Política Nacional · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Ministro de El Salvador vira referência para candidatos de direita em evento em São Paulo

Gustavo Villatoro participou de eventos com políticos brasileiros e defendeu o modelo de segurança do governo Nayib Bukele, marcado por prisões em massa e regime de exceção.

Ministro de El Salvador vira referência para candidatos de direita em evento em São Paulo
Ministro de El Salvador vira referência para candidatos de direita em evento em São Paulo

O ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, tornou-se uma das figuras mais disputadas por candidatos de direita durante passagem por São Paulo nesta semana. O auxiliar do presidente Nayib Bukele participou de evento na Fiesp e de um jantar promovido pela Brasil Paralelo, onde políticos brasileiros buscaram aproximação e destacaram o modelo salvadorenho de combate às facções.

Villatoro é um dos principais responsáveis pela política de segurança de Bukele, baseada em estado de exceção, ampliação do encarceramento e enfrentamento direto às gangues que dominaram partes do país por décadas.

Modelo Bukele ganhou espaço no debate eleitoral

No Congresso Fiesp de Segurança Pública, realizado em 31 de agosto, o ministro defendeu a estratégia adotada em El Salvador e criticou organizações internacionais de direitos humanos. A apresentação foi recebida com elogios por parte de políticos e representantes empresariais presentes.

O senador Sergio Moro, candidato ao governo do Paraná, afirmou que pretende criar um presídio estadual de segurança máxima e chegou a dizer que a unidade teria o nome “El Salvador”. O deputado Guilherme Derrite, candidato ao Senado por São Paulo, também participou do evento.

A defesa do modelo ocorre em uma eleição em que segurança pública é um dos principais temas nacionais. Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos já fizeram referências favoráveis a aspectos da política de Bukele em seus discursos ou programas.

Resultados e controvérsias caminham juntos

El Salvador registrou uma queda expressiva nos homicídios durante o governo Bukele, resultado usado por seus apoiadores como prova de eficácia. Ao mesmo tempo, organizações como Human Rights Watch e Anistia Internacional denunciam prisões arbitrárias, suspensão prolongada de garantias e violações de direitos fundamentais.

O estado de exceção está em vigor desde 2022 e permitiu detenções em larga escala. O governo salvadorenho afirma que a medida foi necessária para desmontar estruturas criminosas e recuperar territórios controlados por gangues.

Críticos sustentam que a política enfraqueceu controles institucionais e levou pessoas sem ligação com facções à prisão. A controvérsia é central para qualquer tentativa de importar o modelo para o Brasil.

Constituição brasileira impõe limites diferentes

O promotor Lincoln Gakiya, conhecido pela atuação contra o PCC, chamou atenção durante o evento da Fiesp para as diferenças jurídicas entre os dois países. Ele lembrou que medidas semelhantes exigiriam mudanças constitucionais e advertiu contra soluções simplificadas para problemas complexos.

O Brasil possui garantias processuais, estrutura federativa e sistema judicial distintos. Segurança pública é dividida entre União, estados e municípios, enquanto medidas de exceção têm requisitos constitucionais específicos.

Passagem também teve encontro com Flávio Bolsonaro

Villatoro encontrou Flávio Bolsonaro durante sua visita ao Brasil. O candidato do PL tem defendido aumento do número de vagas prisionais e endurecimento de regras contra organizações criminosas.

O contato reforça a importância simbólica de El Salvador na campanha da direita. Bukele construiu uma imagem internacional associada à queda da violência e à disposição de confrontar estruturas tradicionais, tornando-se referência para candidatos que prometem políticas mais duras.

Segurança deve permanecer no centro da eleição

A passagem de Villatoro por São Paulo mostra que a discussão eleitoral não ficará restrita a propostas nacionais já conhecidas. Modelos estrangeiros estão sendo usados como referência para construir narrativas de campanha.

O desafio para os candidatos será explicar quais medidas poderiam ser aplicadas dentro da legislação brasileira, quais custos teriam e quais mecanismos seriam usados para impedir abusos.

Os resultados de El Salvador são politicamente atraentes para quem defende combate mais duro ao crime. As críticas de entidades internacionais e especialistas, porém, obrigam o debate a considerar também os limites constitucionais e os riscos de replicar uma política de exceção em um país com dimensões e instituições muito diferentes.

Fontes