também aumentou 5,5% em setembro, reforçando a leitura de atividade mais firme em segmentos manufatureiros e exportadores.
O efeito positivo não foi suficiente para produzir uma alta mais forte. As vendas do varejo cresceram apenas 1,1% em setembro, enquanto o investimento em ativos fixos recuou 7,2% no acumulado de janeiro a setembro. O setor imobiliário, consumidor importante de aço, continuou enfraquecido.
As ações de mineradoras brasileiras refletiram essa combinação. A Vale chegou a avançar mais de 1%, mas perdeu força durante a sessão. Os papéis da CSN Mineração sustentaram ganho pouco superior a 1%, segundo a cotação acompanhada pela reportagem.
Demanda doméstica segue fraca
Nos portos chineses, os estoques de minério cresceram 0,26% na semana e chegaram a 153,06 milhões de toneladas, conforme dados da Steelhome. Compras feitas apenas para atender necessidades imediatas reduzem a disposição das siderúrgicas para recompor grandes volumes.
A taxa de operação de altos-fornos ficou em 87,74% entre 247 usinas pesquisadas, enquanto a parcela de siderúrgicas lucrativas subiu para 8,23%. A melhora marginal das margens ainda deixa a indústria em condição apertada e limita a capacidade de sustentar preços mais altos da matéria-prima.
O mercado passa a observar se a produção industrial e as exportações conseguirão compensar a fragilidade do consumo e dos imóveis. Para empresas brasileiras, a direção do minério dependerá menos do PIB isolado e mais da conversão desse crescimento em demanda efetiva por aço, redução de estoques e recuperação das margens chinesas.
Em resumo
O contrato de janeiro avançou 1,26% e fechou a 682,5 yuans por tonelada.
O mercado reagiu ao PIB chinês acima da previsão e ao primeiro aumento mensal da produção diária de aço desde junho.
O PIB da China aumentou 4,5% no terceiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Estoques portuários elevados, demanda doméstica fraca e baixa lucratividade das siderúrgicas contiveram a valorização.
A recuperação efetiva da produção de aço, acompanhada por queda dos estoques e melhora das margens, será central para sustentar o minério.