Justiça · 2026-11-07 · Redação Notícia ES

Ministro do STJ decreta prisão de desembargadora condenada após Procuradoria relatar saída do país

Sandra Inês Rusciolelli, do TJ-BA, foi condenada a 14 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Ministro do STJ decreta prisão de desembargadora condenada após Procuradoria relatar saída do país
Ministro do STJ decreta prisão de desembargadora condenada após Procuradoria relatar saída do país

O ministro Og Fernandes, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), determinou a prisão da desembargadora Sandra Inês Rusciolelli, do TJ-BA (Tribunal de Justiça da Bahia), condenada a 14 anos e 20 dias de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O contexto da decisão judicial

A decisão de Og atende a um pedido do MPF (Ministério Público Federal) após o órgão levantar informações de que a magistrada deixou o Brasil no dia 21 de setembro com destino a Lisboa (Portugal).

Datada da última quinta-feira (5), a ordem de prisão alcança ainda Vasco Rusciolelli, filho de Sandra e também condenado pela corte.

De acordo com a decisão do ministro, com base na argumentação da Procuradoria, "tal circunstância constitui forte indicativo de intenção de se furtarem à aplicação da lei penal".

Detalhes e consequências do caso

A PGR afirmou ainda ao magistrado que a saída do país foi precedida da indicação de endereço inverídico à Justiça —em agosto, segundo o órgão, mãe e filho informaram novo endereço residencial nos autos, mas, quando o oficial de justiça tentou cumprir diligência no local em outubro de 2026, não conseguiu localizá-los.

Após a condenação imposta aos dois pelo STJ, a Folha entrou em contato com a DPU (Defensoria Pública da União), que atuou na defesa de Sandra e de Vasco na sessão da corte especial realizada na última quarta (4), mas não obteve resposta.

Sandra e Vasco foram condenados em ação penal derivada da Operação Faroeste , da Polícia Federal . A operação investigou um esquema de venda de decisões judiciais para viabilizar a grilagem de terras no oeste da Bahia.

Segundo as investigações, empresários pagavam propina a magistrados, com a intermediação de advogados, em troca de decisões que favoreciam a apropriação irregular de terras.

Até fevereiro de 2021, depois que a primeira fase da operação já havia sido deflagrada, decisão do STJ afastou oito desembargadores do TJ-BA. Além disso, três desembargadoras foram presas preventivamente, e uma quarta, Sandra, estava em prisão domiciliar.

À época, ela sinalizou que estaria disposta a fechar um acordo de delação premiada com o MPF (Ministério Público Federal), aceitando colaborar com a Justiça em troca de benefícios pela sua pena.

O acordo de delação de Sandra foi validado em junho de 2021, pelo ministro Og Fernandes. Foi a primeira delação premiada feita por uma desembargadora no país, com menções a 68 pessoas —entre elas, 12 desembargadores do TJ-BA, 12 juízes e 15 advogados.

Também assinou acordo de colaboração o filho de Sandra, Vasco Rusciolelli, que atuava como advogado dela e admitiu ter participado da negociação de venda de decisões. Assim como a mãe, ele estava em prisão domiciliar.

Durante o julgamento no STJ, mãe e filho foram representados pelo defensor público da União, José Carvalho do Nascimento, que teve como um de seus principais argumentos a falta de acesso da defesa a parte das provas apresentadas pelo MPF e pela PF.

De acordo com Nascimento, a autoridade policial não forneceu acesso a algumas das provas citadas na acusação, o que teria tornado impossível fazer a defesa técnica dos dois.

O defensor público afirmou ainda que elementos dos acordos de colaboração firmados por Sandra e Vasco foram utilizados contra eles, enquanto outros colaboradores foram beneficiados.

Nascimento sustentou que as delações devem vir com outros elementos de prova, o que, segundo ele, não foi o caso.

Relatório da PF apontava que Vasco havia recebido ao menos R$ 250 mil para Sandra dar decisão favorável a uma empresa. Segundo o MPF, mãe e filho negociaram propinas de R$ 4 milhões e receberam, efetivamente, R$ 2,4 milhões.

Em outubro de 2021, depois de firmarem a colaboração, o ministro Og Fernandes revogou a prisão dos dois .

O magistrado determinou, porém, que ambos continuassem com tornozeleira eletrônica e que se mantivessem afastados das dependências do TJ-BA e dos outros investigados da Operação Faroeste.

Em resumo

O que aconteceu?

O ministro Og Fernandes, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), determinou a prisão da desembargadora Sandra Inês Rusciolelli, do TJ-BA (Tribunal de Justiça da Bahia), condenada a 14 anos e 20 dias de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Qual é o ponto principal?

A decisão de Og atende a um pedido do MPF (Ministério Público Federal) após o órgão levantar informações de que a magistrada deixou o Brasil no dia 21 de setembro com destino a Lisboa (Portugal). Datada da última quinta-feira (5), a ordem de prisão alcança ainda Vasco Rusciolelli, filho de Sandra e também condenado pela corte.

Quais são os dados mais importantes?

De acordo com a decisão do ministro, com base na argumentação da Procuradoria, "tal circunstância constitui forte indicativo de intenção de se furtarem à aplicação da lei penal".

Qual é o contexto?

A PGR afirmou ainda ao magistrado que a saída do país foi precedida da indicação de endereço inverídico à Justiça —em agosto, segundo o órgão, mãe e filho informaram novo endereço residencial nos autos, mas, quando o oficial de justiça tentou cumprir diligência no local em outubro de 2026, não conseguiu localizá-los.

Quais são os próximos desdobramentos?

Após a condenação imposta aos dois pelo STJ, a Folha entrou em contato com a DPU (Defensoria Pública da União), que atuou na defesa de Sandra e de Vasco na sessão da corte especial realizada na última quarta (4), mas não obteve resposta.

Fontes